Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Governo federal lança versão nacional do "Celular Seguro" inspirada em sistema de recuperação no Piauí

Decreto do presidente Lula cria Banco Nacional de Celulares com Restrição para combater roubos no país

23/06/2026 às 18h48

23/06/2026 às 18h50

O governo federal lançou nesta terça-feira (23) a versão nacional do programa "Celular Seguro", inspirado na experiência do Piauí. Por meio de decreto do presidente Lula, o projeto se transforma em política permanente, com a criação do Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), plataforma que vai reunir informações de aparelhos roubados ou perdidos em todo o país.

Lula cria plataforma para coibir roubos de celulares e vendas ilegais - (© Ricardo Stuckert/PR) © Ricardo Stuckert/PR
Lula cria plataforma para coibir roubos de celulares e vendas ilegais

No Piauí, estado que serviu de modelo para o programa nacional, foram registrados a recuperação de cerca de 15,6 mil celulares roubados ou furtados entre janeiro de 2023 e o primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, o estado teve uma redução de 53% no número de roubos entre 2022 e 2025. O programa piauiense foi criado quando Chico Lucas estava à frente da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP). Hoje, ele ocupa o cargo equivalente em nível nacional, no Ministério da Justiça.

No lançamento do programa nacional, Chico Lucas explicou que a iniciativa seguirá os moldes do modelo piauiense. O Celular Seguro vai reunir dados de boletins de ocorrência registrados pelas Polícias Civis, operadoras de telefonia, sistemas nacionais de segurança pública, o Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI) da Anatel e a ABR Telecom, totalizando 3,3 milhões de aparelhos já aptos à recuperação.

"Essa é uma nova etapa de um programa que vai combater efetivamente o roubo, furto e toda a cadeia criminosa que envolve os celulares", disse.

O secretário informou que a plataforma vai funcionar como um cadastro negativo dos celulares roubados. Uma das inovações é o "modo recuperação": o IMEI, número de registro do aparelho, permanece ativo e passa a ser monitorado nacionalmente. Quando um novo chip é inserido no aparelho, o sistema gera uma identificação do novo usuário, iniciando o fluxo de recuperação.

Os celulares recuperados no estado são devolvidos por meio de edital de chamamento.  - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Os celulares recuperados no estado são devolvidos por meio de edital de chamamento.

“A gente quer punir quem rouba, a gente quer punir quem vende, a gente quer punir o crime organizado. Mas é importante que você tenha mais cuidado ao utilizar o celular porque é um patrimônio seu”, disse o presidente Lula no lançamento do programa.

Nesses casos, o novo dono do celular roubado ou furtado, muitas vezes adquirido de terceiros, o que pode configurar crime de receptação, recebe uma notificação e tem a oportunidade de realizar a devolução voluntária e regularizar a situação junto às autoridades policiais. Em caso de não devolução, a pessoa será autuada.

Uma das novidades é a criação de uma ferramenta pública de consulta. Antes de adquirir um celular de terceiros, qualquer pessoa poderá verificar, pelo aplicativo ou portal do Celular Seguro, se o aparelho possui algum registro de restrição.

A consulta será feita a partir do número IMEI e retornará apenas duas possibilidades: "Sem Restrição" ou "Com Restrição". A expectativa é que a recuperação dos aparelhos seja realizada pelas Polícias Civis dos estados. A tecnologia que inspira a nova fase já havia sido adotada no Piauí, no Amazonas, na Bahia e no Ceará.

Chico Lucas explicou que o trabalho agora é integrar as informações em nível nacional. Segundo ele, há, em média, 1 milhão de celulares roubados por ano no Brasil registrados via boletim de ocorrência, número que o próprio governo considera passível de subnotificação.

“O celular hoje traz identidade e aplicativos bancários, por exemplo. Ninguém vive mais sem celular (...) A gente percebeu que existe um mercado que muita gente lucra milhões com o comércio ilegal de celular roubado, com a fraude digital e com outros crimes”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil