A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao jornal equatoriano “El Comercio” que a economia do Brasil “não parou nem vai parar”. A entrevista foi divulgada pelo veículo neste domingo (24).
Dilma viajará ao Equador nesta terça (26) para se encontrar com o presidente Rafael Correa e participar, na quarta (27), em Quito, da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribe (Celac).
“Confio que a economia brasileira vai superar os desafios e emergir mais forte e mais competitiva. […] Em que pesem as dificuldades temporárias, o Brasil não parou e não vai parar”, disse ela, após ter sido questionada sobre o que o governo planeja para reduzir os impactos da recessão econômica.
Conforme o Boletim Focus desta semana, divulgado mais cedo pelo Banco Central, oseconomistas do mercado financeiro preveem que, diante do atual cenário, haverá retração de 3% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegará a 7,23%. Para o ano que vem, a previsão de inflação é de 5,65%.
A presidente também disse ao jornal que o país vive um momento de transição econômica e que o governo tem feito “grande esforço” para se adaptar à nova realidade mundial.
Dilma declarou que seu governo está empenhado em recuperar o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação e restaurar a confiança dos investidores para que a economia do país viva um novo momento de crescimento.
“Simultaneamente ao esforço fiscal, lançamos programas para fazer avançar os investimentos, particularmente em conjunto com o setor privado. Menciono, por exemplo, o Programa de Investimento em Logística, o Programa de Investimento em Energia Elétrica e o Plano Nacional de exportações”, disse.
A presidente afirmou que o governo não se descuidou dos direitos sociais e das conquistas dos últimos 13 anos, desde que o PT chegou ao poder.
Perguntada sobre como sustentar o modelo de desenvolvimento iniciado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve como principal bandeira a ascensão social, Dilma afirmou que o Brasil viveu, desde 2003, uma “transformação estrutural profunda” e que, por isso, foi possível que 36 milhões de pessoas deixassem a pobreza extrema.
“Não vamos retroceder em políticas exitosas de inclusão social e não nos descuidaremos daqueles que mais necessitam. Ainda em um contexto em ajuste, mantivemos os programas sociais e os principais investimentos”, disse.
Neste mês, tomou posse a nova Assembleia Nacional, de maioria oposicionista ao governo de Nicolás Maduro. Antes da posse dos novos parlamentares, Maduro retirou do Legislativo o poder de indicar os diretores do Banco Central e, no fim do mês passado, a Justiça venezuelana suspendeu a eleição de três deputados que fazem oposição ao atual regime.
“Acompanhamos com muita atenção os sucessos do nosso vizinho do norte, um país irmão com o qual mantemos excelentes e sólidas relações. E temos estado muito presentes e atuantes, de forma individual ou em conjunto com os demais membros da Unasul, em áreas para contribuir com o diálogo e a busca de soluções”, declarou.
Dilma, porém, afirmou também que não há lugar, na América do Sul do Século XXI, para “soluções políticas à margem da institucionalidade e do mais absoluto respeito à democracia e ao estado de direito”.
Assim como tem feito desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu o pedido, ela voltou a dizer que, em seu governo, a Polícia Federal tem “autonomia total” para investigar casos de corrupção e que Justiça, respaldada na Constituição, tem atuado de maneira independente.
A presidente declarou ainda que o país tem uma democracia “dinâmica, jovem e forte” e que garante a “mais plena” liberdade de imprensa e de manifestação. Segundo Dilma, todos os brasileiros têm garantidos seus direitos individuais e sociais que a geração dela “tanto lutou para conquistar.”
“Quando há divergências, a melhor saída é o debate de ideias. Não é aceitável, em uma sociedade democrática e participativa, tirar um presidente apenas por divergência política, sem nenhum respaldo jurídico”, acrescentou.