Maggi diz que governo vai acompanhar de perto fiscalização de frigoríficos

Ministro disse que a medida referente às inspeções é "um compromisso" assumido após a primeira fase da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março do ano passado.

07/03/2018 15:14h

Compartilhar no

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou hoje (7) que a fiscalização dos frigoríficos brasileiros, que fica sob incumbência estadual, será acompanhada mais de perto pelo governo federal. A declaração do ministro Blairo Maggi foi feita durante a apresentação de um sistema de aprimoramento da macrologística agropecuária e reitera portaria publicada na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União.

Segundo o ministro, as datas de assinatura e de veiculação da portaria foram apenas coincidência. Pelo período indicado no Diário Oficial, o documento estava pronto desde 28 de fevereiro.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, prometeu mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros, que é realizada pelos estados (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

Blairo Maggi disse que a medida referente às inspeções é "um compromisso" assumido após a primeira fase da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março do ano passado. O intuito é "diminuir ou extinguir qualquer possibilidade de interferências políticas", esclareceu.

"É um projeto em que viemos trabalhando há algum tempo. Finalizou-se no dia de ontem, com a publicação da portaria, e agora falta só a do regimento interno. O país foi dividido em 10 regiões e, para cada uma delas, foi determinado um número de frigoríficos que ficará subordinado a uma pessoa do Sipoa [Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal], e ele terá a responsabilidade de conversar diretamente com os fiscais dessas unidades e também com o público privado, que é o que demanda o serviço", acrescentou o ministro.

A Operação 

Esta semana, 270 policiais federais e 21 auditores fiscais agropecuários cumpriram 91 mandados judiciais no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, em Goiás e em São Paulo. A ação articulada consistiu na terceira etapa da investigação, intitulada Operação Trapaça, que tem como alvo a BRF, uma das maiores companhias do ramo alimentício do mundo.

Dona de marcas como Sadia, Perdigão e Qualy, a empresa é acusada de ter fraudado, com a conivência de três laboratórios do Ministério da Agricultura, laudos de resultados de amostras de alimentos, liberando sua comercialização mesmo estando contaminados com salmonela, bactéria que pode trazer riscos à saúde.

Em fases anteriores da Operação Carne Fraca, que também teve como alvo a JBS, outra gigante do setor alimentício, a Polícia Federal já havia identificado várias irregularidades gravíssimas, como a venda de carne vencida, tentativas de alterar as datas de validade nas embalagens, suborno pago a fiscais do Ministério da Agricultura para fazerem vista grossa diante dos graves problemas encontrados e até a injeção de mais água do que permitido em frangos. 

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!

Compartilhar no
Fonte: Agência Brasil
Edição: Nádia Franco
Por: Letycia Bond

Deixe seu comentário