Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook Twitter Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Valorização do real provoca corrida às casas de câmbio de Teresina

Até as 14h55 desta sexta-feira (4) o dólar havia apresentado uma variação de -2,29%, valendo R$ 3,715. Já o euro variou -1,85%, correspondendo a R$ 4,087.

04/03/2016 16:15

A nova fase da operação Lava Jato, denominada "Aletheia" (busca da verdade), provocou uma forte alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a valorização do real diante de outras moedas, como o dólar e o euro.

Como consequência, dezenas de pessoas que pretendem fazer viagens internacionais lotaram as casas de câmbio em Teresina para comprar as moedas estrangeiras.

Até as 14h55 desta sexta-feira (4) o dólar havia apresentado uma variação de -2,29%, valendo R$ 3,715. Já o euro variou -1,85%, correspondendo a R$ 4,087.

O publicitário Anibal Martins, que vai viajar em maio para a Polônia com mais dois amigos, foi um dos que correu para uma casa de câmbio para comprar euros.

Nesta sexta-feira, ele comprou 400 euros, e gastou em torno de R$ 1700. Segundo o publicitário, se ele tivesse feito a compra alguns dias atrás teria gastado mais de R$ 1800.

"Eu estou comprando euro mesmo porque nós também vamos a Paris, e lá pra gente trocar é mais fácil. Eu acredito que dependendo do tanto que você for comprar dá pra ter uma boa economia. No mínimo de quase R$ 200", calcula.

Anibal diz que vai esperar mais alguns dias para fazer novas compras na casa de câmbio, pois acredita que o real terá novas valorizações nos próximos dias, por conta do momento político que o país vive.

Na quinta-feira o real e a Bovespa já haviam apresentado fortes valorizações, por conta do vazamento de trechos da delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) pela revista "Isto É". Conforme a reportagem, o ex-líder do Governo no Senado teria revelado à PF e ao MPF que a presidente Dilma Rousseff (PT) tentou interferir na Operação Lava Jato, através da nomeação de um ministro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), e teria conhecimento da existência de um esquema de superfaturamento na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras - negócio que gerou um prejuízo de aproximadamente R$ 3 bilhões à estatal.

Ainda conforme a reportagem, baseada na suposta delação de Delcídio, o ex-presidente também teria interferido na Operação Lava Jato, mandando o senador pagar uma mesada a Nestor Cerveró, para que o ex-diretor não aceitasse o acordo de delação premiada. 

Lula também teria articulado a compra do silêncio de Marcos Valério na CPI dos Correios, por R$ 200 milhões - conforme o relato de Delcídio.

Para ter validade, porém, o acordo de delação premiada firmada pelo senador com a Procuradoria Geral da República (PGR) ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

Operação Aletheia

A 24ª fase da Operação Lava Jato, denominada Operação Aletheia, tem como alvos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva; seus filhos Fabio Luís Lula da Silva, Marcos Claudio Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva; sua nora Marlene Araujo Lula da Silva; além do Instituto Lula, pessoas próximas ao ex-presidente e empresas.

No total, a Justiça expediu 44 mandados judiciais, sendo 33 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva - quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento.

A Operação Aletheia investiga a relação do ex-presidente Lula e de seus familiares com empreiteiras envolvidas no Petrolão, esquema de corrupção por meio do qual foram desviados bilhões da Petrobras.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) encontraram indícios de que Lula recebeu vantagens indevidas, como um apartamento e reformas em imóveis, além de doações e pagamentos por palestras via Instituto Lula e a empresa LILS Palestras, que pertence ao ex-presidente.

Instituto Lula condena nova fase da Lava Jato

Por meio de nota divulgada nesta sexta-feira, o Instituto Lula classificou a nova fase da Operação Lava Jato como uma agressão ao estado democrático de direito, além de ser arbitrária, ilegal e injustificável.

Confira a íntegra da nota divulgada pelo instituto:

A violência praticada hoje (4/3) contra o ex-presidente Lula e sua família, contra Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal.

1) Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça, espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa,  em depoimentos previamente marcados. Por que o ex-presidente Lula foi submetido ao constrangimento da condução coercitiva?

2) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras. A Lava Jato já recebeu da Receita Federal, oficialmente, todas as informações referentes a estas contas, que foram objeto de minuciosa autuação fiscal no ano passado.

3) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa, este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público.

4) Nada justifica a invasão do Instituto Lula e da empresa LILS, a pretexto de obter informações sobre palestras do ex-presidente Lula, contratadas por 40 empresas do Brasil e de outros países, entre as quais a INFOGLOBO, que edita as publicações da Família Marinho (http://www.institutolula.org/as-palestras-de-lula-a-violacao-de-sigilo-bancario-do-ex-presidente-foi-um-ato-criminoso). Todas as informações referentes a estas palestras foram prestadas à Procuradoria da República no Distrito Federal e compartilhadas com a Lava Jato. Também neste caso, o Ministério Público nada fez em relação ao vazamento ilegal de informações sigilosas para a imprensa.

5) Nada justifica levar o ex-presidente Lula a depor sobre um apartamento no Guarujá que não é nunca foi dele e sobre um sítio de amigos em Atibaia, onde ele passa seus dias de descanso. Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público.

6) A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do País, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.

7) O único resultado da violência desencadeada hoje pela Força Tarefa é submeter o ex-presidente a um constrangimento público. Não é a credibilidade de Lula, mas a Operação Lava Jato que fica comprometida, quando seus dirigentes voltam-se para um alvo político sob os mais frágeis pretextos.

O Instituto Lula reafirma que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País. Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras.

A violência praticada nesta manhã – injusta, injustificável, arbitrária e ilegal – será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o País, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social.

É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história. 

Por: Cícero Portela
Mais sobre: