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Ibovespa dispara 2,97% e atinge R$ 177.866 com IPCA

Índice da B3 registra maior alta desde janeiro após inflação de junho vir abaixo do esperado e reforçar apostas de corte na Selic em agosto

11/07/2026 às 10h31

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (10) em forte alta, impulsionado pela divulgação do IPCA de junho, que surpreendeu positivamente o mercado e reacendeu as expectativas de um novo corte na taxa Selic já na próxima reunião do Copom, em agosto. O principal índice da bolsa brasileira fechou aos R$ 177.866,38, com valorização de 2,97%, equivalente a um ganho de R$ 5.124,26 pontos no dia.

A sessão foi marcada por intensa volatilidade. O Ibovespa abriu cotado a R$ 177.866,38 e oscilou entre a mínima de R$ 172.760,66 e a máxima de R$ 177.866,38, encerrando justamente no patamar mais alto do dia. O movimento representa a terceira semana consecutiva de ganhos para o índice, que acumula alta de 2,18% no período e 3,40% em julho.

IPCA abaixo do esperado impulsiona mercado

O catalisador da forte alta foi a divulgação do IPCA de junho, que registrou variação de apenas 0,16%, bem abaixo das projeções do mercado, que esperavam alta de 0,31%. O resultado representa a leitura mensal mais baixa desde outubro e levou a taxa acumulada em 12 meses para 4,64%, ante 4,72% no mês anterior. A desaceleração da inflação foi puxada principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que recuaram 0,24% no mês.

A surpresa positiva nos dados de inflação funcionou como gatilho para uma rápida reprecificação dos ativos. Segundo analistas, o Ibovespa chegou a disparar mais de 3.400 pontos em apenas 60 segundos após a divulgação do indicador, em movimento que refletiu a corrida dos investidores em direção a ativos de risco diante da expectativa de juros mais baixos.

Setores sensíveis a juros lideram ganhos

O fechamento da curva de juros futuros beneficiou praticamente todos os setores da bolsa, com destaque para empresas mais sensíveis às taxas de juros. O índice de consumo da B3 avançou 2,88%, enquanto o setor imobiliário registrou alta de 3,9%. Entre os destaques individuais, Magazine Luiza disparou 7,41%, e CSN liderou os ganhos do Ibovespa com valorização de 7,92%.

No setor de commodities, Vale ON subiu 1,41%, acompanhando os futuros do minério de ferro na China, enquanto Petrobras PN avançou 1,12%. A única ação do índice a fechar em queda foi Prio, com recuo de 0,38%, pressionada por questões regulatórias relacionadas ao imposto de exportação sobre petróleo.

Expectativas para a política monetária

O resultado do IPCA reforçou as apostas do mercado de que o Banco Central poderá retomar o ciclo de afrouxamento monetário. Com a Selic atualmente em 14,25% ao ano, economistas avaliam que há espaço para novos cortes, especialmente diante da desaceleração do processo inflacionário subjacente. O volume financeiro do pregão somou R$ 25,17 bilhões, acima da média recente.

No câmbio, o dólar comercial recuou para a faixa de R$ 5,10, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda norte-americana frente a divisas de países emergentes. O cenário externo também contribuiu para o otimismo, com os principais índices de Wall Street encerrando em alta: Dow Jones subiu 0,54%, S&P 500 avançou 0,76% e Nasdaq ganhou 0,94%.

Perspectivas para o segundo semestre

Com o desempenho desta sexta-feira, o Ibovespa alcançou o maior patamar de fechamento desde 14 de maio, quando superou os 178 mil pontos durante o pregão. No acumulado de 2026, o índice registra valorização de aproximadamente 8%, recuperando parte das perdas observadas no segundo trimestre, quando a bolsa corrigiu cerca de 15% desde a máxima histórica próxima aos 200 mil pontos em abril.

Analistas de mercado mantêm visão construtiva para as ações brasileiras, destacando que o valuation atual oferece uma relação risco-retorno favorável para investidores de longo prazo. O JPMorgan mantém recomendação overweight para o Brasil, enquanto o Morgan Stanley avalia que o mercado negocia próximo de seu cenário pessimista, o que cria assimetria positiva. A continuidade do movimento de alta, no entanto, dependerá da evolução do cenário fiscal doméstico e das decisões do Federal Reserve nos Estados Unidos.