Os padrastos foram os principais autores de violência contra crianças e adolescentes atendidos pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi), do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), em 2025. É o que revela o Anuário Navi 2025, divulgado nesta semana, que analisou 219 casos acompanhados pelo órgão em Teresina. Segundo o levantamento, os padrastos respondem por 22,4% das ocorrências, percentual superior ao de pais biológicos (11,9%) e vizinhos ou amigos da família (11%), reforçando que a violência contra crianças e adolescentes ocorre, na maioria das vezes, dentro do ambiente familiar.
Ao todo, os padrastos foram identificados como agressores em 49 dos 219 casos registrados pelo Navi. Em seguida aparecem os pais biológicos, com 26 casos (11,9%), vizinhos ou amigos da família, com 24 (11%), tios, com 19 (8,7%), outros menores de idade, com 16 (7,3%), e avôs, com 14 ocorrências (6,4%). O estudo aponta ainda que 79,5% dos atendimentos envolveram abuso sexual, principal tipo de violência registrado pelo núcleo.
Para a coordenadora do Navi, promotora de Justiça Itanieli Rotondo, os dados traçam um panorama consistente da violência infantojuvenil em Teresina e evidenciam a necessidade de ampliar as políticas públicas de proteção.
“A análise estatística das vítimas acompanhadas pelo Navi/MPPI permitiu traçar um diagnóstico epidemiológico consistente da violência infantojuvenil no município de Teresina. O perfil das vítimas é majoritariamente composto por meninas e adolescentes, sendo o abuso sexual a principal modalidade de violência registrada”, afirmou.
A promotora ressaltou ainda que os números demonstram que o ambiente doméstico continua sendo o principal cenário das agressões, o que exige o fortalecimento da rede de proteção.
“A análise incorpora ainda os parâmetros técnicos e éticos estabelecidos pelo Manual de Escuta Qualificada, desenvolvido pelo setor de Psicologia do Navi, que conceitua o ouvir humanizado como uma tecnologia de cuidado essencial para o acolhimento do sofrimento e a garantia dos direitos humanos”, destacou.
O anuário também recomenda a ampliação de programas de prevenção à violência sexual intrafamiliar, a capacitação de profissionais da educação e da saúde para identificar sinais precoces de abuso e o fortalecimento da rede de atendimento psicossocial, especialmente nas áreas rurais da capital.
Como denunciar
Vítimas de violência ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de casos de violação de direitos podem procurar o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi), do Ministério Público do Piauí, por meio dos seguintes canais atendimento presencial: Casa da Cidadania – Rua Mato Grosso, nº 268, bairro Frei Serafim, em Teresina; telefones: (86) 2222-8163 e (86) 2222-8868; WhatsApp: (86) 98152-7263; e-mail: [email protected]; e formulário eletrônico: disponível no portal do Ministério Público do Estado do Piauí.