As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) operam em queda nesta terça-feira (30), cotadas a R$ 37,95 às 10h30, registrando desvalorização de 0,50% em relação ao fechamento anterior. O papel apresenta recuo de R$ 0,19 no dia, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas.
O ativo abriu o pregão cotado a R$ 38,17 e atingiu máxima de R$ 38,18 nos primeiros minutos de negociação. No entanto, a pressão vendedora levou o papel à mínima de R$ 37,79 ao longo da sessão. A oscilação reflete a volatilidade que tem caracterizado os papéis do setor de petróleo nas últimas semanas, em meio às negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
Cenário do petróleo pressiona PETR4
O movimento de baixa da PETR4 acompanha a instabilidade do petróleo Brent no mercado internacional. A commodity opera próxima a US$ 73 por barril, recuperando-se de mínimas de quatro meses após acordo entre EUA e Irã para suspender ataques mútuos antes das negociações de paz. O Brent acumula queda de aproximadamente 20% no mês de junho e mais de 23% no trimestre, pressionado pelas expectativas de aumento dos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico.
A situação no Estreito de Ormuz permanece no radar dos investidores. Apesar da redução temporária das hostilidades, o tráfego de navios pela via navegável estratégica diminuiu após ataques no fim de semana que danificaram embarcações. A incerteza sobre os termos do acordo de paz, incluindo inspeções nucleares e controle sobre o estreito, mantém o mercado em compasso de espera.
Desempenho acumulado e perspectivas para PETR4
Apesar da queda no pregão de hoje, a PETR4 acumula valorização expressiva em 2026. O papel iniciou o ano negociando na casa dos R$ 30,36 e apresenta alta superior a 25% no acumulado do período. Nos últimos 12 meses, a variação positiva supera 31%, demonstrando a resiliência do ativo mesmo em cenário de volatilidade.
A Petrobras reportou lucro por ação (EPS) de US$ 0,9968 no primeiro trimestre de 2026, superando as expectativas dos analistas. A companhia apresenta momentum operacional sólido, com produção doméstica recorde em aproximadamente 2,58 milhões de barris por dia e alta utilização das refinarias, próxima a 95%. O dividend yield projetado para 2026 está em torno de 9%, mantendo a atratividade do papel para investidores focados em renda.
Contexto do Ibovespa e recomendações de analistas
O Ibovespa fechou a última sessão em leve baixa de 0,05%, aos 173.205 pontos, em pregão de liquidez reduzida. O índice acumula alta de 7,55% em 2026, após recuperação de 2,95% na última semana. As incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam limitando o apetite por risco no mercado brasileiro.
Analistas de mercado mantêm visão construtiva para a PETR4. A XP Investimentos tem recomendação de compra para as ações, destacando que a tese de investimento oferece bom retorno via geração de caixa livre e dividendos que podem superar 10% ao ano se os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 65 por barril. O BTG Pactual estabelece preço-alvo de R$ 62,00 para o papel, também com recomendação de compra.
Entre os riscos monitorados pelos investidores estão a possível defasagem entre preços domésticos e internacionais de derivados, além dos créditos a receber do governo relacionados a subsídios de combustíveis, estimados em aproximadamente US$ 2,5 bilhões. A expectativa é que o crescimento sequencial do EBITDA compense eventuais impactos no capital de giro da companhia.