Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Por que Santo Antônio é conhecido como o "santo casamenteiro"?

A fama faz com que milhares de pessoas recorram à sua intercessão em busca de um relacionamento, do casamento ou de um grande amor.

12/06/2026 às 12h06

O dia de Santo Antônio é celebrado neste sábado, 13 de junho. Entre os santos mais populares da Igreja Católica, ele é conhecido por um título que atravessa gerações: o de "santo casamenteiro". A fama faz com que milhares de pessoas recorram à sua intercessão em busca de um relacionamento, do casamento ou de um grande amor.

A origem dessa tradição está ligada às ações que Santo Antônio realizou ainda em vida. Conforme explica o padre Luiz Eduardo Bastos, pároco da Igreja de Santo Antônio, no bairro Ininga, em Teresina, o santo foi um defensor do matrimônio por amor, posicionando-se contra os casamentos arranjados, prática comum na época.

Ele foi um forte opositor aos casamentos arranjados, e esse já era um sinal dele de proteção às pessoas, para que todos tivessem acesso ao matrimônio por amor e não que fosse uma linha de negócio. Ele era contra isso, mas, enquanto não se abolia esse tipo de prática, tentava ajudar

padre Luiz Eduardo Bastospároco da Igreja de Santo Antônio

Além disso, Santo Antônio ficou conhecido por ajudar financeiramente jovens pobres que não possuíam recursos para pagar o dote exigido para o casamento. Uma das histórias mais populares relata que uma jovem sonhou com o santo, que lhe orientou a entregar um bilhete a um comerciante.

“O pedaço de papel deu um valor muito elevado e, por ter feito uma promessa à Santo Antônio, o comerciante entregou o valor à jovem, que conseguiu pagar seu dote. A partir daí, todos passaram a procurar o santo e a alcançar milagres, fazendo com que Santo Antônio tivesse esse título de santo casamenteiro”, relata o padre.

Santo Antônio era um opositor aos casamentos arranjados - (Paulo Pinto/Agência Brasil) Paulo Pinto/Agência Brasil
Santo Antônio era um opositor aos casamentos arranjados

Embora na Europa Santo Antônio seja tradicionalmente reconhecido como o santo dos pobres e dos milagres, no Brasil ele ganhou uma identidade própria. Segundo a professora Natália Oliveira, mestra em História da Igreja, a devoção chegou ao país com os portugueses e foi incorporada às práticas religiosas populares.

“A devoção à Santo Antônio chega ao Brasil com os portugueses, com as fazendas de cana-de-açúcar e de criação de gado e as comunidades que se formaram em decorrência delas. Nesses locais sempre tinha uma capela e a devoção aos santos. Naquele âmbito de oração, as jovens pediam um casamento e suas mães um bom marido para as filhas”, comenta.

Simpatias

Com o passar do tempo, a fama do santo se fortaleceu e passou a fazer parte das tradições juninas. Simpatias como retirar o menino Jesus dos braços da imagem, colocar Santo Antônio de cabeça para baixo ou tocar no mastro durante as festividades tornaram-se práticas populares entre aqueles que desejam encontrar um companheiro.

“Existe uma união muito forte entre a religião, a religiosidade e as superstições, pois somos a união de portugueses, africanos e indígenas. Dentre essas superstições, ainda é tradicional, em Campo Maior, essa questão do mastro de Santo Antônio, no qual muitas pessoas ainda acreditam que se pegar no mastro e na bandeira, irão casar. E quando o mastro está fincado no chão, muitas pessoas amarram uma fita ou escrevem seus nomes, na expectativa de encontrar o amor da sua vida”, explica a professora Natália Oliveira.

Por que Santo Antônio é conhecido como o "santo casamenteiro"? - (Divulgação) Divulgação
Por que Santo Antônio é conhecido como o "santo casamenteiro"?

Para o padre Luiz Eduardo, essas práticas fazem parte da religiosidade popular e representam a forma simples como muitas pessoas manifestam sua fé.

“São simpatias populares que não trazem nenhum mal às pessoas. Muitos fazem simpatias para tirar proveito, pois Santo Antônio é o santo do amor, casamenteiro, e muitas pessoas se apegam. Quem faz a trezena, de 1 a 13 de junho, espera alcançar alguma graça”, afirma o pároco.