Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito

Conforme a direção, a medida foi adotada porque os repasses destinados ao atendimento oncológico não cobrem os custos dos serviços prestados pela instituição.

06/07/2026 às 12h45

A suspensão da admissão de novos pacientes oncológicos no Hospital São Marcos seguirá por tempo indeterminado. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6), a direção da unidade informou que trabalha para obter uma linha de crédito emergencial que permita manter o atendimento dos pacientes que já estão em tratamento. Segundo o hospital, a retomada das novas admissões depende de uma complementação mensal de R$ 4,2 milhões, além dos recursos atualmente recebidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Hospital São Marcos mantém suspensão de novos atendimentos oncológicos e busca linha de crédito

A interrupção da entrada de novos pacientes foi anunciada na última sexta-feira (3). Conforme a direção, a medida foi adotada porque os repasses destinados ao atendimento oncológico não cobrem os custos dos serviços prestados pela instituição.

Segundo o diretor técnico do Hospital São Marcos, Marcelo Martins, a prioridade neste momento é preservar a continuidade do tratamento dos pacientes já assistidos pela unidade. Para isso, o hospital negocia uma linha de crédito que possa garantir o funcionamento da assistência nas próximas semanas.

"Do ponto de vista médico, é muito ruim transferir o atendimento de um paciente para outra unidade. É uma outra equipe, sempre há perda de continuidade e perda de tempo nesse tratamento. Estamos fazendo um esforço junto aos nossos fornecedores e pleiteando uma nova linha de crédito emergencial que dure entre 20 e 30 dias. Queremos garantir pelo menos duas ou três semanas de atendimento aos pacientes que já estão conosco", afirmou.

Ainda de acordo com Marcelo Martins, o valor do empréstimo ainda está sendo definido. A expectativa da direção é que o crédito ofereça tempo para que seja encontrada uma solução definitiva para o financiamento da assistência oncológica no estado.

Durante a coletiva, o hospital informou que precisa de um reforço de R$ 4,2 milhões por mês para retomar o atendimento de novos pacientes. Atualmente, a unidade recebe cerca de R$ 6 milhões mensais pela produção realizada por meio da Tabela SUS, além de um complemento de R$ 900 mil repassado pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi).

Marcelo Martins, diretor-técnico do Hospital São Marcos - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Marcelo Martins, diretor-técnico do Hospital São Marcos

Para justificar o pedido de complementação financeira, a direção apresentou um comparativo com hospitais oncológicos de outros estados. Segundo os dados apresentados, instituições com perfil semelhante recebem um volume maior de recursos em relação à produção realizada pelo SUS.

Para demonstrar o que chamou de “distorção”, o hospital elaborou um comparativo com outras instituições oncológicas do Brasil, usando como indicador um multiplicador, ou seja, quantas vezes o valor total recebido por cada hospital supera o que ele de fato produziu pela Tabela SUS. Nessa comparação, hospitais como o Oncológico Infantil do Pará recebe 4,51x mais que a produção mensal; a Fundação Pio XII e o Hospital de Barretos, em São Paulo, recebem cerca de 3,91x a mais.

“O Hospital Oncológico do Pará, para cada criança que ele trata, recebe 4,5x a Tabela do SUS. O São Marcos recebe 1,1x. o Hospital de Barretos, quando trata um paciente, ele recebe 3,9x a Tabela do SUS. O São Marcos recebe 1,1x. Quando comparo com os pares e quando falamos em valores isolados, a diferença é absurda. Então o São Marcos passa por dificuldades financeiras por subfinanciamento, não por excesso de custos”, disse Marcelo Martins, diretor técnico do hospital.

O Portal O Dia procurou a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) e a Fundação Municipal de Saúde (FMS) para comentar as declarações apresentadas durante a coletiva. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.