Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Teresina registra quase 200 casos de hanseníase e mantém alta endemicidade

A hanseníase tem cura, mas o preconceito e a desinformação ainda são barreiras para o diagnóstico precoce.

05/06/2026 às 13h07

Apesar de ter apresentado queda nos últimos anos, Teresina ainda é considerada uma área de alta endemicidade de hanseníase. Em 2025, foram diagnosticados 193 novos casos da doença, o equivalente a 7,2 ocorrências por 100 mil habitantes, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

Visando reduzir esses índices da doença e enfrentar o estigma social, a FMS tem realizado uma série de atividades. Em maio, agentes comunitários de saúde foram capacitados e já estão em campo realizando atividades educativas em unidades básicas de saúde, escolas, praças e igrejas. A ação segue até 12 de junho, com foco na informação de qualidade e na detecção precoce de novos casos.

Entre os dias 08 e 12 de junho, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissionais de laboratório participam de treinamento teórico e prático. Na segunda-feira, dia 8, o Auditório Fiocruz do Sertão recebe capacitação integral sobre diagnóstico, tratamento e prevenção de incapacidades. De 9 a 12, o Centro Maria Imaculada (CMI), referência regional, será palco das atividades práticas de atendimento.

Teresina registra quase 200 casos de hanseníase e mantém alta endemicidade - (Reprodução) Reprodução
Teresina registra quase 200 casos de hanseníase e mantém alta endemicidade

Além disso, a Fundação lança o Projeto Sasakawa, iniciativa que conta com apoio da Fundação Nippon, do Japão, e do Ministério da Saúde. Segundo Lana Coelho, enfermeira do Núcleo de Doenças Negligenciadas da FMS, o projeto também aposta na humanização do atendimento.

“A hanseníase tem cura, mas o preconceito e a desinformação ainda são barreiras para o diagnóstico precoce. Por isso, neste projeto, o profissional é capacitado não apenas para tratar a pele ou o nervo, mas para acolher o paciente e enfrentar o estigma social”, afirma.

Para a presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, a iniciativa coloca Teresina em destaque na vigilância em saúde. “Integramos assistência médica, educação e direitos humanos para que a capital avance rumo à eliminação da doença”, ressalta.

Onde realizar o tratamento contra hanseníase em Teresina

No Brasil, o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes podem realizar o tratamento em domicílio, com acompanhamento regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

Para situações mais complexas, a Rede de Atenção à Saúde de Teresina oferece atendimento especializado na Dermatologia do Hospital da Polícia Militar, Hospital Universitário e no Centro Maria Imaculada.

Como realizar o tratamento contra hanseníase

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento dos pacientes em unidades básicas de saúde e em referência, não sendo necessário internação.

O tratamento medicamentoso é realizado com a associação de três antimicrobianos - rifampicina, dapsona e clofazimina – a qual denominamos de Poliquimioterapia Única (PQT-U). Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequên­cia quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba impossibilitando a cura da doença.

A duração do tratamento varia de acordo com a forma clínica da doença. Para pacientes com hanseníase paucibacilar (PB) a duração é de seis meses e para pacientes com hanseníase multibacilar (MB) a duração é de doze meses.