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Piauí

Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões

Natural de Oeiras, região Sul do Piauí, o menino é o primeiro piauiense a conseguir essa medicação cara.

15/06/2026 às 12h32

Luis Henrique (07) é um paciente que tem uma doença genética rara: Distrofia Muscular de Duchenne (DMD). Dentre os principais sintomas está a perda motora, comprometendo, especialmente, a marcha. Apesar de ainda não ter cura, existe uma medicação que ajuda para que essa criança tenha uma melhor qualidade de vida, e que custa milhões. Natural de Oeiras, região Sul do Piauí, o menino é o primeiro piauiense a conseguir essa medicação cara.

A medicação, Givinostat (Duvyzat), foi entregue à família nesta segunda-feira (15), no Hospital Infantil Lucídio Portella, onde Luis Henrique realizou grande parte do seu tratamento. Ana Carolina dos Santos, mãe do menino, não escondeu a emoção ao saber que, a partir de agora, o filho terá qualidade de vida e um tratamento que o permitirá ser uma criança ativa.

O diagnóstico veio quando Luís Henrique tinha aproximadamente quatro anos. O menino realizou diversos exames, ainda em Oeiras, mas a confirmação da DMD foi dada em Teresina, quando o menino passou a ser atendido no Hospital Infantil. A família chegou a fazer uma campanha solidária nas redes sociais para tentar comprar a medicação, que, por ser muito cara, era inviável de ser custeada pela família. Sem condições de arcar com os custos, foi necessário acionar a justiça.

“Quando a advogada disse que conseguimos, eu chorei. É uma medicação cara e que não tinha condições de comprar. Hoje sou uma mãe feliz, e minha família é feliz, pois todos sofrem”, comenta.

Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões - (Érica Pessoa/ODIA) Érica Pessoa/ODIA
Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões

A diretora técnica do Hospital Infantil Lucídio Portella, Lorena Mesquita, destaca que a criança começa a apresentar sinais por volta dos quatro anos de vida, sendo a dificuldade de locomoção um dos principais alertas.

“É uma criança que começa a cair, a ter dificuldade para subir escadas, faz muito esforço para se levantar do chão. E a principal característica é a hipertrofia da panturrilha, que fica mais inchada. A doença é confirmada por diversos exames e teste genético”, explica.

A médica enfatiza que a medicação para o tratamento da Duchenne somente é fornecida a partir dos 6 anos de idade. A criança continuará a ser acompanhada após o recebimento do medicamento, especialmente com a realização de exames. “Não é somente o remédio, ele precisará de muita terapia, principalmente de fisioterapia, para que o medicamento possa ser efetivo”, lembra.

Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões - (Érica Pessoa/ODIA) Érica Pessoa/ODIA
Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões

Tratamento será realizado por tempo indeterminado

Neste primeiro momento, Luís Henrique recebeu medicamentos para seis meses de tratamento. Sem essa medicação, o menino poderia perder completamente a mobilidade. “É uma criança que, se a gente não fizer o tratamento, ele será cadeirante. Além disso, ele poderá ter outra patologias, comprometendo a parte cardíaca e pulmonar”, explica Lorena Mesquita, diretora técnica do Hospital Infantil Lucídio Portella.

A medicação será administrada via suspensão oral, duas vezes ao dia, conforme prescrição médica. Além disso, o tratamento medicamentoso será feito por tempo indeterminado, e será associado às demais atividades multifuncionais, como terapias e fisioterapias, natação, entre outros. Esses procedimentos continuarão a ser realizados em Oeiras, cidade natal da família, através de uma associação.

Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões - (Érica Pessoa/ODIA) Érica Pessoa/ODIA
Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões

Leiva Moura, diretora geral do Hospital Infantil Lucídio Portella, lembra que, como toda doença crônica e que se enquadra como rara, os pacientes acabam por desenvolver multissintomas, exigindo um acompanhamento multidisciplinar.

“Algumas medicações são curativas, outras vão ajudar o paciente, diminuindo risco de sequelas e melhorar sensivelmente a qualidade de vida dessas crianças e das famílias. O Luís Henrique é acompanhado pela ortopedia e vai passar por um procedimento cirúrgico, mas precisará de um suporte de fisioterapia, que será feito pela família no seu município”, disse.

A advogada da família, Laura Nascimento, explicou que o processo para conseguir a medicação necessária para o tratamento de Luis Henrique foi uma “batalha judicial”, uma vez que o remédio não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), embora seja aprovado por órgãos reguladores de referência internacional, como a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos. Por esse motivo, seu acesso no Brasil depende de autorização excepcional para importação ou de decisões judiciais.

Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões - (Érica Pessoa/ODIA) Érica Pessoa/ODIA
Criança piauiense com Distrofia Muscular de Duchenne recebe medicamento de R$ 3 milhões

“Foi um processo extremamente difícil. É um tratamento de altíssimo custo, de R$ 6,5 milhões por ano. Conseguimos seis meses e, quando estiver perto de acabar, pediremos outra remessa, e ficaremos solicitando por tempo indeterminado. É uma vitória muito grande e inédita de um paciente piauiense receber o Givinostat (Duvyzat)”, disse, destacando que o processo foi ajuizado em dezembro de 2025 e, cerca de seis meses depois, o medicamento já está sendo entregue à família.