A Polícia Civil do Estado do Piauí revelou nesta segunda-feira (21) que líderes de uma facção criminosa atuante na Zona Norte de Teresina, mesmo custodiados no sistema prisional estadual, planejavam retaliações e chegaram a fazer ameaças diretas ao delegado Charles de Holanda Pessoa, coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).
As investigações, formalizadas no Inquérito Policial nº 7332/2025, identificaram movimentações suspeitas dentro e fora dos presídios, envolvendo uma célula local da facção, já monitorada por ações anteriores do DRACO. Os nomes de Reginaldo José de Oliveira Sousa, conhecido como "Regin", e Antônio de Deus Pereira Neto, o "Fantasmão", aparecem como principais articuladores do plano criminoso.
Segundo a Polícia Civil, as ameaças contra o delegado foram motivadas por recentes operações que resultaram na prisão de lideranças da facção, apreensões de armamentos de grosso calibre e cerca de 40 quilos de pasta base de cocaína. As ações ofensivas teriam provocado a reação do grupo criminoso, que, mesmo sob custódia, articulava retaliações contra servidores da segurança pública.
Além de ameaças diretas ao delegado Charles Pessoa, o DRACO identificou o envolvimento de dezenas de membros da organização, incluindo indivíduos monitorados por tornozeleira eletrônica e até familiares diretos dos chefes da facção — reforçando o caráter estruturado e hierárquico do grupo.
Com base no relatório técnico e nas evidências coletadas, o delegado responsável pela investigação representou junto ao Poder Judiciário pela decretação de prisões temporárias, mandados de busca e apreensão, transferência dos líderes para presídios federais e aplicação de medidas disciplinares mais rígidas no sistema prisional.
A Polícia Civil informou ainda que medidas complementares de inteligência e segurança foram adotadas para garantir a integridade dos agentes públicos envolvidos nas investigações. Em nota, o DRACO reiterou seu compromisso com o combate ao crime organizado, a preservação da ordem pública e a proteção dos servidores que atuam na linha de frente do enfrentamento às facções criminosas no estado.