As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) operam em queda nesta segunda-feira (6), pressionadas pela desvalorização do petróleo no mercado internacional. Por volta das 10h30, os papéis eram negociados a R$ 37,65, uma retração de 1,57% em relação ao fechamento anterior, equivalente a uma perda de R$ 0,60 por ação.
O ativo abriu o pregão cotado a R$ 37,95, mesmo patamar que marcou a máxima do dia. A mínima foi registrada em R$ 37,61, evidenciando uma sessão de pressão vendedora desde os primeiros minutos de negociação. O movimento reflete diretamente a correlação entre as ações da estatal e as cotações da commodity no mercado global.
Petróleo Brent recua com normalização da oferta no Oriente Médio
O petróleo Brent, referência internacional para precificação da commodity, opera em queda nesta segunda-feira, sendo negociado próximo a US$ 71,92 por barril. A cotação representa os menores níveis desde antes do conflito no Oriente Médio, que eclodiu em fevereiro deste ano e chegou a impulsionar os preços acima de US$ 126 por barril em abril.
A pressão sobre os preços do petróleo intensificou-se após a OPEC+ confirmar, no último domingo, um novo aumento de produção de 188 mil barris por dia a partir de agosto. A decisão foi tomada em reunião virtual pelos sete países participantes do acordo: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. Este é o quinto mês consecutivo em que a aliança amplia a oferta global da commodity.
Além disso, o transporte comercial pelo Estreito de Ormuz continua a se recuperar em meio ao progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã. As exportações de petróleo da Arábia Saudita já recuperaram cerca de 90% dos níveis pré-guerra, enquanto os Emirados Árabes Unidos restauraram suas exportações para mais de 3,9 milhões de barris por dia.
Contexto fundamentalista da Petrobras permanece sólido
Apesar da pressão de curto prazo sobre as ações da PETR4, os fundamentos da companhia seguem robustos. A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando as expectativas do mercado. A estatal também anunciou dividendos de R$ 9,03 bilhões referentes ao período.
A petroleira foi responsável por R$ 110,6 bilhões dos R$ 169,4 bilhões em lucros obtidos pelas 44 estatais federais em 2025, representando cerca de 65% do resultado total. Os investimentos da companhia no primeiro trimestre de 2026 alcançaram R$ 26,8 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou recentemente que a Petrobras retomará a importação de diesel em julho, após três meses sem compras externas. A executiva destacou que a companhia está próxima de atingir a marca de 3 milhões de barris de petróleo produzidos por dia.
Perspectivas para PETR4 no segundo semestre
A PETR4 permanece entre as ações mais recomendadas por analistas para o mês de julho. Casas como BTG Pactual, Ágora, Genial e BB Investimentos mantêm a petroleira em suas carteiras recomendadas, destacando a qualidade do petróleo do pré-sal e a geração de caixa consistente da companhia.
No acumulado de 2026, as ações da Petrobras apresentam valorização expressiva, tendo iniciado o ano na casa dos R$ 30,36. O dividend yield dos últimos 12 meses está em aproximadamente 6,90%, reforçando a atratividade do papel para investidores focados em renda.
O cenário para as ações da estatal permanece atrelado à evolução dos preços do petróleo e aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. A normalização das exportações na região e o avanço das negociações entre EUA e Irã tendem a manter pressão sobre as cotações da commodity no curto prazo, impactando diretamente o desempenho da PETR4 na B3.