
De 13 a 17 de junho o Humanitas Grupo de Teatrocomemora 16 anos de fazer artístico-cultural. A programação de aniversário abre com a exposição 16 ANOS DE AR, dia 13 de junho, às 19h, na Galeria do Clube dos Diários. Lá você poderá apreciar figurinos, matérias, adereços e fotografias - enfim - a história do grupo em imagens. A exposição fica aberta à visitação até o dia 17 de junho.

Dia 16 teremos a reapresentação do espetáculo MEU ÚLTIMO AMOR ACABOU ANTES DE ONTEM (19h, TEATRO TORQUATO NETO – Galeria do Clube dos Diários). A peça, que tem a direção e texto assinados por Júnior Marks, conta de forma humorada as desventuras dos últimos relacionamentos amorosos de Celma, Sônia, Lune e Fabrício. Um dos principais espectadores das narrativas amorosas dos amigos universitários é o Garçom do Giro Center, point de encontro desses quatro amigos inseparáveis. A peça estreou em 2003 passou dez anos em cartaz, rendendo à Companhia notoriedade e prêmios.

E dia 17 de junho, 19h, teremos o monólogo QUANDO O AMOR É ASSIM E NÃO ASSADO, com texto e atuação de Júnior Marks (TEATRO TORQUATO NETO – Galeria do Clube dos Diários). Dirigida por Luciano Brandão, a montagem conta a primeira experiência amorosa de Neto, com uma pessoa do mesmo sexo – Hiago. Todo o enredo tem como pano de fundo o ambiente escolar onde eles se conheceram. O espetáculo já recebeu elogios da crítica paulista, maranhense e piauiense. Em 2016, recebeu Prêmio Destaque de Texto Original no VI Festival de Monólogos Teatro e Dança / Solos Brasileiros, produzido e realizado pela Cia Palma Produções Artísticas em Fortaleza-Ceará. E, ainda nessa data, teremos, às 21h, o encerramento da programação com direito a toda a irreverência, picardia e muita animação do DE ÚLTIMA POCKET SHOW: MÚSICAS DE PRIMEIRA PARA INTÉRPRETES DE ÚLTIMA, espetáculo músico-teatral assinado pelo Coletivo Piauhy Estúdio das Artes.

Mas se você pensa que para por aí a programação, está completamente enganado porque O NOVO SEMPRE VEM. E quem chega, com saber de quebra de paradigmas, de mergulho na alma humana em seus mais secretos segredos e desejos, mais íntimas vontades e vaidades é a nova montagem assinada pelo Humanitas Grupo de Teatro. Na programação do dia 14 de junho, às 19h, no palco do Theatro 4 de Setembro, você vai conferir a estreia nacional do espetáculo AS SETE IRMÃS, do cearense Walden Luiz Bezerra.

São sete irmãs, sete mulheres, sete vidas que se encontram num mesmo espaço físico e social e que dialogam entre si suas idiossincrasias, suas particularidades, qualidades ou defeitos dependendo do olhar de quem vê. Dia 14 você vai mergulhar nessa atmosfera.

Irmã Angélica, é austera, controladora, mas tem lá as suas vaidades e suas memórias que são atiçadas à medida que cada irmã vai se expondo. Felícia, a inquisidora, implacável – no entanto ao destilar sua fúria contra “os maus pensamentos” das colegas acaba por mergulhar no poço escuro de suas lembranças e o que as palavras dizem nem sempre são o que o olho, o corpo mostra.

Irmã Dulcina, a controladora, a dona da chave. Gaba-se por ser correta, elegante, mantém certo ar de imponência. Mas é claro que o recolhimento coletivo, onde se tem olhos o tempo inteiro, acaba revelando certas intimidades mesmo que a razão teime em esconder. O alvo preferido de Dulcina, em desejo quase febril de manter a ordem, é a Irmã Glória, uma mulher que vive em abstinência alimentar, sempre buscando algo para comer, à espera das festas - quando pode comer à vontade, sem o assédio moral de Dulcina. Que fome é essa que Irmã Glória busca a todo custo saciar é o que fica no ar, afinal de contas sua gula beira à compulsão e isso pode ser uma nítida válvula de escape de outros desejos, outras vontades.

Irmã Celeste, cozinheira de mão cheia, traz na pele marcas muito fortes de constrangimento social e isso lhe dar um ar meio rude. Há uma questão mal resolvida com Felícia, estão sempre envoltas em discussões. Celeste parece ter autoestima baixa por conta de tais memórias e Felícia, sabedora disso, usa da informação para agredir Celeste, constrangê-la. Mas a irmã cozinheira também tem suas informações sobre Felícia e uma hora, é claro, tudo isso vem à tona.

Excélcia é a mais quieta. Supersticiosa – e ao mesmo tempo ácida – tem sempre uma resposta pronta e nem sempre “simpática”. Aparentemente, seu histórico sócio-familiar não revela qualquer “desvio de comportamento”. Contudo, por conta de suas superstições, é alvo da ira da Irmã Angélica
A caçula de todas elas, Irmã Benigna, é a respiração dramatúrgica, a costura do espetáculo. Por ser a Irmã mais nova, traz consigo o mundo do lado de fora do convento e expõe isso abertamente com uma ingenuidade que beira à perversão pras outras irmãs que, ao tempo que a reprimem por seu jeito tão estabanado e inconsequente, sentem acesas todas as suas memórias, memórias estas que elas lutam diariamente para apagá-las.
Assim, o texto AS SETE IRMÃS traz à tona essas mulheres que se dedicaram à vida religiosa e em determinado momento de suas vidas, como num ciclo de ondas, seus desejos reprimidos, suas vontades insaciadas, seu traumas não resolvidos – todos postos de lado por vontade própria ou por imposição familiar e mesmo até da sociedade - voltam. E como lidar com tudo isso e manter-se fiel ao compromisso religioso? Como administrar essa avalanche de sentimentos tão contraditórios? O que é pecado? O que é ser livre? E como ser pleno e de Deus sendo de si mesmo?
A grande sacada do dramaturgo Walden Luiz é não fazer julgamentos, mas apenas expor a alma dessas mulheres – e por que não dizer, do ser humano - e deixar em aberto para que você, expectador, reflita e construa o seu pensamento. O dia já sabe, né? 14 de junho, 19h, no Theatro 4 de Setembro.
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Edição: Lucas Stefano
Por: Lucas Stefano