Extroversão e agressividade podem ser indicativos de abuso sexual infantil

Ao passar por um caso de abuso sexual, a criança irá apresentar mudanças no comportamento, como alterações no humor.

30/08/2020 14:27h - Atualizado em 31/08/2020 09:13h

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Letícia* foi vítima de abuso sexual infantil dos quatro aos dez anos. O agressor foi o seu próprio tio. Hoje, ela consegue perceber que mesmo com medo de contar para os pais sobre o ocorrido, os sinais do abuso sexual poderiam ter sido percebidos pelos familiares próximos. 

 "Por duas vezes durante a infância cheguei a ter doenças sexualmente transmissíveis, que foram associadas a outras coisas que não ao abuso"

“Eu era uma criança inquieta e agressiva. Por duas vezes durante a infância cheguei a ter doenças sexualmente transmissíveis, que foram associadas a outras coisas que não ao abuso. Apesar disso, nenhum adulto me perguntou se tinha algo de errado acontecendo ou me fez me sentir segura o suficiente para falar sobre o que se passava”, relata.


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Segundo a psicóloga Lilyane Moura, esses sinais que devem observados pelos pais ou responsáveis pela criança, uma vez que ao passar por um caso de abuso sexual, a criança irá apresentar mudanças no comportamento, como alterações no humor, que podem se dar a partir da introversão ou de uma extroversão imediata da vítima.

Foto: Getty Images

"Pode ser uma agressividade repentina ou uma vergonha excessiva, ou ainda medo ou pânico de alguma coisa, situação ou pessoa, e essa alteração costuma ser de maneira imediata e inesperada. A gente percebe a mudança na criança, quem convive com ela percebe a mudança de comportamento. Em quase todos os casos a criança vai tentar manifestar da sua própria maneira, do seu próprio jeito. Então é importante fazer com que ela se sinta ouvida, acolhida, sem questionar", destaca.

"Em quase todos os casos a criança vai tentar manifestar da sua própria maneira, do seu próprio jeito"

Ao perceber os primeiros sinais na mudança de comportamento da criança, os pais devem acolher a vítima, fazer com que a criança se sinta em um ambiente seguro para conversar e falar sobre o que aconteceu. "Muitas vezes os pais recorrem ao atendimento psicológico por conta disso, porque a gente tem as ferramentas para identificar melhor isso, porque a criança vai precisar de um ambiente seguro em que ela não seja julgada", afirma a psicóloga.

Pais devem ficar atentos aos sinais

Além da mudança de comportamento das vítimas, outros sinais podem ser observados pelos pais ou responsáveis por crianças vítimas de abuso. Segundo a ONG Childhoob Brasil, em quase todos os casos a vítima tenta se manifestar da sua própria maneira. Por isso, é importante que os pais, familiares ou professores, fiquem atentos a alguns comportamentos como:

1. Proximidades excessivas

A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma ganhar a confiança fazendo com que ela se cale.

2. Comportamentos infantis repentinos

É importante observar as características de relacionamento social da criança. Se o jovem voltar a ter comportamentos infantis, os quais já abandonou anteriormente, é um indicativo de que algo esteja errado. A criança e o adolescente sempre avisam, mas na maioria das vezes não de forma verbal.

3. Silêncio predominante

Para manter a vítima em silêncio, o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens. É normal também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de material para construir uma boa relação com a vítima. É essencial explicar à criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com pessoas de confiança, como o pai e a mãe, por exemplo.

4. Mudanças de hábito súbitas

Uma criança vítima de violência, abuso ou exploração também apresenta alterações de hábito repentinas. O sono, falta de concentração, aparência descuidada, entre outros, são indicativos de que algo está errado.

5. Comportamentos sexuais

Crianças que apresentam um interesse por questões sexuais ou que façam brincadeiras de cunho sexual e usam palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas podem estar indicando uma situação de abuso.

6. Traumatismos físicos

Os vestígios mais óbvios de violência sexual em menores de idade são questões físicas como marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Essas são as principais manifestações que podem ser usadas como provas à Justiça.

7. Enfermidades psicossomáticas

Unidas aos traumatismos físicos, enfermidades psicossomáticas também podem ser sinais de abuso. São problemas de saúde, sem aparente causa clínica, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional.

8. Negligência

Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência. Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família estará em situação de maior vulnerabilidade.

9. Frequência escolar

Observar queda injustificada na frequência escolar ou baixo rendimento causado por dificuldade de concentração e aprendizagem. Outro ponto a estar atento é a pouca participação em atividades escolares e a tendência de isolamento social.

*Nome fictício usado para proteger a identidade da entrevistada.

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Por: Nathalia Amaral

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