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Piauí pode ter sensações térmicas de até 71º C e se tornar inabitável em 50 anos

Projeção feita pela NASA leva em consideração as mudanças climáticas, que podem provocar ondas de calor extremo em várias partes do mundo, incluindo regiões brasileiras.

24/07/2024 às 11h52

24/07/2024 às 13h49

Um estudo da NASA, que apontou o Brasil como um dos países que podem ter regiões inabitáveis em 50 anos, chamou a atenção dos piauienses porque de acordo com a pesquisa, por aqui, as sensações térmicas poderão chegar até os 71º C, devido as ondas de calor extremo. O Piauí também está na lista das áreas que se tornariam inabitáveis ao ser humano por conta das temperaturas extremas. O estudo com os dados é denominado "The emergence of heat and humidity too severe for human tolerance" e foi publicado em 2020.

Ondas de calor extremo poderão causar sensação térmica de até 71º e tornar Piauí inabitável em 50 anos - (Jaílson Soares / O DIA) Jaílson Soares / O DIA
Ondas de calor extremo poderão causar sensação térmica de até 71º e tornar Piauí inabitável em 50 anos

Quem explica esta previsão preocupante é Sarah Cardoso, climatologista da Semarh. Em entrevista ao Portal O Dia, Sarah afirma que os estudos levam em consideração o aumento da temperatura, causado pelas mudanças climáticas, e a umidade do ar. Esta combinação pode, em cerca de 50 anos, levar aos índices de sensação térmica extrema no Piauí e em outras regiões do mundo.

“A NASA observou que em algumas áreas do planeta em momentos de calor extremo, o termômetro de bulbo úmido – que é um termômetro que tem uma água com algodão dentro e consegue mensurar nossa sensação térmica", detalha Sarah Cardoso. Ela explica que o equipamento simula a sensação térmica humana e é diferente do termômetro comum, que mede apenas a temperatura do ar.

Segundo os estudos, quando vermos o termômetro de bulbo atingindo 35º C e tivermos uma condição de umidade de 50%, a sensação térmica que o corpo vai sentir é de 71°. E não temos condição de suportar este calor extremo. Porque quando estamos em calor extremo e com muita umidade, o corpo humano esquenta muito por dentro e não consegue se resfriar

Sarah CardosoClimatologista Semarh
Regiões do mundo podem sofrer com ondas de calor extremo e ficarem inabitáveis. - (Freepik) Freepik
Regiões do mundo podem sofrer com ondas de calor extremo e ficarem inabitáveis.

O suor é a reação natural do corpo a uma situação de calor excessivo. Sua principal função é auxiliar na manutenção da temperatura corporal, que quando está normal, é de 36,5°. Com a temperatura de bulbo úmido a 35º C, esse mecanismo de termorregulação perde a sua eficácia e o suor não consegue evaporar de forma suficiente para regular a temperatura corporal.

"Só que quando há calor extremo e muita umidade, a gente não consegue suar, os órgãos entram em colapso e a pessoa morre. Mesmo quem não tem nenhuma comorbidade", complementa a climatologista.

O Brasil é só uma das cinco regiões que podem ficar sem água em 50 anos por causa da crise climática provocada pelo desmatamento, pela urbanização e emissão de gases poluentes nas áreas mais populosas do país e devido à desertificação e falta de água.

Outras regiões citadas no estudo no mundo são: o Sul da Ásia, incluindo países como Índia, Paquistão e Bangladesh; Golfo Pérsico, abrangendo países como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos; Nordeste da China, uma das regiões mais populosas do planeta; Partes do Sudeste Asiático, incluindo Tailândia, Vietnã e Filipinas.

22 de Julho de 2024 foi o dia mais quente da história recente

Conforme previsto, os dados preliminares do Copernicus Climate ERA5 mostram que segunda-feira, 22 de julho, foi o dia mais quente da história recente. A data bateu novo recorde diário de temperatura média global. As altas temperaturas foram sentidas principalmente no hemisfério norte e são uma evidência do aumento dos termômetros em todo o mundo.

22 de julho, dia mais quente da história recente do mundo. - (Reprodução) Reprodução
22 de julho, dia mais quente da história recente do mundo.

Outro marco preocupante foi registrado em junho deste ano: junho de 2024 foi o mais quente já registrado na história. Junho foi o 13º mês consecutivo em que a temperatura média global bateu recordes, segundo dados da Agência Climática Copernicus, uma instituição europeia especializada no monitoramento das mudanças climáticas.

O professor Rafael Marques, Mestre em Estudos Regionais e Geoambientais e doutorando em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais, explica que a temperatura média dos últimos meses foi 1,5 °C acima da média da era pré-industrial. Em termos simples, isso significa que o planeta está consistentemente mais quente do que era antes da Revolução Industrial, que começou no final do século XVIII.


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