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Adolescente é apreendido planejando massacre em escola de Teresina

Um adolescente de 16 anos foi apreendido na tarde desta terça-feira (14) em Teresina suspeito de planejar um massacre em uma escola pública na capital. No celular dele, a polícia encontrou conversas em um aplicativo de mensagens sobre aquisição de armamento e com o planejamento da ação.

Maria Clara Estrêla/O Dia
Adolescente é apreendido planejando massacre em escola de Teresina

A investigação foi aberta depois que o adolescente publicou mensagens nas redes sociais falando sobre a intenção promover um ataque na escola que frequenta. A direção da instituição viu a publicação e acionou a polícia. O que chama a atenção é que o mesmo adolescente já havia sido apreendido duas vezes pelo mesmo ato infracional.

A apreensão foi efetuada pelo 22º Distrito Policial de Teresina, coordenado pelo delegado Eduardo Aquino.

Adolescente já havia sido apreendido em março e foi liberado

Em março deste ano, o adolescente postou nas redes sociais mensagens ameaçando fazer um ataque à escola onde estuda. As mensagens foram vistas pela diretoria da unidade de ensino, que acionou a Polícia Militar. Ao chegarem ao local, os PM’s fizeram uma busca nos pertences do adolescente e encontraram em sua mochila uma faca e uma balalclava.

Ao ser questionado sobre a origem do material e o que faria com ele, o jovem confirmou que iria promover um ataque na escola. “Imediatamente ele foi conduzido para a Central de Flagrantes e a autoridade policial realizou a apreensão, colocando-o à disposição do Ministério Público e do Judiciário da Infância e da Juventude. Ao ser colocado em audiência, ele acabou recebendo uma remissão sem qualquer aprofundamento das investigações”, relatou o delegado Eduardo Aquino.

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Delegado Eduardo Aquino, titular do 22º Distrito Policial de Teresina

Diante da gravidade dos fatos, ele disse que aprofundou as investigações e intimou os pais do adolescente a prestarem esclarecimentos na delegacia. Eduardo Aquino conta que a partir dos relatos dele, ficou claro que o jovem apresentava um comportamento inadequado para a coletividade.

“Ali mesmo eu procedi com a apreensão dos celulares tanto dele quanto da mãe e pedi autorização para que pudesse ser feita a extração dos dados. Iniciada esta extração, realmente nos chocamos com todo o conteúdo que era tratado por ele na Deep Web e no TikTok. Havia dezenas de conversas com outra pessoa, que ainda estamos identificando, planejando um atentado”, explicou o delegado.

Autor do atentado em Suzano era ídolo do adolescente

No celular do adolescente a polícia encontrou pesquisas por armas de fogo, conversas em que ele informa como iria proceder e uma em que ele marca o dia do ataque. Um detalhe chamou a atenção da polícia: o fato de o jovem ter bastante interesse no massacre ocorrido no Massacre de Suzano, que ocorreu em março de 2019. Na ocasião, dois ex-alunos invadiram armados a Escola Estadual Raul Brasil e mataram cinco estudantes, além do proprietário de uma loja próxima. Os dois tiraram a própria vida depois.

Segundo o delegado Eduardo Aquino, o nome que o adolescente apreendido em Teresina utilizava nas redes sociais era o sobrenome de um dos autores do Massacre de Suzano: Taucci (referente a Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos). “Ele fez vídeos zombando e sorrindo das vítimas. É de extrema gravidade isso e precisa de uma intervenção do Estado”, pontuou o delegado.

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Delegado Eduardo Aquino, titular do 22º Distrito Policial de Teresina

Ele pediu, então, que a família do jovem procurasse o CAPS para fazer acompanhamento e conversou com a diretora da escola que ele frequenta. Foi solicitado um relatório e de março até o começo de julho, o adolescente vinha sendo acompanhado. Mas há duas semanas, a polícia tomou conhecimento de que ele manifestou novamente interesse em fazer a execução de pessoas na escola.

“Corremos com o pedido de apreensão e cumprimos hoje. Eu já vinha também pedindo a abertura de uma análise de sanidade mental para quer a questão psicológica, mas diante dos novos fatos e do perigo atual, representamos pela apreensão.

Retaliação por bullying

Ainda segundo o delegado, o planejamento do massacre não se configura exatamente como um crime de ódio, ao menos no caso do adolescente. Na verdade, a polícia apurou que ele planejava o ataque em retaliação ao bullying que vinha sofrendo há anos na escola por parte de colegas. “Isso foi acumulando até que gerou esta situação extrema de ele ter ódio a ponto de querer matar e tirar a vida tanto de alunos quanto de professores”, diz o delegado.

Não é brincadeira

O delegado Eduardo Aquino reiterou que o caso do adolescente não é apenas um rompante ou brincadeira inofensiva. Mas que se trata do planejamento e cometimento de uma série de crimes. No caso dele, por ser menor de idade, a legislação brasileira trata como atos infracionais cujas penas previstas são balizadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ele faz um apelo para que os pais e familiares fiquem atentos ao que os filhos acessam nas redes sociais. “Isso não é brincadeira. No caso deste rapaz é concretamente comprovado que ele planejava um massacre e vinha buscando meios de cometê-lo. Advertimos as pessoas para que tenham cuidado com o que seus filhos, crianças e adolescentes que passam o dia inteiro em telas, consomem. Para que possam ter um controle maior e evitar este tipo de situação”, diz.