Os candidatos a cargos públicos estão cada vez mais utilizando os nomes de suas respectivas profissões na urna para tentar conquistar o eleitorado. A reportagem de O DIA analisou os registros de candidatura daqueles que pleiteiam cargos públicos nas próximas eleições e constatou que 67 candidatos no Piauí figuram na urna com nomes que remetem à categoria profissional a qual pertencem.
De acordo com as normas eleitorais do TSE, o nome de um candidato pode ser um “prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual o candidato mais é conhecido”, devendo ter no máximo 30 caracteres e não deixar dúvida quanto à identidade do candidato, nem atentar ao pudor.

Mais de 60 candidatos utilizam nomes de profissão na urna eletrônica. (Foto: Arquivo O Dia)
Aqui no Piauí 20 candidatos se apresentam com nomes de patente, seja ela na Polícia Civil ou na Polícia Militar; 13 se apresentam como professores ou profissionais com carreira no magistério; 15 com a titulação ‘Doutor’; 10 com nomes religiosos como missionário, pastor e apóstolo; e 12 com nomes de outras profissões, como comerciantes, empresários ou nomes fazendo alusão a estabelecimentos comerciais, como Nenem Calçados, Toinho Dufrango, Joãozinho Unimagem da Parnaíba e Suzi Sex Shop.
De acordo com a comunicóloga e mestra em análise de discursos Denise Moura, quando os candidatos usam sua posição social para se apresentar ao eleitor, eles querem enfatizar seus lugares de fala e com isso construir uma imagem de confiança, respeito e credibilidade.
“Quando você planeja seu discurso, você tem em mente o seu destinatário e o que você quer passar para ele. Ao se apresentar como ‘pastor’, por exemplo, ele diz que você pode confiar nele que ele vai defender os interesses religiosos. Se ele diz que é médico, diz também que sua prioridade é a saúde e tem conhecimento da área, podendo lutar por ela. Na verdade, o que eles querem é marcar bem seus lugares de fala para embasarem seus discursos e conquistar adeptos. Querem vender uma imagem e uma reputação credível”, discorre.
Nomes incomuns também ganham espaço
Além daqueles com nomes de profissões, também ganham destaque nas eleições os candidatos que se apresentam com nomes incomuns na urna. O levantamento da reportagem de O Dia junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que 10 candidatos no Piauí possuem registro de candidatura com nomes incomuns e diferentes dos seus nomes verdadeiros.
Foram identificados candidatos do PSOL, PRP, MDB, AVANTE, DC, PHS, PT e PSC. Dentre eles, oito são homens e duas são mulheres. Um deles é Francisco das Chagas Costa Oliveira, mais conhecido como Quem-Quem, que disputa o cargo de senador pelo AVANTE. Em entrevista a O Dia, ele explica que o nome não foi previamente pensado, mas que acabou pegando.
“Quando eu fui candidato a prefeito da primeira vez, eu disse ‘se tem Lula, FHC, Carbureto, Mão Santa, por que não ter um Quem-Quem?’ Então me perguntaram quem era Quem-Quem e eu disse que era quem ia colocar a vida do cidadão em ordem. Isso acabou virando um bordão, pegando e o nome foi adotado oficialmente”, disse o candidato.
Dentre os nomes incomuns presentes nas urnas, estão ‘Vai Vai Lucivan Ahhh’, do candidato Lucivan da Silva Paz (PHS); Robin Colorado, do candidato Rogério Tenório da Silva (PSC), Tempero, do candidato Antônio Fernandes da Silva (PRP) e Bilu, do candidato Claudemir Rezende Barros (MDB).
Confira abaixo os candidatos com nomes incomuns que figurarão na urna nas próximas eleições no Piauí.
Fonte: Maria Clara Estrêla e Ithyara Borges