Quem depende do transporte público em Teresina está acostumado com a demora na espera para ir e vir. O setor vive uma das maiores crises da história, com a baixa quantidade de ônibus para atender à população, veículos sucateados e até mesmo a ausência total de coletivos em determinados dias da semana. Moradores da zona Sul, por exemplo, relatam que seus bairros ficam totalmente sem ônibus aos domingos e que quem tenta sair só tem duas alternativas: aplicativos de carona ou ficar em casa.
Pelo menos 17 bairros da zona Sul ficam sem ônibus aos finais de semana, principalmente aos domingos. O dado foi obtido pela reportagem do Portalodia.com em levantamento feito junto ao Sintetro (Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transporte Rodoviário de Teresina).
“Durante a semana o ônibus aqui só faz três viagens e no final de semana ele some completamente. Fora que só tem duas linhas atendendo a gente. Para um bairro que tinha tanto ônibus toda hora do dia, é uma falta de respeito com quem precisa”, desabafa Priscila Gomes, estudante e moradora do bairro Saci.
O Saci, que antes era atendido por cinco linhas de ônibus, hoje tem uma única linha para atender à população. Quem morava no bairro tinha acesso às linhas Saci-Miguel Rosa-Centro, Saci-Miguel Rosa-Shopping, Saci-Barão, Saci-Universidade e Santa Fé-Avenida Maranhão-Centro. Hoje, apenas a linha Saci-Shopping circula no bairro.
Outro bairro que também fica desassistido por ônibus aos finais de semana é o Parque Piauí. Quem mora no conjunto relata que aos domingos, há total ausência de coletivos e que no próprio aplicativo da Prefeitura, o SIU Mobile, não aparecem ônibus para a região. “É um grande transtorno para os moradores e trabalhadores que precisam se deslocar. Somos obrigados a caminhar longas distâncias ou gastar com transporte por aplicativo, que nem todos podem pagar”, denunciou um morador, que preferiu não ser identificado.
Morador do Parque Piauí, ele solicita do Setut e da própria Prefeitura providências para garantir a circulação de ônibus aos domingos pela avenida principal do Parque Piauí.
De acordo com o Sintetro atualmente cada consórcio está rodando com uma média de 40 carros, mas nem todos chegam a este volume. Teresina tem quatro consórcios atuando por zona: Therezina (Sudeste), Urbanus (Leste), Poty (Norte) e Empresa Transcol (Sul). Com cerca de 40 carros cada, a média de ônibus circulando diariamente pela cidade é de 160.
Mas a ordem de serviço da Strans prevê pelo menos 213 ônibus, segundo informou o Sintetro. Mas para chegar a este valor, cada consórcio deveria operar com pelo menos 54 carros. No atual momento, a frota em circulação em Teresina tem 50 ônibus a menos do que a Prefeitura determinou.
Outro problema que Antônio Cardoso cita são as vans do transporte alternativo, que eram 27 no início de 2024 e hoje são apenas 14. Elas fazem um percurso diferente dos ônibus convencionais, cobrindo partes do percurso que eles não cobrem. Mas, segundo o sindicato, elas não são fiscalizadas pela Strans e “rodam só quando querem”.
Zona Sul é a mais crítica aos finais de semana
A falta de ônibus é um problema generalizado em Teresina, mas algumas regiões têm apresentado uma situação mais preocupante. Bairros populosos das zonas Sul, por exemplo, têm ficado completamente desassistidos pelo transporte público aos domingos e isso está relacionado com a falta de uma fiscalização mais eficiente por parte do poder público sobre as empresas que executam as ordens de serviço.
Levantamento feito pela Sintetro revela quais bairros da zona Sul estão em situação crítica para a falta de ônibus aos finais de semana. São eles:
- Bela Vista
- Lourival Parente
- Parque Piauí
- Saci
- Três Andares
- Redenção
- Parque Sul
- Nova Alegria
- Vamos Ver o Sol
- Mário Covas
- Santa Fé
- São Pedro
- Parque São João
- Dagmar Mazza
- Vila São Francisco
- Promorar
- Morada Nova
Bairros como o Angelim, que é o mais populoso de Teresina segundo o IBGE, contam com apenas uma linha circulando aos finais de semana. É o mesmo caso de regiões como Parque Jurema, Jardim Europa e Pedro Balzi, na zona Sudeste. “No Parque Jurema fica só a linha São Cristóvão. As linhas do Jardim Europa, que eram para ter três carros, só fica um, que é o da Miguel Rosa. No Pedro Balzi fica apenas uma linha também. E olha que as zonas Sul e Sudeste são duas das mais populosas da cidade”, afirma Cardoso.
Quem verifica os horários e a quantidade de ônibus por linha em cada bairro são os fiscais da Strans que ficam nos terminais. Mas, de acordo com o Sintetro, não há fiscais do órgão trabalhando aos finais de semana. O expediente deles, segundo Cardoso, é de segunda a sexta, de manhã até a noite; e aos sábados, até as 13h. Mas aos domingos, eles não dão expediente. “Isso dá margem para que as empresas façam o que bem entenderem. Elas podem tirar ônibus, diminuir os carros, mexer nos horários, porque não tem fiscalização do poder público nesse dia”, diz.
O outro lado
O Portalodia.com entrou em contato com o Setut para questionar a falta de ônibus nos bairros. A entidade disse que quem fiscaliza essa questão é a Strans. A reportagem procurou a Strans e aguarda um retorno por parte do órgão. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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