O Hospital São Marcos segue aguardando uma solução para o financiamento dos serviços oncológicos prestados à população. Durante a Sessão Solene em homenagem aos 100 anos de nascimento do médico Alcenor Barbosa de Almeida, realizada nesta segunda-feira (13), o diretor-geral da unidade, Gustavo Almeida, voltou a defender a ampliação dos recursos destinados ao tratamento de pacientes com câncer.
Segundo o gestor, o hospital enfrenta há anos um cenário de subfinanciamento e não consegue mais absorver sozinho os custos da assistência oncológica. De acordo com ele, os valores atualmente repassados não acompanham o aumento da demanda nem a evolução dos custos dos tratamentos. “Estamos há muito tempo tentando isso e esperamos que agora se consiga. Que os três entes da Federação resolvam acabar com esse subfinanciamento, porque a gente não tem condições de bancar toda a oncologia com um financiamento tão baixo”, declarou.
Gustavo Almeida afirmou ainda que a instituição aguardava, desde o início deste ano, a efetivação de um aumento nos repasses para a oncologia. Segundo ele, um contrato prevendo a ampliação do financiamento foi assinado anteriormente, mas a medida ainda não foi cumprida. "Nós já contávamos com isso a partir de janeiro. Desde o ano passado, inclusive, assinamos um contrato já no final do ano passado, no qual estava previsto esse aumento no financiamento", disse.
De acordo com o diretor-geral, o São Marcos reivindica um acréscimo de R$ 4,2 milhões nos recursos destinados ao atendimento oncológico. Segundo ele, o valor permitiria ampliar a capacidade de atendimento e reduzir o déficit enfrentado pela instituição. Também durante a solenidade, o diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, reforçou que a instituição sustenta há anos a existência de um descompasso entre os custos dos tratamentos e os valores recebidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Houve o reconhecimento público de que o São Marcos realmente é subfinanciado. Isso é uma coisa que nós alegamos há anos”, afirmou.
Segundo Marcelo, a discussão envolvendo o hospital é exclusivamente técnica e está relacionada ao financiamento da assistência prestada aos pacientes oncológicos. Ele destacou que a unidade permanece como prestadora de serviços do SUS e aguarda o resultado das negociações envolvendo os órgãos responsáveis pelo custeio da saúde.“O São Marcos é um prestador de serviços contratado pelo SUS. A nossa discussão é técnica. O custo do tratamento oncológico hoje é muito superior ao que o hospital recebe”, declarou.
Entenda a situação
No início deste mês, o Hospital São Marcos anunciou a suspensão de novos atendimentos oncológicos, tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para pacientes particulares. A direção da unidade atribuiu a medida às dificuldades financeiras enfrentadas pelo hospital e ao que classifica como subfinanciamento dos serviços de oncologia.
Apesar da suspensão de novas admissões, o hospital informou que os pacientes que já estavam em tratamento continuam recebendo assistência normalmente. A instituição defende a ampliação dos repasses para a área e também busca alternativas de financiamento para manter a sustentabilidade dos serviços.
Em resposta à situação, o Governo do Piauí e a Prefeitura de Teresina afirmaram que os repasses destinados ao Hospital São Marcos estão sendo realizados regularmente, dentro das atribuições de cada ente. As gestões estadual e municipal também informaram que mantêm diálogo com a direção do hospital e com o Ministério da Saúde para buscar uma solução que garanta a continuidade da assistência oncológica à população.