O que os 100% de aproveitamento do Brasil nas Eliminatórias representam

Brasil e Uruguai se enfrentaram no dia 17 de novembro, em Montevidéu pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

20/11/2020 09:59h

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No dia 17 de novembro o Brasil fez seu último jogo do ano, quando derrotou por 2 x 0 o Uruguai em Montevidéu pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. Uma vitória sobre o Uruguai em pleno Estádio Olímpico é algo digno de nota por si só, mas o mais importante a se destacar aqui é o fato de que esta foi a quarta vitória da Canarinho nos seus quatro jogos nas atuais Eliminatórias. Isso faz com que a seleção brasileira seja a única com 100% de aproveitamento num torneio que, por mais previsível que às vezes possa parecer, sempre oferece surpresas.


Fonte: Pixabay

Pode-se argumentar que o placar final dessa última vitória brasileira foi um tanto enganoso por conta das duas bolas que o Uruguai colocou no travessão defendido por Ederson. Por outro lado, seria difícil negar a superioridade brasileira dentro de campo, e é por isso que, pouco depois desse jogo, a visita a determinados sites que oferecem dicas de apostas  esportivas mostrava que a seleção dirigida por Tite aparecia como a mais cotada para vencer a próxima Copa do Mundo: o retorno oferecido então era de 5.5, contra um retorno de 6.0 oferecido pelo título da França, a atual campeã. A tradicional Argentina, por exemplo, aparece apenas em quinto na preferência dos prognosticadores, com um retorno de 9.0.

Daí se pode depreender que as críticas à seleção brasileira partem, muitas vezes, de uma expectativa irrealista: a de que a Canarinho deve não só vencer como encantar sempre, não importa contra qual adversário. No entanto, isso é algo que nenhuma seleção se mostra capaz de fazer. No mesmo dia do encontro entre Brasil e Uruguai ocorreram dois resultados que chocaram o mundo do futebol. Em Quito, o Equador aplicou uma goleada de 6 x 1 sobre a Colômbia – até então tida como uma equipe tão ou mais competitiva do que o Uruguai. Já em Sevilha, a Espanha aplicou 6 x 0 na Alemanha – que, por sinal, é a terceira seleção mais cotada para vencer o próximo Mundial, à frente da própria Espanha.

Pode-se dizer o que for a respeito de Tite, mas, enquanto o gaúcho for técnico da seleção brasileira, será praticamente impossível ver o time levar uma goleada como essas. Em 52 jogos sob seu comando, o Brasil nunca levou mais de dois gols em uma mesma partida, tendo tomado dois gols em apenas três ocasiões. O problema é que uma dessas ocasiões foi num dos piores momentos possíveis: nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, o Brasil perdeu por 2 x 1 para a Bélgica. Por mais qualificado que fosse o adversário, pareceu inaceitável ver o Brasil sendo eliminado por uma equipe que até hoje sequer chegou a uma final de Copa do Mundo.

Uma crítica como a que foi feita no parágrafo acima faz todo o sentido, visto que em Copas do Mundo duas coisas tradicionalmente acontecem com o Brasil: ou a seleção chega à final ou é eliminada por uma das seleções finalistas. No entanto, é preciso entender que, após o desastre que foram os 7 x 1 para a Alemanha em 2014, o Brasil havia perdido muito da sua credibilidade como uma equipe capaz de se mostrar competitiva em qualquer tipo de circunstância. É isso que o Brasil de Tite vem conseguindo fazer ano após ano, desde 2016, o que não é pouca coisa. Nem sempre isso é feito com brilhantismo, é verdade. Mas quase sempre com eficiência.

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