Teresina: arrombamentos em comércios causam revolta em comerciantes

Segundo o Sindilojas, as denúncias de ataques aos comércios de bairro aumentaram nas últimas semanas. Papelaria foi arrombada no Parque Piauí. PM diz que intensificou rondas.

19/05/2020 09:14h - Atualizado em 19/05/2020 11:17h

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Comércios fechados e criminosos agindo. É esta que tem sido a realidade dos proprietários de estabelecimentos comerciais não essenciais durante este período de quarentena. As denúncias de arrombamentos e ataques às lojas tem crescido nas últimas semanas, sobretudo naqueles comércios de bairro. No último domingo (17), o proprietário de uma papelaria no Parque Piauí teve seu estabelecimento invadido por criminosos pelo teto. Eles levaram mercadorias e dinheiro.


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O vídeo recebido pela reportagem do Portalodia.com mostra o forro da loja destruído e o local todo revirado, enquanto o dono da papelaria manifesta sua revolta com a situação, exigindo do poder público uma resposta para a sensação de insegurança e o prejuízo contabilizado. 

“Acabaram de entrar na minha papelaria no Parque Piauí. Isso é uma revolta. Ninguém pode trabalhar e enquanto ninguém pode trabalhar, tem gente roubando. E o prejuízo, quem vai pagar? Quem vai arcar com o forro, o teto e com as mercadorias que foram levadas?”, questiona o comerciante, que não se identificou.


Segundo o Sindicato dos Lojistas do Piauí (Sindilojas-PI), aos arrombamentos e ataques a estabelecimentos comerciais em Teresina têm sido uma realidade desde o início da quarentena. Os criminosos se aproveitam da falta de movimento nas ruas e dos comércios fechados em tempo integral para saquearem as lojas, sobretudo durante a madrugada.

“A gente já cansou de ir atrás da polícia. A PM sabe fechar os comércios, mas garantir a segurança do comerciante, não. Não tem policial suficiente, não tem segurança nenhuma, não existe policiamento. Todos os dias eu recebo ligação de gente dizendo ‘ó, meu comércio foi invadido, a situação aqui é essa’, mas ninguém faz nada”, desabafa o presidente do Sindilojas, Tertulino Passos.

De acordo com ele, os arrombamentos têm se espalhado pela cidade como um todo e não mais se concentrado em uma única região. Nos primeiros dias da quarentena, o Sindilojas recebeu a denúncia de que seis comércios no Centro foram atacados em um único dia. Hoje em dia, essas denúncias vêm principalmente dos comércios de bairro, como foi o caso da papelaria arrombada no Parque Piauí.

“Parece que mudaram de lugar e não tem polícia pra cobrir tudo. O comerciante só contabiliza o prejuízo e fica nessa insegurança sem saber como vai estar seu comércio no dia seguinte quando ele for lá”, finaliza Tertulino.


Tertulino Passos, presidente do Sindilojas-PI, menciona a falta de segurança - Foto: O Dia

Secretaria de Segurança lançou operação

Devido às denúncias de arrombamentos a lojas no Centro nos primeiros dias da quarentena, a Secretaria de Segurança lançou ainda em março a Operação Área Comercial para reforçar as rondas ostensivas da Polícia Militar nas regiões de comércio em todas as zonas de Teresina. Foram entregues a cada um dos batalhões da Capital novas viaturas para serem usadas pelos comandantes durante o dia, mas principalmente durante a noite, quando os arrombamentos eram registrados com mais frequência.

Procurada ontem (18) para se pronunciar sobre as denúncias de novos arrombamentos nas áreas comerciais dos bairros, a Secretaria de Segurança informou, por meio de nota, que “todo o aparato das Polícias Civil e Militar estão nas ruas da cidade para reforçar a segurança da população”.

O Portalodia.com também procurou a Polícia Militar. Por meio de nota, a corporação disse que o comando do 6º BPM, que atua na região do Parque Piauí onde foi registrado o arrombamento mais recente, vem aumentando as ações preventivas e ostensivas no bairro, além de manter uma interação constante com a comunidade através do telefone 190, grupos de Whatsapp e telefones embarcados nas próprias viaturas.

“As rondas e patrulhamentos estão sendo direcionadas para os locais e horários com maior probabilidade de roubos ou furtos, buscando proporcionar uma maior sensação de segurança para a zona Sul da capital”, finaliza a nota.

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Por: Maria Clara Estrêla

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