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Cerrado piauiense é o bioma que mais sofre com o desmatamento

Segundo o ambientalista Deocleciano Guedes, apesar de se falar muito na Caatinga, o cerrado tem sido muito prejudicado

05/06/2016 09:04

Na Semana Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 05 de junho, entidades chamam atenção para a preservação e proteção do meio ambiente, além de alertar a sociedade em geral sobre os cuidado que é preciso ter para que as gerações futuras também possam usufruir nesses recursos naturais. 

Dentre os biomas piauienses, o que mais tem sofrido com o desmatamento é o Cerrado. Segundo o ambientalista e presidente do Instituto Desert, Deocleciano Guedes, apesar de se falar muito na Caatinga, o cerrado tem sido muito prejudicado com o desmatamento de grandes áreas para plantio de soja. Ele explicou que há muitos propriedades e agricultores que cuidam muito bem de suas terras e do solo, entretanto, são negligentes e demonstram pouca preocupação com a preservação do solo.

Ambientalista Deocleciano Guedes acredita que problema dos cerrados é grande área desmatada (Foto: Foto: Assis Fernandes / ODia)

Deocleciano Guedes destacou que, ao chegar ao Cerrado, encontra-se propriedades que são altamente produtivas e que no Piauí algumas propriedades tem produção média anual por hectare muito maior que em qualquer outra região produtiva do País. 

“Eles protegem o solo, desmatam, e quando fazem a colheita deixam aquela massa no solo para proteger. Eles plantam outras culturas que não são a soja, como o milho, por exemplo, para criar uma palhada, e fazer um revezamento de plantas. Algumas plantas tiram do solo e não fixam nada, e outra vem e fixa alguma coisa, como a soja, que fixa o nitrogênio. Mas tem muitos proprietários que são descuidados, que avançam sobre determinadas áreas que não deveriam ser cultivadas, desmatam até o começo da encosta, e isso causa uma enorme erosão”, explicou. 

O ambientalista contou que essas erosões são muito prejudiciais aos solo, vez que a terra fica desprotegida e vulnerável, sobretudo com chuvas fortes. Ele citou que se houver uma chuva de 30 mm em 1h, por exemplo, esse volume não é considerado torrencial, mas como o espaço de tempo é muito curto, ela torna-se uma chuva com muita intensidade, fazendo com que essa água não tenha tempo de penetrar no solo, passando a ser uma água de escorrimento. 

Por estar muito próxima da encosta, esta água começa a percorrer e ganhar velocidade, causando assoreamento e chegando aos rios com muito material, que é despejado e acaba por acumular muitos resíduos, propiciando o assoreamento o mesmo. Deocleciano Guedes enfatizou que muitos rios no Piauí estão sendo assoreados por falta deste cuidado dos proprietários. 

O ambientalista citou também que alguns agricultores desmatam em extensões muito grandes e que têm uma declividade pequena. “Uma declividade de 3% em mil metros, entre a parte mais baixa e a mais alta tem 30metros. Então, a água que cai na parte mais alta, a tendência dela é escorrer para a parte mais baixa ganhando velocidade e força, derrubando tudo, erodindo qualquer solo. Não custava nada fazer barreiras de contenção, tanto arbóreas, deixando faixas naturais para que a água diminuísse a velocidade, como outros tipos de barreiras”, pontuou. 

Outro problema que o ambienta chamou atenção foi para as estradas públicas construídas no Cerrado piauiense, que não seguem o devido cuidado. Ele explicou que para que toda estrada seja construída acaba interferindo na hidrografia do terreno, e destacou que muitas pistas são feitas com um talude muito alto, onde é colocado um bueiro estreito, e no momento que a água passa com muita velocidade, boa parte da vegetação acaba sendo devastada. 

“Eu não conheço nenhuma estrada aqui no Piauí que tenha uma bacia de contenção, no sentindo de diminuir a energia da água. Quando vão construir essas estradas é retirado um pouco do material e colocado ao lado do talude, e podia fazer desse local uma bacia de contenção, só que não é feito”, disse. 

Para Deocleciano Guedes, o grande problema no Cerrado não são as grandes áreas devastadas, mas sim as áreas desmatadas de forma incorreta, cujas pessoas não tem o devido cuidado. Segundo ele, “se as pessoas pensassem bem, a riqueza de uma propriedade para se produzir soja é o solo. Se essa propriedade não tem um bom solo, ela não será mais produtiva. É a questão do lucro a qualquer custo”, enfatizou, acrescentando que o maior desafio é ter a conscientização ambiental e produzir com sustentabilidade.

Por: Isabela Lopes - Jornal O DIA
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