Coletivo Salve Rainha faz da rua o maior palco da arte em Teresina

Com a proposta de preservar o patrimônio histórico, o movimento está dando vida a importantes espaços e se inserindo no cenário cultural da cidade.

02/05/2015 13:06h

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Há quase oito meses, o coletivo Salve Rainha vem reinventando os espaços urbanos de Teresina. Os lugares que antes eram considerados esquecidos pela população, acabaram se tornando palco de algumas expressões artísticas da cidade. Tudo o que estava sendo sufocado pelo cotidiano, invisível ao primeiro olhar, recebeu novas instalações, cores fortes e sensações diversas.

Parte do grupo Salve Rainha, movimento cultural que tem como principal objetivo preservar o patrimônio histórico (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a proposta inicial de criar um café sobrenatural, trazendo uma culinária refinada e diferente de tudo o que a população estava acostumada, o Salve Rainha acabou se inserindo no cenário cultural de Teresina, utilizando em suas receitas, a coragem, o amor e a arte como os principais ingredientes. E foi além. O evento, sempre realizado aos domingos pelo coletivo, foi sendo cada vez mais conhecido e caiu no gosto popular, atraindo o mais diversificado público – desde artistas mais exigentes, até jovens que queriam apenas um lugar para encontrar os amigos, curtir um som e ocupar as últimas horas do fim de semana.

O coletivo já esteve na Praça Ocílio Lago, na Zona Leste, em seguida, no calçadão da rua Simplício Mendes e no antigo prédio da Câmara Municipal, no Centro da cidade. Nesta nova temporada, o Salve Rainha está sendo realizado na Avenida Marechal Castelo Branco, embaixo da ponte Juscelino Kubitschek, que liga dois extremos de Teresina: o centro e a Zona Leste. Com as instalações do coletivo, a ponte agora liga a música, a literatura e a arte em um só coração cultural.

O coletivo quer dá vida a lugares que se encontram abandonados pela cidade (Foto: Aldenora Cavalcante)

Se renovando a cada temporada, trazendo mais exposições, novas bandas e artistas, o Salve Rainha também vem modificando o próprio processo de produção. Atualmente com 25 integrantes das mais diversas áreas, entre jornalistas, publicitários, odontólogos, antropólogos e tantos outros, o coletivo utiliza em cada instalação, produtos reciclados que, readaptados, enriquecem o cenário dos Ensaios. Além de estimular a adoção de plantas, que estão dispostas pelo evento para que os visitantes levem para casa.

Para Camila Fortes, integrante do Salve Rainha, o coletivo vem afirmando seu caráter de resistência. São pessoas que acreditam que a união faz a arte. É um núcleo de cabeças criativas e incansáveis em constante desenvolvimento, que materializam ideias que jamais sairiam do papel. “O Salve Rainha é a vida no lugar inóspito, literalmente. É a sensibilidade e a capacidade da criação e da valorização do patrimônio histórico de Teresina”, explica.

E esses lugares “sem vida”, estavam sempre ali. As praças, as ruas, os becos e as pontes, mergulhados em tons cinzentos e esperando serem notados. As atividades do Coletivo trouxeram muitas cores e fizeram a Rainha Teresina acordar, abrir seus olhos de menina e exibir seu porte altivo e sorridente.

Composto apenas por voluntários, vale lembrar que o Salve Rainha realiza o evento gratuitamente. “Só faturamos com o bar, e o que é lucrado, investimos na compra dos materiais para a criação artística do evento”, pontua Camila. Atualmente o grupo conta com apoio da SDU, SEMJUV e da Prefeitura de Teresina.

Em sua quarta temporada, público só tende a aumentar

A nova temporada teve início em abril e está acontecendo embaixo da ponte JK (Foto: Aldenora Cavalcante)

Com três temporadas já realizadas e com uma em andamento, o evento itinerante exibiu os trabalhos de cerca de 200 artistas, levando as mais variadas propostas de exposições e instalações para as calçadas. A temporada passada, que levou o nome de Ensaios de Carnaval e aconteceu no início do ano, recebeu cerca de 2 mil pessoas, em torno de 500 visitantes por domingo. Os organizadores acreditam que os Ensaios que estão por vir, devem atrair muito mais pessoas.

Evento recebeu cerca de 2 mil pessoas em sua última temporada, "Ensaios de Carnaval" (Foto: Aldenora Cavalcante)

“O público que a gente pretende atingir é o mais amplo. Não segmentamos o evento a nenhuma classe, gênero e principalmente estilo. Basta presenciar um dia de evento que você verá a quantidade de pessoas diferentes, e é assim que as relações são construídas, pessoas de realidades diferentes, mas com o mesmo propósito de valorizar o que de fato é produzido aqui”, explica Camila Fortes.

Para Paulo Veras, estudante de Direito, de 22 anos, que acompanha a movimentação do Salve Rainha desde o início, a proposta de valorização da cidade foi o que mais chamou sua atenção. O estudante se tornou um visitante frequente também, devido à possibilidade de entrar em contato direto com artistas autônomos e poucos conhecidos.

“Quando os primeiros Ensaios foram acontecendo, eu notava que as instalações eram voltadas a um público restrito de 50, 60 pessoas que faziam parte do meio dito ‘cultural’ da cidade. Mas, a cada domingo, eu via que os visitantes iam aumentando e o evento estava atingido um público muito mais variado”, explica o universitário.

Apesar de o evento acontecer no final de um domingo à tarde e adentrar a noite inteira e, além disso, ser realizado em locais de difícil acesso a quem depende de transporte público, os visitantes se fazem presente e aplaudem as obras e os talentos dos artistas da cidade. O Salve Rainha está aí para provar que a cultura vem do povo, é feita para o povo e deve sim ocupar e estar em todos os espaços.

Ensaios de Outono

A nova temporada intitulada “Ensaios de Outono”, já contou com a exposição de Mariel Werneck, Regis Falcão e André Gonçalves, além de apresentações de Giovana Luz, Hugo Trincado, Gramophone, entre outros artistas.

Amanhã (03/05), em seu terceiro domingo, o evento trará a “Rainha Rasta”, com apresentação de Jamille Jah, Bobrobson e Cochá e exposição de André Angelo, Maria Clara Lina, Tarciana Ribeiro e outros, a partir das 16h, embaixo da ponte Juscelino Kubitschek, na Avenida Marechal Castelo Branco.

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Edição: Nayara Felizardo
Por: Aldenora Cavalcante (estagiária)

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