Covid-19: regiões do Piauí duplicam média de novos casos e internações

Dados são reflexo das festividades de final de ano. Carnaval preocupa pesquisador em saúde

23/01/2022 14:25h

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O Piauí vem apresentando um aumento significativo no número de internações em leitos de UTI Covid-19. Em apenas 30 dias, de 18 de dezembro de 2021 a 18 de janeiro de 2022, a região da Chapada das Mangabeiras, por exemplo, dobrou a média de novos casos e internações, saltando de 33,33 para 66,70. A região de Entre Rios, Carnaubais e Vale do Sambito também teve alta na média, de 43,32 para 65,80. Os dados são do grupo de Pesquisa em Análise de Saúde da Universidade Federal do Piauí (Ufpi).


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O professor Emídio Matos, doutor em Ciências Biomédicas e membro do núcleo, destaca que a crescente de casos é um reflexo das festividades de final de ano. Ele explica que muitas pessoas viajaram, sobretudo para o litoral, e se descuidaram, não fazendo o uso correto da máscara e gerando aglomerações, o que pode ter causado o “ boom” de novos casos.

(Foto: Divulgação/ Grupo de Pesquisa em Análise de Saúde da UFPI)

Apesar da região litorânea não ter apresentado alta nas internações em leitos de UTI Covid, as cidades que compreendem o litoral do Piauí, como Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia, receberam inúmeros turistas de outros municípios, o que ocasionou a alta nessas regiões.


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Os dados oficiais mostram que Barra Grande foi um foco importante do surgimento de novos casos. Como sabemos, as pessoas não moram em Barra Grande, elas vão para lá neste momento de festividade e feriados e retornam para Teresina e suas cidades de origens, ou seja, percebemos um caminho de volta desse vírus, como Cocais e Piripiri e Teresina, aumentando a taxa de internação e leitos”, reforça Emídio Matos.

Emídio Matos detalha dados atualizados da pandemia no Estado (Foto: Arquivo/ODIA)

Com esses dados, o pesquisador alerta para o momento do Estado se resguardar, especialmente com a proximidade do Carnaval. “É importante que isso seja refletido e discutido, inclusive projetando para o carnaval. Os dados indicam que não é possível que se tenha carnaval, nem público nem privado, este ano. Entendo que somos um País festivo, que gosta de carnaval, mas esse não é o momento”, destaca.

Subnotificação dos casos

Emídio Matos lembra que, embora essa alta de casos não esteja sendo visualizada, já que ocorreu o apagão de dados no Ministério da Saúde, os dados primários das prefeituras relevam esse aumento.

O pesquisador chama atenção ainda para a subnotificação de casos, especialmente dos mais leves, no qual as pessoas não procuram os hospitais “Isso é ruim, porque se não tem um diagnóstico, elas não se isolam e não quebram o ciclo de transmissão do vírus. Embora o adoecimento grave seja um percentual menor nesse momento, onde a gente está com 75% da população completamente imunizada aqui no Piauí, mas como o número absoluto de infectados é alto, isso repercute nas internações”, frisa.


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Apesar da ocupação dos leitos de UTI Covid terem aumentado, os índices de óbitos e internações graves têm se mostrado abaixo das médias já vistas em meses anteriores à vacinação. Assim, o pesquisador Emídio Matos reforça a importância da imunização e da dose de reforço.

“Um estudo recente da Suécia mostra que as pessoas que receberam doses de reforço, o risco de adoecimento grave é 48 vezes menor do que das pessoas que não receberam a terceira dose. Além disso, é preciso continuar os cuidados, como uso correto de máscara cobrindo boca e nariz, e preferencialmente de máscaras profissionais, pois as máscaras de tecido não têm a mesma proteção, distanciamento físico e recuar um pouco quando aos encontros com que não é do núcleo restrito da família”, complementa.


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