Idosos voltam a ser maioria das mortes por covid nos últimos dois meses no Piauí

Taxa de positividade dos testes da doença subiu para quase 40% em uma semana. Região de Picos tem 10 das 13 cidades piauienses com a maior incidência de casos.

17/09/2021 09:36h - Atualizado em 17/09/2021 10:01h

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O Piauí se prepara para iniciar a vacinação com a terceira dose dos idosos acima de 70 anos. A necessidade de reforço no esquema vacinal deste público tem suas justificativas e uma delas vem exposta em números. Dados do Comitê de Operações Emergenciais contra a Covid-19 (COE) do Piauí, colhidos junto à Secretaria de Saúde (Sesapi), apontam que os idosos acima de 70 anos voltaram a ser maioria das mortes pela doença nos últimos dois meses.

A porcentagem de pessoas nesta faixa de idade que não resistiram ao coronavírus e perderam a vida saiu de 10% para 25% de julho a setembro, segundo o que informou o COE. Na contrapartida, a taxa de óbitos por covid-19 entre a população de 30 a 39 anos deu uma reduzida no mesmo período, saindo de 10% para pouco mais de 5%.


Foto: Reprodução

Para o professor Emídio Matos, membro do COE e do Núcleo de Pesquisa em Saúde Pública da UFPI, isso estaria relacionado com a diminuição do efeito de imunização da vacina à medida que o tempo passa, já que os idosos de 70 anos ou mais no Piauí receberam sua segunda dose ainda no mês de abril. Daí a necessidade de aplicar a terceira dose de reforço.

“Isso mostra sim que as vacinas perdem seu efeito de proteção depois de cinco, seis meses e isso é preocupante. Fora a questão da variante Delta, que está sendo investigada pelas nossas autoridades em saúde na região de Picos, onde nós temos visto um aumento considerável na taxa de incidência da doença”, explica Emídio. 


O professor Emídio Matos é membro do COE - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Ele se refere ao caso do idoso de 72 anos que viajou para São Paulo no dia 12 de agosto e retornou a Picos em um ônibus clandestino no último dia 24. A Sesapi colheu amostrar para serem enviadas à Fiocruz, que deve entregar o resultado sobre se a infecção é ou não pela variante Delta dentro de 45 dias.

De acordo com COE, aquela região de Picos tem gerado alerta nas autoridades estaduais e municipais de saúde, não só pela suspeita de infecção de um paciente pela Delta, mas também pela rapidez com que a covid-19 tem se alastrado nos municípios no entorno. “Quando olhamos para incidência de casos novos nos últimos 15 dias, das 13 cidades com a maior incidência, dez são da região de Picos, que é uma região de entroncamento rodoviário com um intenso fluxo de caminhoneiros e de ônibus, inclusive veículos clandestinos que não passam por qualquer fiscalização dos órgãos de proteção sanitária”, diz Emídio Matos.

No presente momento, as cidades piauienses com as maiores incidências de covid-19 são: Geminiano, Vila Nova do Piauí, Marcolândia, Itainópolis, Francisco Macedo, Dom Expedito Lopes, São Luís do Piauí, Altos, Fronteiras, Jaicós, Bela Vista do Piauí, Floriano e Picos. Esta última possui 8.898 casos de covid confirmados desde o início da pandemia com uma taxa de incidência da doença de 1.137.53 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Ao todo, Picos, contabiliza 155 mortes por covid-19. Quanto às regionais de saúde que mais inspiram cuidado atualmente no que respeita à taxa de hospitalização pela doença, estão o Vale do Alto Parnaíba, sobretudo o entorno de Uruçuí, e o Vale dos Rios Itaueira e Piauí, regional de Floriano. Ambas continuam com 100% na taxa de ocupação de leitos.


Foto: Reprodução

Taxa de positividade subiu

Os números do COE apontam para dois indicadores preocupantes para o Piauí e os dois dizem respeito aos dados precoces da covid-19: a taxa de positividades dos testes RT-PCR e a taxa de atendimento por síndrome gripal na rede hospitalar. Em uma semana, o número de testes positivos para o coronavírus no Piauí subiram 39,4%. Isso gera um alerta, de acordo com os especialistas, porque significa mais pessoas adoecendo e potencialmente transmitindo a doença.


Foto: Reprodução

“É importante mencionarmos que quanto mais pessoas infectadas tivermos, maior a chance de ter novas variantes surgindo. O Brasil já é um reservatório de variantes e isso é um problema, porque uma delas pode eventualmente fugir da proteção das vacinas. Até agora nenhuma foge, mas uma pode fugir e isso preocupa”, finaliza o professor Emídio.

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