Linguagem corporal pode comunicar mais que a verbal

Especialistas apontam que ter o domínio dessa ferramenta é fundamental para as relações interpessoais e desenvolvimento pessoal e profissional

30/05/2019 12:22h

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Muito antes do surgimento da linguagem verbal e escrita, a comunicação já era realizada através do corpo. Isto porque ele funciona como uma ferramenta de expressão, sendo estimulado pelo cérebro e suas associações cognitivas. Especialistas comportamentais apontam que, hoje, ter o domínio dessa forma de linguagem é fundamental para a manutenção das relações interpessoais e do desenvolvimento pessoal e profissional.

A linguagem corporal compreende no conjunto de esforços gestuais e ligados à postura que completam o processo de comunicação oral. Dados levantados por uma pesquisa na Universidade da Califórnia apontam que somente 7% de toda a comunicação é baseada em palavras. Segundo os resultados, 38% está relacionada ao tom de voz e 55% provêm da chamada linguagem corporal.

Segundo Carine Paiva, master coach e analista comportamental, o corpo age em resposta aos estímulos e intenções que são enviados ao cérebro. Entender e saber administrar isso, através de técnicas, é fundamental para uma comunicação eficaz. Para ela, dominar a linguagem corporal é usá-la em favor próprio, o que leva, por exemplo, a transmitir confiança, credibilidade, firmeza e empoderamento. 

“O corpo reflete o invisível, que é a nossa mente. Nosso corpo produz química e, em toda e qualquer comunicação não verbal, ele produz uma química específica. Se eu tenho uma fisiologia curvada, eu estou comunicando ao cérebro que estou tensa, com medo, que não estou aberto ao diálogo e o cérebro produz uma química negativa. Se eu estou com ombros abertos, cabeça pro alto e mãos na cintura, estou comunicando ao cérebro poder”, diz.

Voz

Carine explica que o tom de voz também influencia na nossa comunicação e na forma como as pessoas interpretam nosso comportamento. Um estudo da Universidade de Duke descobriu que 125 Hz é a frequência ideal para um som agradável e para que aquelas pessoas que falam mais baixo tenham mais autoridade. A pesquisa também mostrou que uma diminuição de 22 Hz na frequência vocal pode implicar em aumentos reais de salários.

“Em uma negociação, ou em algum contato, o meu tom de voz influencia para eu ser bem compreendida e aceita naquela comunicação. O tom de voz é característico de cada perfil comportamental sim, no entanto, quando estou a me comunicar com alguém, eu tenho que fazer com que o meu tom seja equivalente ao tom de voz daquela pessoa, através de técnicas. Se eu não sou aceita, minha comunicação não será entendida”, explica a analista comportamental.

Timidez

Carine comenta ainda que pessoas tímidas, que tendem a possuir um comportamental naturalmente mais retraído, podem exercer sua linguagem corporal a fim de reduzir tal característica. A especialista recomenda alguns exercícios para que a linguagem corporal seja positiva e para que o discurso verbal seja validado, já que a forma como se diz é tão importante quanto o que se diz. 

“O introvertido tem a timidez como característica. Nesse caso, usamos o ‘treine até que se torne’. Nós podemos mudar nossa comunicação através de técnicas. Se o tímido vai fazer uma apresentação, por exemplo, ela pode usar técnicas para parecer confiante. Abrir as pernas, numa postura firme, levantar o queixo, os ombros. O cérebro vai entender que a situação está sob controle e vai produzir uma química específica. São pequenas ações que podem fazer a diferença”, finaliza. 

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Edição: Virgiane Passos
Por: Yuri Ribeiro - Arte: Márcio Sena/ODIA

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