Motolâncias do SAMU estão sem funcionar em Teresina por falta de profissionais

Sindicato denuncia que ambulâncias avançadas do SAMU tiveram que remanejar técnicos para as ambulâncias básicas por falta de pessoal. Categoria deflagrou paralisação.

07/03/2021 13:32h

Compartilhar no

Os profissionais da rede municipal de saúde de Teresina encontram-se com suas atividades paralisadas em razão da redução de quase 50% de seus salários. O movimento já se arrasta há cinco dias e neste domingo (07) o serviço de atendimento móvel de urgência foi afetado. 

Segundo o Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Piauí (Senatepi), as motolâncias do SAMU estão sem funcionar na capital porque não há profissionais para cobrir as escalas de plantão. De acordo com o presidente da entidade, Erick Ricelly, as escalas de plantão do final de semana são feitas mediante recebimento de pagamento extra e não entram nas escalas obrigatórias. Quando os profissionais entregaram suas escalas para este mês de março, não incluíram as escalas não obrigatórias do final de semana justamente por conta do corte salarial.

“O profissional tem que fazer as próprias escalas obrigatórias e não a extra, e eles não entregaram essas escalas. Outras categorias profissionais também não entregaram em outros setores covid por causa desse corte de 50% nos contracheques. As ambulâncias do SAMU Avançado tiveram que remanejar seus técnicos para as ambulâncias básicas, porque todo mundo já entregou suas escalas”, explicou Erick Ricelly.


Erick Ricelly, presidente do Senatepi - Foto: O Dia

Vale lembrar que na última sexta (05), o Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) decretou a ilegalidade da greve dos enfermeiros e técnicos de enfermagem da rede pública municipal de saúde de Teresina e determinou que os profissionais cumpram integralmente, sem qualquer restrição, o exercício de suas atividades sob pena de multa diária de R$ 40 mil. 

O presidente da entidade representante da categoria comentou essa decisão do desembargador Hilo de Almeida Sousa e disse que não se trata apenas do Judiciário decretar ou não a ilegalidade do movimento, e sim de resolver a questão em seu cerne. “Só determinar a ilegalidade de uma paralisação como estava feita não resolve o problema. Amanhã vamos protocolar um agravo e uma petição tentando forçar uma mediação do TJ por meio de um dissídio. E enquanto isso não acontecer, a saúde vai continuar um caos”, disse Ricelly.


Foto: Divulgação/Sesapi

Na última quinta-feira (04), a Fundação Municipal de Saúde (FMS) convocou 60 profissionais classificados no teste seletivo para atuarem no enfrentamento à covid-19. No entanto, uma das principais preocupações do Senatepi, juntamente com outros órgãos fiscalizadores, é não permitir que profissionais não treinados entrassem neste momento nas escalas. O sindicato afirma que simplesmente chamar uma profissional de um teste seletivo, não garante a ele a habilidade técnica para ele já começar atuando nas UTI na covid-19 e no SAMU.

“É uma situação preocupante e estamos buscando soluções, mas até agora não houve interesse em resolver”, disparou o presidente do Senatepi.

O Portalodia.com entrou em contato com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e aguarda um retorno para comentar sobre as informações prestadas pelo Senatepi. O espaço fica aberto para futuros esclarecimentos por parte do órgão e dos demais envolvidos.

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!

Compartilhar no

Deixe seu comentário