Música, arte & natureza: desmistificando as festas raves

No Piauí, cultura dos festivais psytrance une amor, respeito e paz através da música eletrônica

16/05/2022 13:36h

Compartilhar no

Luzes, natureza, cores e muita música. Seus sentidos são, automaticamente, tomados pelo cenário que chega a ser surreal. Gente para lá e para cá, dançando, sorrindo, cantando e abraçando. É com isso que as pessoas se deparam quando pisam no que frequentadores de festas raves chamam de “solo sagrado”. Ali, o tempo e o mundo magicamente deixam de existir por alguns instantes e a arte pulsa por todos os lados.

A cultura psytrance encanta jovens de todo o mundo (Foto: Reprodução/Xavanthe)

A cultura dos festivais de psytrance surgiu entre as décadas de 70 e 90, quando artistas, djs e produtores resolveram unir música e diversidade em um lugar só. Em meio a muitas cores vibrantes, artes de todos os tipos e pessoas de todos os lugares, o psytrance, gênero musical que surgiu na Índia, ganhou espaço na vida de jovens no mundo inteiro. 

As festas raves são celebrações realizadas em lugares considerados centros energéticos, como praias, florestas e sítios, onde há contato com a força criadora: a mãe natureza. Os eventos duram horas, às vezes dias, e um dos principais pilares desta cultura é o P.L.U.R (Peace, Love, Union and Respect). Em português: paz, amor, união e respeito. O propósito é que as pessoas sintam-se livres em uma atmosfera de tolerância e aceitação, em meio aos seus amigos e familiares. 

É comum ver famílias e crianças em festivais de música eletrônica (Foto: Reprodução/Xavanthe)

“Conheci a cultura da música eletrônica quando tive contato com as minhas primeiras festas e reuniões acerca desse estilo cultural e musical, em festas aqui mesmo em Teresina. Isso naturalmente me guiou em anos seguintes a vivenciar situações de maior duração, seja um final de semana inteiro, ou até outras que duram vários dia”, relata Renato Nunes, que frequenta festas da cultura psytrance desde 2012. 

Nestes festivais, tudo é desenvolvido com o intuito de causar reflexões e ‘viagens psicodélicas' ao público. Desde a decoração, até inúmeras exposições e intervenções artísticas, as festas raves não se baseiam apenas na música eletrônica, mas incorporam também elementos locais e ancestrais, trazendo como tema a espiritualidade e o contato com o divino. 

“Uma das minhas principais motivações é a expressão e sensação de liberdade na qual esses estilos de celebrações expressam para todos aqueles que se permitem estar presentes, por mais que na nossa cultura local elas ainda sejam abarrotadas de preconceitos e julgamentos por pessoas que nunca sequer se permitiram a oportunidade de vivenciar uma”, conta. 

As decorações de festas raves são cheia de cores e luzes (Foto: Reprodução/Xavanthe)

Para os frequentadores, a cultura do psytrance tem o dom de afetar, motivar e envolver profundamente e positivamente a todos aqueles que se permitem serem tocados por ela através das músicas, das sensações e das amizades e conexões que ali são construídas. 

“Se trata de um tipo de ambiente no qual todos que estão presentes se permitem verdadeiramente vivenciar a totalidade do Agora, tornando assim, na minha humilde opinião, cada vivência única e singular, seja individual ou coletivamente. Com isso, os sorrisos e a satisfação se tornam apenas uma mera consequência”, finaliza Renato Nunes. 


Xavanthe: a cena em Teresina 

No mundo todo, a cena vem crescendo de maneira expressiva desde a década de 90. Em Teresina, no Piauí, não seria diferente. Há anos, artistas e produtores visionários da capital aproximam um público cada vez maior e, através do respeito à diversidade, desmistificam todo o preconceito que ainda existe acerca da cena.

“Desde 2004 frequento festas raves. Foi amor a primeira batida! Por mais que a música eletrônica não tenha letra, ela conta uma história e causa sensações sensoriais naturalmente. Do amor em frequentar festas e festivais, me veio uma grande vontade de fazer uma festa que transmitisse tudo que eu queria que as pessoas sentissem, assim como eu sentia a música eletrônica. Foi quando comecei a produzir eventos e nasceu a Xavanthe, que hoje é o maior evento de música eletrônica no segmento psytrance do Piauí”, conta a produtora Joana D’arc. 

Joana D'arc e João Lúcio são produtores da Xavanthe, que hoje está em sua sétima edição (Foto: Reprodução/Xavanthe)

A Xavanthe, um dos eventos multiculturais de maior prestígio no Piauí, surgiu em 2015 e já está em sua sétima edição, que ocorre no dia 04 de junho deste ano. Como boa parte das festas raves, o evento dura cerca de 12 horas e conta com espaços e pistas de dança variadas, além de praça de alimentação e banheiros. 

“A proposta da Xavanthe não é ser somente uma festa, mas sim uma energia. Ela conta com mais de 2 palcos, onde artistas tocam simultaneamente, além de um espaço chill out, onde tem fogueira, local para sentar ao ar livre. Também temos o espaço zen onde oferecemos massagem para nosso público repor as energias, pois são mais de 9 horas de música”, explica. 

A sétima edição da Xavanthe irá trazer o DJ Vegas, artista de reconhecimento nacional e internacional (Foto: Reprodução/Xavanthe)

A produtora destaca que a intenção do festival é sempre trazer grandes artistas de peso nacional e até internacional, para assim fazer um intercâmbio cultural com o público do Piauí e dos estados vizinhos, que sempre marcam presença. “A nossa sétima edição será dia 04.06.22 e o nosso grande destaque é o DJ Vegas, um dos maiores nomes da música Eletrônica nacional”, pontua. 

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!

Compartilhar no
Edição: Adriana Magalhães

Deixe seu comentário