No Piauí, 41 pessoas sofrem amputações de pernas e pés por mês

Mais da metade dos casos de amputações envolvem pessoas com doenças vasculares, como a síndrome do pé diabético

29/06/2022 10:51h

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Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), quase cinco mil piauienses sofreram amputações de membros inferiores (pernas e pés) entre os anos de 2012 e 2022. Isso representa uma média de 41,5 procedimentos realizados por mês. Até março de 2022, foram registradas 171 amputações.

No ano passado, foram registrados 596 procedimentos hospitalares, um aumento de 41% em relação ao ano de 2012, quando foram registrados 423 procedimentos hospitalares. Nos anos de 2019 (590), 2020 (530) e 2021 (596), o Piauí registrou um aumento considerável no número de amputações de membros inferiores, especialmente durante a pandemia da Covid-19, que, segundo os especialistas, é um alerta para as consequências da suspensão de tratamentos clínicos. 

O estudo foi elaborado a partir de informações disponíveis na base de dados do Ministério da Saúde e acendendo o alerta para os cuidados voltados às doenças vasculares, como a síndrome do pé diabético, já que mais da metade dos casos de amputações envolvem esse público. No entanto, essas cirurgias em membros inferiores podem também estar relacionadas a muitos outros fatores de risco, como tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia, idade avançada, insuficiência renal crônica, estados de hipercoagulabilidade e histórico familiar.

(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

No Nordeste, mais de 80.124 mil pessoas sofreram com a amputação de membros inferiores (pernas ou pés) entre 2012 e 2021, ou seja, pelo menos 21 procedimentos são realizados por dia na região. Em 2020, quando a crise epidemiológica se instalou no Brasil, a média diária de amputações no Nordeste chegou a 25,20.

Já em 2021, essa razão subiu para 25,84, podendo se relacionar com as consequências da descontinuidade no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, como o diabetes. Entre os anos 2020 e 2021, um total de 18.631 nordestinos foram submetidos ao processo de amputação ou desarticulação de membros inferiores. Isso significa que a média mensal de procedimentos chegou a 776,29 em plena crise sanitária.

Para o cirurgião vascular Mateus Borges, diretor de Publicações da SBACV, “esses dados demonstram o impacto da pandemia no cuidado e na qualidade de vida dos pacientes”. Segundo ele, pessoas com diabetes que desenvolvem úlceras e evoluem para quadros infecciosos demandam longos períodos de internação ou reinternações, com consequentes períodos de perda ou afastamento do trabalho, aposentadoria precoce e, por vezes, queda na autoestima, depressão ou criação de um quadro de dependência de familiares ou amigos.

Prevenção

No caso do diabetes, cujos pacientes são as maiores vítimas das amputações, o menor descuido pode levar a grandes problemas. Um pequeno ferimento pode resultar em infecção que evolui para um caso grave de gangrena, levantando o risco de amputação, como alerta Julio Peclat, presidente da SBACV.

O diabetes impacta a circulação sanguínea porque gera o estreitamento das artérias, causando redução dos índices de oxigenação e nutrição dos tecidos. Além disso, deformações nos pés e alterações de sensibilidade aumentam a chance do surgimento de pequenos ferimentos e potencializam sua evolução para casos mais graves. “Estudos apontam que 85% das amputações que possuem relação com o diabetes têm início com uma lesão nos pés, que poderiam ser prevenidas ou tratadas corretamente evitando complicações”, destaca o presidente da SBACV.

Complicações

Algumas medidas podem diminuir os riscos de complicações nos pés de pessoas diabéticas. Alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física e manter um controle da glicemia, contribui para uma melhora do sistema vascular como um todo. O paciente com esse fator de risco também deve estar atento aos perigos de acidentes e adotar mudanças de comportamento, como evitar andar de pés descalços ou, ainda, aderir ao uso de calçados apropriados.

O médico Eliud Duarte pontuou algumas medidas simples que podem ajudar na prevenção do pé diabético se incorporadas à rotina:

  • Não faça compressas frias, mornas, quentes ou geladas nem escalda pés. Por causa da falta de sensibilidade acarretada pela neuropatia, você pode não perceber lesões nos pés;

  • Use meias sem costuras ou com as costuras para fora. Assim você evita o atrito da parte áspera do tecido com a pele;

  • Não remova cutículas das unhas dos pés. Qualquer machucado, por menor que seja, pode ser uma porta de entrada para infecções;

  • Não use sandálias com tiras entre os dedos;

  • Corte as unhas retas e acerte os cantos com lixa de unha, mas com muito cuidado;

  • Hidrate os pés, pele ressecada favorece o surgimento de rachaduras e ferimentos;

  • Nunca ande descalço. Você pode não sentir que o chão está quente ou que cortou/feriu o pé;

  • Olhe sempre as plantas dos pés e trate logo qualquer arranhão, rachadura ou ferimento. Se não conseguir fazer isso sozinho, peça ajuda a um familiar ou amigo;

  • Não use sapatos apertados ou de bico fino;

  • Trate calosidades com profissionais de saúde;

  • Olhe sempre o interior dos calçados antes de usá-los;

  • Enxugue bem entre os dedos após o banho, a piscina ou a praia.

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