Piauí: 40% das mortes maternas foram por complicações da Covid-19 em 2021

O Estado tem realizado ações para reduzir o número de óbitos maternos, que supera a média nacional

21/09/2021 09:41h

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A mortalidade materna, ou seja, que ocorre devido a complicações ligadas à gravidez, parto e puerpério, está em alta no Piauí. Em 2021, o Estado já registrou, em números absolutos, 43 óbitos maternos – o que no cálculo da Razão da Mortalidade Materna representa 150 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Para se ter uma ideia, a meta fixada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Brasil é de que essa Razão seja de até 30 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos.

Dos 43 óbitos maternos registrados no Piauí até setembro deste ano, 17 foram em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, o que representa 40% do total. Ao longo de 2020, foram registrados, em números absolutos, 37 óbitos maternos no Piauí.

Segundo Maria Auzeni de Moura Fé, coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Mulher, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o Piauí segue com uma alta razão de mortalidade materna. Em 2018, por exemplo, o Estado estava com 83,5 óbitos por 100 mil nascidos vivos, o que já era bem acima da média estabelecida pela OMS.

“A razão de morte materna, quando é acima de 40 óbitos por 100 mil nascidos vivos, já é considerada alta pela OMS. O Brasil, portanto, é um País com alta razão de mortalidade materna e o Piauí não está diferente. Houve uma tendência decrescente nos anos de 2019 e 2020, mas com a Covid, esse dado começou a piorar e hoje está, preliminarmente, com os dados disponíveis, em torno de 150 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Nós sabemos que a Covid aumenta o risco de complicações na mulher grávida, portanto, aumenta o risco de mortalidade materna”, destaca a coordenadora.

Se a Covid-19 é uma grande preocupação para a população em geral, para as grávidas esse cuidado deve ser redobrado, como forma de evitar óbitos maternos. Durante todo esse período de pandemia, tanto a mulher como seus familiares precisam ter mais atenção aos cuidados preventivos em relação à doença.

Maria Auzeni de Moura Fé enfatiza que as principais causas de mortalidade materna são por eclâmpsia e transtornos hipertensivos, seguido de hemorragia, infecções puerperais e outras complicações. Atualmente, com a Covid, esta ficou sendo a primeira causa da mortalidade.

“Esse alto índice representa preocupação, porque esse é um problema de grande magnitude e que requer intervenção. Para isso, temos investido na qualificação de recursos humanos, que essa é uma ação estratégica fundamental, porque precisa discutir mudança de processo de trabalho, organização de serviços, para que possa intervir na situação”, disse.

Recomendações aos profissionais de saúde e às gestantes

A coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Mulher, Maria Auzeni de Moura Fé, faz algumas recomendações que podem ajudar a reverter esse cenário. Segundo ela, é recomendado aos serviços de saúde que mantenham o pré-natal, com captação precoce e condutas adequadas para que se possa minimizar os problemas.

Aos profissionais de saúde, Maria Auzeni indica que sejam mantidos os protocolos no pré-natal, com estratificação de risco das gestantes em todas as consultas, agendamentos de segurança para não ter aglomeração dentro dos serviços de saúde.

(Foto: Freepik)

Já aos familiares, ela orienta: “Quem tem gestante em casa precisa entender que os cuidados para prevenção da Covid-19 têm que ser triplicados, para que ninguém adquira Covid e não traga para dentro de casa; com uso de máscara, uso de álcool em gel e manter o distanciamento social - práticas reconhecidas como importantes na prevenção do novo coronavírus”, acrescenta.

Para as gestantes, a recomendação é que façam o pré-natal, que sigam todas as recomendações, que tomem as vacinas e que mantenham o distanciamento social, saindo apenas quando for estritamente necessário, somente para as consultas de pré-natal e exames.

Políticas públicas atuam para redução da mortalidade materna e infantil

Maria Auzeni de Moura Fé, coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Mulher, pontua algumas ações que a Coordenadoria tem feito para reduzir os óbitos maternos no Estado. O Piauí já registrou 14 óbitos por mil nascidos vivos nas crianças de até 28 dias de vida. A coordenadora pontua que alguns desses óbitos estão relacionados com a condição materna.

“Temos um plano estadual de ação para redução da mortalidade materna e na infância, com várias ações e diretrizes estabelecidas, com ações planejadas, como qualificação, investimento nos serviços de saúde, como o projeto pró infância, com meta estabelecida para redução da mortalidade infantil e materna”, pontua.

Segundo Maria Auzeni, as principais causas de mortalidade do neonato são: prematuridade, malformações congênitas e infecções perinatais. Em algumas dessas situações, as mortes dos bebês estão relacionadas com as mães.

“Por isso, é preciso melhorar a assistência ao pré-natal, ao parto e ao puerpério. Estamos agora em articulação para criar o Centro Colaborador da Rede Clap, é uma ação conjunta entre a OPAS e a Universidade Federal do Piauí para intensificar a qualificação dos recursos humanos. Temos realizado muitos webinários para discutir a qualidade do pré-natal, a necessidade de estratificar os riscos dessas gestantes para que sejam tomadas medidas oportunas”, disse.

Além disso, o grupo técnico do Comitê Estadual de Prevenção à Mortalidade Materna está investigando todos os óbitos maternos ocorridos, no sentido de saber quais os fatores determinantes dessa ocorrência, como o que poderia ter sido feito para evitar esses óbitos e o que pode ser feito para evitar novas ocorrências.

Outras ações para reduzir a mortalidade materna é a distribuição de DIU para que as mulheres tenham acesso ao planejamento familiar por meio dos métodos contraceptivos. Além de melhorar os equipamentos de alguns estabelecimentos, a partir de recursos do Ministério da Saúde.

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