Piauí completa um ano de vacinação contra Covid-19

Pesquisador pontua que a imunização permitiu que o Estado saísse de uma média de mais de 40 óbitos por dia para dois óbitos hoje

18/01/2022 08:18h - Atualizado em 18/01/2022 08:30h

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O início da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Piauí completa um ano nesta terça-feira (18). Horas após a chegada de cerca de 61 mil doses no Aeroporto Petrônio Portela, na zona Norte de Teresina, no dia 18 de janeiro de 2021, o Governo do Piauí começou a vacinar profissionais de saúde que atuaram na linha de frente no enfrentamento da pandemia, pessoas de 60 anos com deficiência institucionalizadas e indígenas vivendo em terras demarcadas. 

A primeira pessoa a receber a vacina em solo piauiense foi o médico Joaquim Vaz Parente (77) , em evento realizado no pátio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi). Ele atua há mais de 47 anos na Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER) e já realizou mais de 20 mil partos na unidade de saúde. Além dele, outros cinco profissionais receberam a dose da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. 

Médico Joaquim Vaz. Foto: Jailson Soares/ODIA

Em entrevista ao O DIA, o médico lembra a sensação de ter participado desse momento tão importante e agora pede atenção para a vacinação das crianças. “A vacina foi um dos meus melhores presentes depois dos 70 anos. O sentimento é de tranquilidade e segurança. Mesmo depois da vacina, a gente continua tomando os cuidados preventivos em relação à doença. Pelo fato de eu ser médico, sou um homem que teve a formação fundamentada na ciência. A vacina é eficaz para prevenção da Covid-19, ela é o único componente preventivo, verdadeiramente seguro, para que a gente evite uma enfermidade e hospitalização. Tudo que eu poderia dizer nesse momento é que os pais levem seus filhos – de 05 a 11 anos – para se vacinar. Tenho acompanhado com todo o cuidado a evolução dos efeitos colaterais, que tem respondido positivamente ao tratamento. É de fundamental importância vacinar para que depois um pai ou uma mãe não passe pela tristeza de ver o seu filho hospitalizado”, disse. 

Avaliação 

Para o professor e pesquisador Emídio Matos, doutor em Ciências Biomédicas e membro do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), não restam dúvidas de que as vacinas foram eficazes para mudar o quadro de internações e mortes por Covid-19. Segundo ele, o Estado tem avançado, apesar do retorno de segunda dose não ser tão alto. A imunização também permitiu uma reorganização dos leitos de UTI para outras demandas represadas durante pandemia.  

“A imunização certamente permitiu com que a gente saísse de uma média móvel de mais de 40 óbitos em abril de 2021 para uma média móvel de dois óbitos hoje. Então, certamente, isso é efeito da imunização. A gente tem avançado bastante, embora tenhamos um não retorno para a segunda dose alto. Além disso, estamos avançando lentamente para a dose de reforço. Mas a gente está no segundo Estado do país que mais vacina, isso é um dado muito bom e certamente está impactando nas internações, o que permitiu uma reorganização dos leitos de UTI para as demandas represadas ao longo da pandemia”, avalia.  

Foto: Arquivo/ODIA 

Ainda segundo o professor, o aumento de novos casos, possivelmente causado pela variante ômicron, não está na mesma proporção do aumento do número de óbitos. Da mesma forma, o número de internações – o que demonstra gravidade, apesar de não ser na mesma proporção do começo do ano passado.  

“Quando a variante Delta preocupou o mundo inteiro, com o aumento de casos e internações, aqui no Brasil não teve o mesmo impacto, principalmente por causa da vacinação e também, provavelmente, pelo fato da gente está usando diferentes vacinas, de diferentes tecnologias. As vacinas estão efetivamente cumprindo aquilo que elas precisam cumprir. Agora é uma oportunidade para gente ampliar a vacinação para as crianças para que a gente tenha um controle da pandemia e poder sair dessa situação que se arrasta há tanto tempo”, finaliza. 

Imunização em números 

Passado um ano do início da campanha de vacinação, o Piauí tem mais de 75% da população completamente imunizada contra a doença (conforme os dados atualizados até essa segunda-feira). O número de piauienses imunizados com as duas doses chega a mais de 2,4 milhões. Com a 1ª dose, já são mais de 2,7 milhões de piauienses vacinados - o que representa mais de 80% da população. Já com a dose de reforço são cerca de 400 mil pessoas imunizadas. Os dados constam no painel epidemiológico da Sesapi e são atualizados todos os dias às 18h. 

São consideradas imunizadas pessoas que receberam duas doses do imunizante ou a dose única da Janssen. As duas doses garantem imunização contra o vírus, mas é necessária a dose de reforço, meses após a segunda aplicação, para evitar que a imunidade contra a doença caia com o passar do tempo. 

O Piauí tem o maior percentual de imunizados entre os estados do Nordeste. Já em relação ao Brasil, só perde para a cidade de São Paulo, que segundo dados divulgados até ontem (17), imunizou no geral 78,65% de sua população. 

2022 marca vacinação de crianças 

Agora, há exatos um ano do início da vacinação contra Covid-19 no Piauí, chegou a vez das crianças se imunizarem contra o vírus. No último sábado (15), a cidade de Piripiri começou a vacinar crianças de 5 a 11 anos . A primeira criança vacinada foi o indígena da Tribo Tabajaras, Marcos Vinicius da Silva, de 7 anos. 

Em Teresina, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) abriu nessa segunda-feira (17) o agendamento para dar início à vacinação infantil. Neste primeiro momento, serão contempladas crianças com comorbidades ou deficiência permanente.  

Segundo a FMS, a vacina aplicada será a versão pediátrica do imunizante da Pfizer/Comirnaty, em duas doses – com intervalo de oito semanas entre a primeira e a segunda dose. 

Documentos necessários 

Os documentos necessários para vacinação de crianças são: CPF ou Cartão do SUS e uma comprovação da comorbidade e/ou deficiência permanente. Os pais ou responsáveis devem estar presentes manifestando sua concordância com a vacinação.Em caso de ausência de pais ou responsáveis, a vacinação deverá ser autorizada por um termo de consentimento assinado por eles. 

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