Piauí terá menor prejuízo econômico com a redução de feriadões em 2022

A previsão para 2022 é de manutenção do crescimento no Piauí. O último balanço divulgado apontou crescimento de 22,4%

28/12/2021 10:04h - Atualizado em 28/12/2021 12:45h

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Com menos feriados nacionais caindo em dias úteis em 2022, as perdas do comércio tendem a ser menores do que em 2021. É o que aponta a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a análise, neste ano, o comércio varejista sofreu um prejuízo de R$ 22,11 bilhões, enquanto em 2022 a previsão é que as perdas sejam 22% menores (R$ 17,25 bilhões).

No Piauí o indicativo para 2022 é de manutenção do crescimento. O último balanço divulgado apontou que nos primeiros seis meses de 2021 o comércio varejista acumulou um considerável crescimento de 22,4%, registrando o segundo maior incremento do país, de acordo com a Secretaria de Planejamento do Estado.

Atualmente, o calendário nacional conta com nove feriados nacionais: Dia da Confraternização Universal (1º de janeiro), Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa), Tiradentes (21 de abril), Dia do Trabalhador (1º de maio), Independência do Brasil (7 de setembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Dia de Finados (2 de novembro), Proclamação da República (15 de novembro) e Natal (25 de dezembro). Carnaval e Corpus Christi são considerados dias de ponto facultativo.

Em 2021, excetuando-se o Dia do Trabalhador e o Natal (ambos celebrados em sábados, dia de expediente reduzido no varejo), os demais feriados nacionais ocorreram em dias úteis para o comércio, impactando a rentabilidade do setor. Em 2022, as duas datas cairão em domingos e o Dia da Confraternização Universal será em um sábado, reduzindo a sete o número de feriados em dias úteis. Já Piauí terá 10 feriados em dias úteis em 2022; confira a lista. 

Cada feriado em dia útil gera um prejuízo R$ 2,46 bilhões ao varejo, reduzindo a rentabilidade anual média do setor comercial como um todo em 1,29%. E, considerando todas as atividades econômicas, provoca um impacto de R$ 10,12 bilhões na geração do Produto Interno Bruto (o equivalente a 0,12% do PIB anualizado). Sendo assim, os feriados de 2022 deverão impactar o excedente operacional do comércio em 9,0%.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que há dois lados da situação. “Apesar de favorecer atividades econômicas específicas, como as turísticas por exemplo, para boa parte dos demais setores da economia a maior incidência de feriados em dias úteis tende a gerar prejuízos, por conta da queda no nível de atividade ou pela elevação dos custos de operação”, afirma Tadros.

FOTO: Arquivo ODIA

SESC vê crescimento

Para o presidente do Fercomércio-PI, Valdeci Cavalcante, a perspectiva com um número menor de feriados é positivo. "Conforme Convenção Coletiva de Trabalho o empregado que labora no feriado recebe em dobro, impactando na folha de pagamento das empresas. Soma-se a esse fator a redução das vendas nesse período. Incidindo prejuízo tanto no custo, quanto na receita das atividades" afirmou.  

Para ele "abrir as portas do comércio quando o feriado cai em dia útil demanda custos adicionais, principalmente para os setores intensivos de mão de obra, em que a folha/faturamento se mostra mais elevado, como os Hiper e Supermercados, Setor de vestuário, calçados e acessórios e o comercio automotivo, este embora não empregue muitos trabalhadores possui a média salarial acima das outras atividades varejistas", revelou. 

De acordo com o dirigente o aumento da atividade nos dias anteriores ou posteriores aos feriados, que o fechamento das lojas gera, não compensam o prejuízo na folha salarial que o empresário tem que arcar. Sendo inegável a redução do rendimento nos meses em que o feriado cai em dias úteis. 

Nessa esteira, a pesquisa trás uma boa notícia para o setor no ano de 2022, dos 9 feriados nacionais, 2 caem no domingo, dia não útil, quais sejam 1 de Maio (dia do trabalhador) e 25 de dezembro (Natal). Nesse caso, não sendo necessária a abertura das lojas, nos dias não úteis, o empregador não precisa arcar com a oneração da folha de pagamento. Ainda, o dia da Confraternização Universal (1º de janeiro) cai no Sábado, dia de meio expediente, resulta também na desoneração da folha e, por conseguinte, diminuição dos custos. 

Por ser um estado pobre e depender 70% do seu Produto Interno Bruto no setor serviço, que inclui o Comércio, no Piauí o prejuízo do Feriado em dias comerciais gera um impacto maior. Diminuindo a rentabilidade dos empresários do comércio o estado deixa de arrecadar. Ademais, a Convenção Coletiva de Trabalho das Atividades de Comercio, Serviços e Turismo com o Sindicato dos Trabalhadores, acordaram que as horas extras trabalhadas no feriado devem ser remuneradas com 100% do valor normal, o que impulsiona o prejuízo da abertura do comércio no Feriado, em dias comerciais. 

Estima-se, entretanto, que em 2022, com menos feriados em dias comerciais, o Piauí diminuirá o prejuízo causado pela abertura do comércio nesses dias, sendo o melhor índice desde 2014, ano em que tivemos 3 feriados em dias não úteis, domingo.

Hiper e supermercados devem ser os mais afetados

Ainda de acordo com a pesquisa, os ramos de atividade em que a relação entre folha de pagamento e faturamento se mostra mais elevada tendem a sofrer os maiores impactos. A estimativa é que, juntos, os segmentos de hiper e supermercados (R$ 3,33 bilhões); de vestuário e calçados (R$ 2,83 bilhões) e o comércio automotivo (R$ 2,63 bilhões), que concentram 55% das folhas de pagamento do comércio varejista brasileiro, respondam por mais da metade (51%) das perdas.

O economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, destaca a maneira como isso comprime as margens de operação do varejo. “Por mais que as vendas possam ser parcialmente compensadas nos dias imediatamente anteriores ou posteriores, o peso relativamente elevado da folha de pagamento na atividade comercial é a principal fonte dos prejuízos impostos pelos feriados”, informa o economista.

Cenário Piauiense

A última  Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), publicação realizada pelo IBGE, produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento do comércio varejista e seus principais segmentos. São pesquisadas empresas formalmente constituídas, que possuam 20 ou mais pessoas ocupadas e que têm o comércio varejista como atividade principal. Os indicadores da pesquisa são disponibilizados em dados mensais, e analisados, levando em consideração o acumulado semestral (de janeiro a junho – 1° semestre) e o acumulado de12 meses.

Segundo dados da PMC, o Comércio Varejista do Estado do Piauí apontou crescimento de 22,4% no 1° semestre de 2021 e o acumulado em 12 meses incremento positivo de 19,4%, sendo o 2°melhor desempenho do país no semestre. O Brasil mostrou variação positiva de 6,7% no semestre e de 5,9% em 12 meses.

Em comparação com o 1° trimestre, o comércio varejista do Piauí havia apresentado um aumento de 11,4% e o acumulado em 12 meses era de 9,4%. O Brasil apresentou queda de 0,6% e de crescimento de 0,7% no acumulado em 12 meses. O Piauí manifestou o melhor desempenho entre todos os estados do país no período referido. Das 27 Unidades da Federação, 24 apresentaram resultados positivos e 3 negativos para o volume de vendas do comércio varejista durante o 1° semestre de 2021. Segundo as regiões, os melhores resultados foram obtidos por:

• Amapá, na região Norte (33,5%);

• Piauí, na região Nordeste (22,4%);

• Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste (7,0 %);

• Espírito Santo, na região Sudeste (10,4%);

• Santa Catarina, na região Sul (3,8%).


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Fonte: Com informações Confederação Nacional do Comércio

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