“Os Quadrinhos nacionais nunca viveram um momento criativo tão bom. Existe muita coisa boa
sendo produzida em vários pontos do país, nos mais diversos gêneros. Se você ainda não ‘provou’,
experimente”. Essa frase do jornalista Sidney Gusman, por diversos motivos, é perfeita para lembrar o “Dia Nacional dos Quadrinhos”, comemorado amanhã, dia 30 de janeiro.

O jornalista e editor Sidney Gusman é considerado um dos maiores incentivadores do mercado nacional
Sidney é o editor da Mauricio de Sousa Produções e responsável por uma linha que vem revolucionado os Quadrinhos nacionais nos últimos anos: a Graphic MSP. Trata-se de uma série de HQs
(histórias em quadrinhos) com roteiros, desenhos e cores de talentos brasileiros, escolhidos pelo
próprio Gusman, com histórias tendo os personagens da Turma da Mônica como protagonistas.
“Como trabalhei durante muitos anos fazendo matérias e divulgando esses artistas já conhecia
cada um deles e sabia do potencial de cada”, lembra.
Os lançamentos são trimestrais e os resultados têm sido os melhores possíveis, tanto no tocante
às vendas, quando na crescente valorização dos talentos nacionais.
Eventos estimulam a
produção nacional
Esse enriquecimento do mercado promovido pela Mauricio de Sousa Produções é tido como um
dos mais importantes, mas vale ressaltar que existem outros que também estão contribuindo bastante na construção deste caminho. Bernardo Aurélio, quadrinista piauiense e proprietário de uma
comic book em Teresina (livraria especializada no tema), coloca também a realização e o crescimento de eventos como a FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos) e a CCXP – Comic Con Experience
como outro fator fundamental neste processo evolutivo. “A possibilidade de participação de eventos
como esses, que são, além de tudo, importantes ‘vitrines’, têm estimulado muita gente a produzir e
editar seus trabalhos, mesmo de forma independente. E o resultado é que vemos muito material de
qualidade em todas as edições destas feiras e convenções”, destacou.

Bernardo aurélio comemora o crescimento e ampliação de importantes eventos ligados ao segmento
O próprio Bernardo e seu irmão Caio Oliveira são exemplos de artistas locais que levaram seus
trabalhos para apresentar nestes eventos. Os dois participaram do FIQ do ano passado. Outros dois
exemplos são Joniel Santos e Antônio Cardoso que levaram suas publicações para apresentar e
vender na CCXP que aconteceu em dezembro do ano passado.
Podemos colocar nessa lista uma outra importante alternativa o site Catarse, onde qualquer artista
pode apresentar sua produção em busca de apoio. O internauta que decide apoiar recebe em troca a
publicação impressa e, dependendo o valor ofertado, pode ganhar ainda outros brindes.
“Na verdade, essa é uma evolução percebida por todos, mas que caminha em passos lentos. Acredito que ainda faltam mais iniciativas pessoais, tanto do lado do público leitor, em procurar o que está
produzido, quanto do mercado, em buscar fazer novas publicações. Ainda existe muito talento para
ser ‘descoberto’”, ressaltou Bernardo.
Conquistando o
mercado externo
Além da ocupação do mercado nacional com os trabalhos elaborados “dentro de casa”, muitos artistas brasileiros têm também conquistado o mercado internacional, principalmente nos
Estados Unidos.

Leno Carvalho optou em buscar o mercado norte-americano e tem conquistado ótimos resultados
Em Teresina, um dos exemplos é Leno Carvalho. Para ele, trabalhar no mercado norte-americano sempre foi sua meta. “Sempre pensei desta forma, afinal de contas era lá onde existia
o grande público, os grandes heróis, os ícones que queria trabalhar”, conta. Leno, no entanto, lembra que muitos artistas conquistaram o mercado externo começando pelo Brasil e
mostrando que tinham talento para atuar em qualquer lugar. “E isso também é muito bom”,
afirmou.
Leno já produziu para a Boom Estúdios, para Dinamite, teve uma pequena participação na DC
Comics e atualmente está trabalhando com a “The Combine”, uma empresa de cinema que
está começando a produzir histórias em quadrinhos.
Sobre os resultados, financeiramente falando, Leno garante que é realmente interessante,
levando-se em conta principalmente a moeda local (dólar) e o grande número de pessoas que
consumem quadrinhos nos Estados Unidos.
Por: Marcelo Costa