Relatório aponta riscos para atividades nos cânions do Rio Poti

O documento, apesar de apresentar baixo risco de desabamentos, faz um alerta para a necessidade de adoção de medidas preventivas

25/04/2022 07:48h - Atualizado em 25/04/2022 08:22h

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O Serviço Geológico do Brasil, publicou, na última semana, o Relatório de Avaliação Geotécnica dos cânions do rio Poti, que passa por Crateús/CE, além dos municípios de Castelo, Buriti dos Montes e Juazeiro, no Piauí. O documento, apesar de apresentar baixo risco de desabamentos, faz um alerta para a necessidade de adoção de medidas preventivas para evitar um desastre ambiental como ocorreu em Capitólio, Minas Gerais, quando dez pessoas morreram e 27 ficaram ferias após o desprendimento de uma rocha.

Os resultados da visita feita ao município de Buriti dos Montes (PI), no período de 14 a 25 de fevereiro de 2022, levou à constatação de diversos pontos de formação de reentrâncias e saliências rochosas, resultantes da ação da água que, em ação conjunta com a base escavada do paredão, potencializa quedas e deslizamentos de blocos. Além disso o relatório ressalta o risco oferecido pelos blocos soltos no topo das vertentes, quando são realizadas atividades esportivas, como o rapel, prática fortemente disseminada na região pesquisada. Ainda de acordo com as pesquisas, os locais e números de blocos, em situação de instabilidade, estão presentes de forma significativa. Esse tipo de movimento de massa é de difícil previsão e traz incertezas quanto às trajetórias.

FOTO: Ascom CPRM

Em sua conclusão o estudo aponta que nunca haverá risco zero nas atividades turísticas a serem realizadas em áreas de cânions, porém, “não foram identificados indícios muito fortes para risco iminente de desabamentos que possam atingir dimensões consideráveis, exceto em situações de conjugação extrema dos fatores potencializadores de desastres apresentados e discutidos nesse trabalho. No entanto, deve-se ressaltar que risco baixo não significa impossibilidade de movimentos de massa na região”, afirma o documento.

No entanto, os resultados do relatório concluíram também que um certo grau de instabilidade e suscetibilidade de paredões em áreas de relevo íngreme são características inerentes às formações e, por si só, não representam maiores problemas. Além disso, a identificação de risco eventual não impossibilita a atividade turística nos locais, mas exige a realização de uma prática segura ou a criação de trechos com boa trafegabilidade. Os pesquisadores recomendam que a estruturação e definição de qualquer rota nesses locais devam passar por um mapeamento prévio de risco geológico.

Monitoramento 

Dadas as condições observadas, o relatório sugere que seja feito um monitoramento constante por toda a extensão da área utilizada para atividades turísticas. Também é sugerido no documento que sejam feitos estudos geotécnicos e hidrológicos para embasar projetos de contenção das encostas, e que se proíba e fiscalize construções e visitação, em áreas protegidas pela legislação. Segundo os pesquisadores, os projetos de engenharia devem ser adequados às condições geológicas e topográficas locais. Novos empreendimentos turísticos devem sempre apresentar laudos técnicos, além de se instalar um sistema de alerta nas áreas mais suscetíveis.

Realizada por solicitação da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) do Piauí, a avaliação teve como objetivo geral a caracterização e o diagnóstico dos locais com maior risco e perigo a movimentos gravitacionais de massa e processos hídricos. O intuito do documento é servir de subsídio à tomada de decisão sobre a utilização da área para o turismo. O estudo foi realizado pelos pesquisadores em geociências do Sgb-cprm José Sidiney Barros, José Milton de Oliveira Filho, Ivan Bispo de Oliveira Filho, Roberto José Amorim Rufino Fernandes e Jean Ricardo da Silva Nascimento. A avaliação foi motivada pelo evento ocorrido no lago da Represa de Furnas, na região do município de Capitólio (MG), no mês de janeiro. A semelhança entre a região mineira e os Cânions do rio Poti levou os responsáveis pela atração turística à conclusão de que uma vistoria preventiva deveria ser realizada.

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