Cerca de 10 painéis do artista
plástico Nonato Oliveira já foram destruídos em Teresina. Com a previsão de
retomada da obra do Centro de Convenções, a previsão é de que mais um painel
deixe de existir, para dá espaço a um novo estacionamento no local. Enquanto o
painel ainda resiste, ele se torna alvo de pichações e se deteriora ainda mais
ao longo dos anos.
O painel foi encomendado na época da primeira inauguração do Centro de Convenções, em 1976. Na época, Nonato Oliveira se dedicou por dois meses a obra, trabalhando com muito cuidado e contanto com a ajuda de um total de dezesseis pedreiros e ajudantes para que o painel ficasse pronto no período estabelecido.
Entretanto, após o início recente de uma grande reforma no Centro de Convenções, a presença do painel do artista no local, parece que não tem mais tanta relevância. A reforma foi iniciada em 2009, e tinha prazo inicial de conclusão em 10 meses e, até hoje, seis anos depois, permanece inacabada.
Desde o início das obras, o painel de Nonato era visto como um empecilho. O projeto da reforma não incluía a restauração do painel, que é uma obra artística tombada pelo patrimônio histórico nacional.

Foto: Elias Fontenele/Portal O DIA
Atualmente, o painel encontra-se pinchado em suas laterais e, assim como toda a obra do Centro de Convenções, também está abandonado. De acordo com populares, a pichação não é recente, tendo sido feita há quase dois anos. Caminhando pelo local, não é difícil de encontrar outras pichações. Além disso, o local é conhecido como ponto de encontro de usuário de drogas.
Ao constatar o descaso com sua arte, sobretudo, da parte do governo, Nonato afirma que também se sente maltratado. “Eu produzo para que a população esteja diretamente em contato com minha obra. No painel do Centro de Convenções, por exemplo, eu procurei retratar turistas e a população local, para mostrar o quanto que as pessoas que vêm de fora são bem recebidas pelo calor humano de Teresina”, declara o artista.
O artista afirma que nunca foi notificado a respeito das obras de sua autoria que foram destruídas. Ele lamenta e explica que já tentou obter justificativas para tamanha maldade com sua arte. Mas, depois de tantas obras destruídas ao longo dos anos, ele não acredita que tentar cobrar alguma coisa vai fazer com que essa prática deixe de existir.
Edição: Nayara FelizardoPor: Aldenora Cavalcante (estagiária)