Sem redução do ICMS, donos de postos de Teresina temem que clientes abasteçam no Maranhão

A diferença entre o preço praticado no Piauí e em outros estados que aderiram à redução do ICMS é de cerca de R$ 1,00 por litro.

04/07/2022 14:46h

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O presidente do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis do Piauí (Sindipostos), Alexandre Valença, afirmou nesta segunda-feira (04) que, sem a redução do ICMS estadual sobre o diesel e a gasolina, os donos de postos localizados em cidades que fazem fronteira com outros estados, como Teresina, podem amargar prejuízos. Segundo ele, os clientes irão começar a abastecer nos estados vizinhos, já que a diferença entre o preço praticado no Piauí e em outros estados que aderiram à redução do ICMS é de cerca de R$ 1,00 por litro.


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“Quem tem posto em região de fronteira, como é o que caso de Teresina, ou que faz fronteira com Pernambuco e Ceará, vai ter diferença de preço de R$ 1 ou mais. Ou seja, quem acreditou no Piauí, quem investiu no Piauí, vai quebrar porque o consumidor vai para os estados vizinhos abastecer”, afirmou ele à O DIA TV.

Foto: Arquivo O Dia

De acordo com Alexandre Valença, o preço da gasolina em Teresina sofreu redução de cerca de R$ 0,80 na última semana e essa queda não está relacionada à redução do ICMS, mas à isenção de impostos federais.  Para ele, o impasse entre governos estaduais e federal é movido por questões políticas.

“Isso tem mais a ver com política do que com economia. Nós vivemos um momento pré-eleitoral. Esse é o momento de os dois lados irem atrás de beneficiar a população. O mundo inteiro está sofrendo as consequências de um momento pós-pandemia e de um momento de guerra, e eu acho que essas questões políticas deviam ser deixadas de lado e deviam pensar no bem da população”, afirma.

Para o secretário de Estado da Fazenda, Antônio Luiz Soares, a redução do ICMS não terá efeito nos preços dos combustíveis para o consumidor final. Segundo ele, a lei que limita um teto para o ICMS é a “nova cloroquina” do Governo Federal, pois terá muitos efeitos colaterais e não servirá para reduzir o preço nas bombas como se espera.

“Esse parece ser o último tiro que o Governo Federal tem para ter algum benefício de imagem. Esse remédio de reduzir o ICMS é um remédio muito amargo, com muitos efeitos colaterais. Estou comparando ele à cloroquina, não é a vacina. É um remédio que não tem efeito nenhum para reduzir preço e é danoso para os estados e municípios”, defende.

A secretário estima que, com a redução do ICMS, os prejuízos na arrecadação do Piauí serão de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. “Vamos sofrer uma grande perda. O governo federal vetou o único dispositivo que tinha pra beneficiar os estados como o Piauí, Maranhão e Tocantins. Só esses três estados foram prejudicados com esse veto, porque não têm dívida com a união. Os demais 24 estados que tiveram as perdas estimadas poderão compensar com a dívida com a União e o Piauí só vai perder”, finaliza.

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Edição: Com informações de Edna Maciel.

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