Carroceiros fecham avenida Marechal em protesto contra projeto de vereadora Thanandra

Diversos pontos de congestionamento são registrados ao longo da manhã desta terça na capital.

06/09/2022 08:18h - Atualizado em 06/09/2022 09:59h

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Carroceiros e profissionais que trabalham com tração animal em Teresina fecham a Avenida Marechal Castelo Branco na manhã desta terça-feira (06), em frente a Câmara Municipal de Teresina. Os trabalhadores protestam contra um projeto da vereadora Thanandra Sarapatinhas (Patriotas) que proíbe o uso de animais para tração na capital e determina que a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) e o Centro de Zoonoses realizem um cadastro para reinserir carroceiros em outras profissões vigentes na cidade. Diversos pontos de congestionamento foram registrados ao longo da manhã e a via segue interditada nos dois sentidos.


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Raimundo Nonato da Silva (59), carroceiro há cinco anos (Foto: Maria Clara Estrêla/ODIA)

Carroceiro há mais de 5 anos, Raimundo Nonato da Silva (59) é morador do residencial Leonel Brizola, bairro Parque Brasil, zona Norte de Teresina. Ele foi em sua carroça até o local do protesto e fez duras críticas à vereadora Thanandra, explicando o motivo da revolta dos trabalhadores.

“Essa manifestação é por causa da Thanandra Sarapatinhas, que quer acabar com os carroceiros. Nós somos pais de família, trabalhamos em cima de um animal. Ela coloca que são maus tratos aos animais, a minha jumenta não é mal tratada. Estamos reivindicando nosso direto de trabalhar. Somos quase dois mil carroceiros. Vamos ficar desocupados?”, indagou o trabalhador. 


(Fotos: Maria Clara Estrêla/ODIA)

O projeto

O projeto, protocolado na última segunda (05) pela parlamentar, traz um Indicativo de Projeto de Lei que institui o programa de Redução Gradativa dos Veículos de Tração Animal com a inserção social dos condutores no mercado de trabalho. A matéria já está tramitando nas comissões e será lida em plenário nesta terça-feira (06).

A proposta da vereadora proíbe o uso de animais para tração em Teresina e determina que a Secretaria de Meio Ambiente (Seman) e o Centro de Zoonoses realizem um cadastro para reinserir os chamados, “carroceiros”, em outras profissões vigentes na cidade. O projeto de Thanandra Sarapatinhas também regulamenta diversos outros mecanismos deste seguimento.

A matéria estabelece que a Prefeitura de Teresina faça a doação de bicicleta de carga ou qualquer outro veículo similar acoplado a uma caçamba de baixo custo e de simples manutenção para os carroceiros cadastrados. O prazo para o direcionamento dos condutores e à inserção no mercado de trabalho é de um ano. 

Dudu critica "discussão abrupta"

O vereador Edilberto Borges (Dudu), criticou a discussão "apressada" do tema, e revelou que os vereadores irão buscar um diálogo com as categorias. “Eles tem toda a legitimidade, toda a vez se manifestam. Nós vamos com certeza dialogar com a vereadora Thanandra e todos os outros vereadores. Teresina e a Câmara não vai, de forma abrupta, acabar, extinguir uma profissão. Um tipo de segmento que historicamente convive com a nossa sociedade. Se a Câmara não puder melhorar, atrapalhar e perseguir nós não iremos fazer”, relatou o parlamentar. 

Embate entre Thanandra e carroceiros é antigo

Há quase um ano, no dia 12 de setembro a vereadora e protetora, Thanandra Sarapatinhas, protocolou um Indicativo de Projeto de Lei, na Câmara Municipal de Teresina, proibindo que carroceiros utilizassem chicotes ou qualquer outro instrumento para açoitar animais usados como tração. A medida visa a extinção de uma prática, que segundo a parlamentar, é rudimentar e descabida para os dias atuais 

No dia 22 de setembro, um grupo de carroceiros interditou a Avenida Marechal Castelo Branco, em frente à Câmara Municipal de Teresina. Eles atearam fogo em pedaços de pau e bloquearam o trânsito. O grupo também usou carros de som e o trânsito ficou congestionado.

O protesto era contra o valor do auxílio financeiro proposto pela Prefeitura para evitar o uso de animais para puxar carroças durante os finais de semana. No projeto, era previsto que os animais tivessem um descanso semanal mediante uma compensação de R$ 300 aos carroceiros pelo poder público. 

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