Piauí possui quase 14 mil estagiários, divulga estudo inédito no setor

Em 2021, o país contava com 707.903 estudantes ocupados a partir de 16 anos

15/08/2022 12:52h

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Um estudo inédito divulgou o perfil dos estagiários brasileiros. Em 2021, o país contava com 707.903 estudantes ocupados a partir de 16 anos. Desse total, o Piauí possui 13.700 mil estagiários. O contingente de estagiários somou 726.610 pessoas no País no 1º trimestre de 2022, superando em 18,2% o patamar do mesmo período de 2021. Os dados foram divulgados pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e tem como base o PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


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O acúmulo de desequilíbrios econômicos, como aumento do déficit fiscal, déficit externo e inflação no teto da meta, associado à crise política e aos desdobramentos da operação Lava-Jato, resultaram em contração do contingente de estagiários em 2016. Após recuperação entre os anos 2017 e 2019, o número de estagiários reduziu significativamente em 2020, frente aos impactos econômicos da pandemia da covid-19.

De acordo com Lucas Assis, analista da consultoria Tendências, empresa responsável pela pesquisa, a região Nordeste apresenta, historicamente, maior vulnerabilidade econômica, em comparação à média nacional e foi muito atingida durante a pandemia da covid-19. Ele explica que, desde o início dos anos 2000 até o início da recessão do biênio 2015/2016, houve uma geração de numerosos postos de trabalho nos setores de serviços e de comércio na região, vinculados especialmente aos segmentos de alojamento, alimentação e turismo.

(Gráfico: CIEE/Divulgação)

“São setores que demandam uma mão de obra tradicionalmente de menor qualificação e que dependem intensamente da interação social. Com a chegada da covid-19, com as restrições de mobilidade, a gente observou uma forte queda de postos de trabalho nesses setores que empregam mais pessoas do Nordeste do que no restante do país. A região Nordeste apresenta também uma maior participação de empresas de menor porte, ou seja, aquelas que abruptamente sofreram com os efeitos da pandemia. Com as restrições das cadeias produtivas, essas empresas se tornaram mais vulneráveis e gerou maior demissão de empregados nessas regiões”, pontua. 

O analista comentou que existe uma dificuldade de inserção profissional dos jovens, uma vez que, pelo fato de não terem experiência profissional, os estudantes não conseguem expor ao empregador sua produtividade e qualidade nas funções do mercado de trabalho. No Brasil, há outras características que prejudicam a inserção desses jovens no mercado, como baixas remunerações, marcante heterogeneidade entre os grupos de população ocupada, grupos de maior vulnerabilidade econômica, como as mulheres, pessoas pretas e pardas e de regiões como Norte e Nordeste e menor escolaridade, sofrem ainda mais. 

“Nesse contexto de recessão, há ainda uma competição entre os jovens e aquelas pessoas com maior experiência profissional por uma vaga. O fato de haver desequilíbrio e desafios econômicos faz com que muitas pessoas que não são jovens se submetem a postos de menor rendimento e horas por conta da sua qualificação”, acrescenta Lucas Assis. 

Nordeste possui 156 mil estagiários 

Ao considerar os mais de 707 mil estagiários ocupados, o Brasil contava, em 2021, com um estagiário para cada três estudantes desocupados acima de 16 anos. O Sudeste é a região com maior concentração, com 298.492 estagiários, seguido do Nordeste, com 156.202 estagiários. Dentre as atividades maior destaque estão: atividades jurídicas, de contabilidade e auditoria, com 56 mil (8%) estagiários, seguido da pré-escola e ensino fundamental, com 55 mil (7,9%) estudantes e serviços coletivos prestados pela administração pública - Estadual, com 46 mil (6,6%) estagiários. 

Humberto Casagrande, CEO do CIEE, destaca que as oportunidades de estágio são restritas, mas possuem inúmeras possibilidades de atividades, especialmente em prefeituras, secretarias de educação, tribunais de justiça, entre outros. Entretanto, são nessas entidades que se concentram a maior parte dos estagiários de classe mais baixa. 

(Foto: CIEE/Divulgação)

“Para as classes baixas, existe um grande volume de vagas com bolsas de estágio menores, e do outro lado, existe um pequeno número de vagas, com bolsas maiores, que ficam com as classes mais altas, onde estão os estagiários mais bem preparados e das escolas de ponta. 

Considerando a renda familiar dos estagiários no Brasil, o estudo aponta que 40% integram a Classe D e E (até R$ 3 mil). O número de mulheres inseridas no programa de estágio é maior do que o de homens, apesar desse percentual ter sido maior em 2018 e apresentar uma queda dos anos seguintes. 

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