“Os verdadeiros sentenciados somos nós que perdemos alguém”, diz primo de Iarla Barbosa

Família acompanha o julgamento de José Ricardo da Silva Neto e faz protesto clamando pela condenação do ex-tenente com uma pena plausível ao crime praticado.

24/11/2021 09:08h - Atualizado em 24/11/2021 11:10h

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Reunida em frente ao Fórum Criminal de Teresina, na manhã desta quarta-feira (24), a família de Iarla Barbosa clama por justiça e pede a condenação de José Ricardo da Silva Neto com uma pena plausível ao crime de feminicídio por motivo torpe praticado por ele. Em conversa com a reportagem de ODIA, o primo de Iarla, Jordy Mesquita, disse que independentemente da sentença que o réu receba, os verdadeiros sentenciados são a família, que sofre a dor da perda. José Ricardo está sendo julgado hoje pelo Tribunal Popular do Júri.


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“Os verdadeiros sentenciados somos nós que perdemos a Iarla e estamos aprendendo a conviver com a dor. O mínimo da reposta que a gente quer hoje é a justiça. Que a justiça seja feita e que a pena seja plausível ao que ele fez com a Iarla. A gente sabe que a lei tem brechas, mas estamos levantando esta bandeira e não vamos permitir que outras famílias sofram aquilo que a gente está sofrendo e nem que outras Iarlas percam suas vidas com a gente perdeu a dela”, diz.


Foto: Nathalia Amaral/O Dia

Jean Abreu, pai da estudante Camila Abreu, esteve presente no Fórum Criminal para dar apoio à família de Iarla e relatou ao O DIA a revolta com o desfecho no caso do assassinato da sua filha. Isso porque, em setembro deste ano, o ex-capitão da Polícia Militar, Allisson Wattson da Silva Nascimento, foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão por assassinar e ocultar o corpo da estudante. Ele diz que, para a família, a sensação é de que a justiça não está sendo feita.

"Estamos muito chateados com o julgamento, até porque ele foi julgado e condenado em todas as qualificadoras de feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual, e mesmo assim a pena foi 17 anos e seis meses. A gente fica preocupado que com esses outros casos aconteça a mesma coisa que aconteceu no caso da minha filha. A gente veio dar uma força e pedir para que não aconteça. Não temos o sentimento que a justiça está sendo feita", lamentou Jean Abreu.

Além das famílias, grupos organizados de mulheres também estiveram no Fórum Criminal realizando um ato simbólico em homenagem às vítimas e pedindo celeridade no julgamento de casos de feminicídio e violência doméstica. No local, as mulheres dispuseram cartazes pedindo justiça e cruzes que representavam as vítimas de feminicídio no Piauí.

Foto: Nathalia Amaral/O Dia

"Queremos revenir para que outras mulheres não sejam vítimas de feminicídio, porque infelizmente o machismo ainda é muito presente na nossa sociedade. O que a gente vem fazendo é um trabalho educativo e preventivo, para que outras mulheres não venham a passar por isso. Infelizmente, os casos que já ocorreram, a gente sabe que a vitima não vai mais voltar, mas que não venha a ocorrer com outras mulheres, porque pode acontecer com qualquer uma de nós, infelizmente", destacou uma das organizadoras da manifestação, Tatiana Cardoso.

Atualizada às 09h35min

Familiares de Iarla Barbosa e de outras vítimas de feminicídio em Teresina estão reunidas em frente ao Fórum Criminal onde acontece o julgamento de José Ricardo da Silva Neto. Dentre os presentes estão os pais de Vanessa Carvalho, assassinada pelo então namorado Pablo Henrique Campos Santos em outubro de 2019; e o pai de Camila Abreu, assassinada pelo ex-capitão da PM, Alisson Wattson, em outubro de 2017.


Foto: Nathalia Amaral/O Dia

A sessão do Tribunal do Júri acontece de forma restrita por conta da pandemia, mas os advogados de Silva Neto informaram que ele comparecerá para o julgamento. É que no início da semana, se deu um impasse quanto à localização do réu para a audiência. A família de Iarla afirmou que o ex-tenente não tinha sido encontrado pela justiça. Já a advogada do réu afirmou que ele já havia confirmado sua presença no julgamento nas intimações feitas anteriormente pelo Tribunal.

Iniciada às 09h08min

Acontece nesta quarta-feira (24) o julgamento do ex-tenente do Exército, José Ricardo da Silva Neto, réu pelo assassinato da jovem Iarla Lima Barbosa. O crime aconteceu há quatro anos, no dia 15 de junho de 2017, na saída de um bar localizado na Avenida Nossa Senhora de Fátima, em Teresina. 

Na ocasião, Silva Neto tirou a vida de Iarla com um tiro e feriu mais duas pessoas. Além de matar a então namorada, o ex-tenente também teria efetuado disparos de arma de fogo contra a irmã dela, Ilana Lima Barbosa, e uma amiga, Joseane Mesquita da Silva. Ele chegou a fugir do local do crime levando o corpo de Iarla, que foi localizado dentro de seu carro no condomínio onde ele morava na zona Leste de Teresina. À época do crime, a investigação apontou que Silva Neto, apesar de possuir autorização para adquirir a arma como membro das Forças Armadas, não tinha porte de arma.


José Ricardo da Silva Neto matou Iarla Barbosa com um tiro na saúda de um bar em Teresina - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Silva Neto foi preso em flagrante em seu apartamento e teve sua prisão preventiva decretada uma semana após o crime. Na audiência de instrução do caso, o ex-tenente do 2º BEC confessou a autoria do feminicídio. Ao prestar depoimento como testemunha de acusação sobre a morte de sua irmã, Ilana Lima Barbosa disse que Iarla tinha a intenção de terminar o namoro com o réu no dia em que foi assassinada pelo namorado. 

Silva Neto ficou detido até fevereiro de 2018, quando teve a prisão relaxada e passou a cumprir medidas cautelares. O Ministério Público Estadual pediu a revogação da soltura do ex-tenente do Exército até que em janeiro de 2019, a justiça voltou a decretar sua prisão preventiva. 

Silva Neto voltou a ser preso, mas em maio de 2019, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu-lhe habeas corpus acatando a tese da defesa de que o acusado já cumpria medidas cautelares. Solto desde então, o ex-tenente do 2º BEC retorna hoje ao banco dos réus para ser julgado pelo assassinato de Iarla Barbosa. Ele será julgado pelo Vara do Tribunal Popular do Júri.

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