Facções usam pichações em escolas para atrair crianças para a criminalidade

A frase 'Proibido roubar na quebrada' é uma das mais utilizadas pelas facções para impor a dominação sobre os outros criminosos que atuam na região.

04/03/2022 12:25h - Atualizado em 04/03/2022 12:52h

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Escolas, igrejas, quadras de esportes, praças. Esses são os locais mais usados pelas organizações criminosas para a demarcação de território por meio das pichações. Segundo o secretário de Justiça, Carlos Edilson, além de utilizar os espaços públicos para sinalizar a dominação de uma área, as facções também usam os símbolos para habituar a população à presença da facção e até mesmo atrair crianças para a criminalidade.


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Foto: Assis Fernandes/O Dia

 “Um dos pontos mais usados, por exemplo, são os muros próximos às escolas, porque eles picham para habituar à criança à presença da facção. Fazer com que elas instiguem a curiosidade e acabem se interessando pelo mundo do crime. Na região do Dirceu, por exemplo, temos [pichações] em um campo de futebol, quadras e praças para chamar a atenção e instigar a sociedade”, alerta o secretário.

Além do Dirceu, os símbolos podem ser facilmente identificados em várias regiões de Teresina, em especial nas periferias. No bairro Parque Piauí, na zona Sul da Capital, por exemplo, as pichações são usadas, em sua maioria, em muros de escolas públicas. A frase "Proibido roubar na quebrada" é uma das mais utilizadas pelas facções para impor a dominação sobre os outros criminosos que atuam na região.

Foto: Assis Fernandes/O Dia


Para combater a ação dessas facções, a Secretaria de Justiça iniciou a limpeza de logradouros utilizando a mão de obra carcerária. O projeto teve início nesta quinta-feira (03), no município de Campo Maior, e será ampliado para todas as cidades que possuem unidades prisionais no Piauí. Com o apoio do 15º Batalhão da Polícia Militar, o trabalho aconteceu com o uso da mão de obra de presos que cumprem pena na Penitenciária José de Arimateia Barbosa Leite e foi feito em vários bairros da cidade do Norte do Estado.

Foto: Thanandro Fabrício/Sejus

“Essa pichação ‘proibido roubar na quebrada’, tem como função demarcar o território e mostrar que aquilo é uma área deles. Por isso estamos fazendo esse projeto, para demonstrar para essas organizações a presença e o poder do Estado. A sociedade pode achar que é algo muito simples, mas nós estudamos e acompanhamos a ação dessas facções e entendemos que apagando essas pichações estamos dando um passo contra essas organizações”, afirma.

Além da ressocialização dos detentos, a Lei de Execução Penal prevê que o detento tem direito a diminuir um dia de sua pena a cada três dias trabalhados. A seleção dos apenados que irão participar da ação de limpeza dos símbolos em logradouros públicos é feita pela direção das unidades prisionais em conjunto com a diretoria de Inteligência da Sejus. O secretário de Justiça revela que um dos parâmetros usados é utilizar presos faccionados para realizar o trabalho.

Foto: Thanandro Fabrício/Sejus

“A ação de Campo Maior foi extremamente exitosa e significativa. Os próprios internos apagaram os símbolos de organizações criminosas que agem contra o Estado e a nossa sociedade. Ontem utilizamos três detentos e estamos organizando como será feito nos próximos municípios. Na próxima semana estarei com o comandante-geral da PM para definir como será realizado em Teresina”, finalizou.

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