Família de bombeiro morto atropelado em Timon pede revisão da pena do acusado

Alex Furtado da Silva, que atropelou e matou Lucas Soares Alves e Raynara Mesquita em agosto de 2020, foi condenado a 8 anos por homicídio sem intenção de matar.

22/07/2021 13:07h - Atualizado em 22/07/2021 15:23h

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A família de Lucas Soares Alves da Silva, bombeiro militar que foi morto atropelado em uma ocorrência em Timon em agosto de 2020, está pedindo a revisão da pena imputada ao réu pelo crime. Em sentença proferida no último dia 22 de junho, Alex Furtado da Silva foi condenado a 8 anos, 11 meses e 10 dias de prisão em regime fechado por crime de homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. Além de Lucas, sua namorada, Raynara Mesquita, também morreu horas depois no HUT.

O que causa revolta na família é o fato de o juiz José Elismar Marques, da Vara de Execução Penal de Timon, ter desconsiderado que houve dolo no crime mesmo tendo sido provado por testemunhas e exames toxicológicos que Alex Furtado conduzia seu veículo sob efeito de álcool e de entorpecentes quando colidiu com a moto de Lucas e o vitimou fatalmente, além de ter se omitido de prestar socorro e ter fugido do local do ocorrido.

Outro ponto criticado pela família na decisão da justiça é a extensão da pena imputada a ele. Eles a consideram insuficiente. 


A família de Lucas Soares pretende recorrer na justiça da sentença do juiz - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Pelo fato de Alex ter antecedentes criminais e inclusive ter sentenças condenatórias em seu desfavor em outros processos, além do fato de ter tirado a vida de duas pessoas em idade produtiva e ceifado todo um núcleo familiar. Por estes fatores, o juiz lhe fixou a pena de 5 anos e 9 meses de reclusão com a suspensão de seu direito para conduzir veículo automotor.

A pena foi aumentada para 7 anos e 8 meses de prisão pelo fato de Alex não possuir habilitação para dirigir. Por conta do excesso de velocidade praticado no momento da colisão que tirou a vida de Lucas e Raynara, o réu teve sua pena final fixada em 8 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão. No entanto, como Alex ficou preso por nove meses e 14 dias até que a sentença fosse proferida, seu tempo de reclusão foi reduzido para 8 anos, um mês e 26 dias.


Acidente aconteceu próximo a Timon - Foto: Reprodução

O que causou revolta nas famílias de Lucas e Raynara foi o fato de que o a justiça entendeu que os crimes praticados pelo réu são idênticos, mesmo tendo tido duas vítimas. Deste modo, o juiz proferiu a condenação como concurso formal homogêneo, ou seja, como um crime só. 

“O sofrimento da família da Raynara é um e o nosso é outro. Um acidente não unifica o sofrimento se são duas vítimas. Pelo contrário, esse sofrimento se amplia. A sentença é injusta porque as vidas de dois jovens que foram ceifadas de maneira brutal foram tratadas como simples matemática. Eles tinham planos, uma vida toda pela frente. O juiz foi mecânico e nem um pouco humano”, diz Cleide Soares, tia de Lucas.

A família disse que vai acionar o Ministério Público e a Promotoria de Justiça para tentar reverter a pena imputada a Alex. 

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