Jornalista Alcide Filho alegou interesse em adotar adolescente vítima de estupro

Segundo a delegada, o adolescente morava com o jornalista desde 2020, mas os abusos teriam começado em 2021.

08/06/2022 11:57h - Atualizado em 08/06/2022 12:48h

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O jornalista Alcide Filho passou por audiência de custódia, nesta quarta-feira (08), em cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pelo juízo da Central de Inquéritos de Teresina e foi encaminhado ao sistema prisional. Em depoimento à titular da Delegacia de Proteção e Criança ao Adolescente (DPCA), Lucivânia Vidal, ele teria alegado seu interesse em adotar a suposta vítima de estupro. O jornalista está preso suspeito de estuprar um adolescente de 14 anos, em Teresina. 

Segundo a delegada, o adolescente morava com o jornalista desde 2020, mas os abusos teriam começado em 2021. Durante este tempo, Alcide Filho teria tentado ganhar a confiança da família alegando que tinha interesse em adotar o jovem. O jornalista chegou a confirmar o interesse durante o depoimento na delegacia.

Foto: Divulgação/DPCA

A família havia denunciado o caso de abuso ao Conselho Tutelar em março deste ano, mas o apresentador teria tentado intimidá-los afirmando que iria denunciar o adolescente por furto. 

"Após 30 dias foi que a família veio até a delegacia registrar o boletim de ocorrência e nós iniciamos as investigações. Com isso, verificamos que, na denúncia no Conselho Tutelar, o acusado tentou reverter a situação a favor dele, alegou que a vítima teria furtado alguns objetos, tentando intimidar a vítima. Com as investigações, obtendo as provas, verificamos que não houve prova de nenhum furto, até porque o que a vítima levou da casa foram os pertences dele, que foram "dados" pelo acusado. Dados porque a vítima trabalhava para o acusado e não tinha nenhuma remuneração", afirmou a delegada.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

As investigações apontam que a vítima chegou até a casa do acusado a partir da indicação de amigos, com o intuito de trabalhar em uma produtora. No entanto, os relatos colhidos pela polícia dão conta de que a vítima trabalhava de domingo a domingo, com sobrecarga de trabalho. Tendo em vista isso, a Polícia Civil identificou dois tipos de crime: exploração do trabalho infantil e exploração sexual. Ainda de acordo com a delegada Lucivânia Vidal, o inquérito foi finalizado, mas as investigações continuam. Por correr em segredo de Justiça, ainda não há informações se há outras vítimas. 

"Não houve negligência por parte da mãe, ela não chegou lá e simplesmente entregou o filho. Ela confiou que o filho estava sendo bem cuidado, que estava trabalhando e, de repente, o filho chega para a mãe e denuncia os fatos. Quando o adolescente tomou coragem de relatar os abusos, ela ficou completamente abalada e buscou as autoridades. Não é fácil, é só a gente se colocar no lugar dessa família. Ninguém está isento de passar por isso", destacou a delegada Lucivânia Vidal.

A titular da DPCA lembra que, mesmo sendo um tipo de crime subnotificado, 95% das denúncias da Delegacia de Proteção e Criança ao Adolescente são de estupro, sendo as meninas as principais vítimas. "Por causa do machismo da nossa sociedade, muitas famílias de vítimas do sexo masculino temem denunciar”, completou.

A delegada faz ainda um alerta para as famílias e lembra que o abuso sexual infantil ocorre, em sua maioria, em espaços de confiança da família, seja em casa, na escola ou na igreja. Por isso, é importante que os pais e responsáveis fiquem atentos a qualquer mudança de comportamento de crianças e adolescentes.

"A criança muda o comportamento, porque um dos perfis dos acusados é ameaçar de morte, e a criança se retrai. Já o adolescente é mais comum mudar de comportamento, por causa da idade, então é mais difícil, mas quem é da família sabe, percebe a mudança. Então, observem sempre, fiquem atentos. As pessoas precisam também confiar no trabalho da polícia, muitas famílias têm medo de denunciar achando que não vai dar em nada, com medo de se expor", afirma.

Por meio de nota, a Rede Meio Norte, informou que o programa de TV apresentado por Alcide Filho será retirado da grade por tempo indeterminado, até que as denúncias sejam esclarecidas.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação à denúncia de assédio envolvendo o publicitário e apresentador de programa terceirizado da Rede Meio Norte, Alcides Filho, a Meio Norte informa que o programa EKOA, será retirado da grade por tempo indeterminado, até que as denuncias sejam esclarecidas.

Reiteramos nosso reconhecimento ao enorme talento e grande serviço prestados a Meio Norte pelo publicitário e apresentador Alcides Filho, que certamente terá oportunidade de expressar sua versão em relação ao fato noticiado.

Sem mais para o momento, a emissora reitera seu repudio a toda e qualquer forma de assédio, desrespeito, violência ou preconceito.

Atenciosamente,

Grupo Meio Norte de Comunicação.

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