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Morte por tuberculose em presidio preocupa agentes penitenciários

Para o Sinpoljuspi, as penitenciárias não possuem estrutura para cuidar dos detentos enfermos

18/01/2016 17:54

Foi registrada a primeira morte ocorrida este ano dentro do Sistema Carcerário do Piauí. Um detento de Esperantina, que não teve sua identidade revelada, morreu vítima de tuberculose no primeiro dia de 2016 e o caso preocupa os agentes penitenciários.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí, Kleiton Holanda, não se sabe ao certo como e quando o detento contraiu a tuberculose e, por ser uma doença infectocontagiosa, ele acredita que muitas pessoas foram expostas. “O detento foi transferido da penitenciária de Esperantina para o Hospital Natan Portela, em Teresina e esteve em contato com diversos outros presos e também agentes penitenciários que podem ter contraído a doença”, afirma Kleiton. Diante da situação, o sindicalista aconselha que todos os detentos e os agentes penitenciários passem por exames para descartar a possibilidade de contágio da doença.

O detento veio a óbito no dia em que recebeu alta do hospital e, imediatamente, o corpo foi encaminhado para Esperantina, aos cuidados da família. Entretanto, segundo Kleiton Holanda, a família do preso não recebeu a devida assistência da Secretaria de Justiça. “Durante todos os tramites realizados para liberação do corpo, a família foi acompanhada pelos agentes penitenciários de Esperantina porque a Secretaria de Justiça estava de folga e não havia ninguém de plantão”, argumenta.

O sindicalista afirma que, devido à falta de estrutura do sistema penitenciário e dos hospitais que dão assistência aos detentos, muitos deles não recebem o tratamento adequado. Kleiton Holanda cita como exemplo, o caso do detento que foi alvejado com um tiro na cabeça durante a última rebelião ocorrida na Casa de Custódia, em Teresina. Segundo ele, o preso foi posto em liberdade e está sob o cuidado da família, depois dos próprios agentes penitenciários exigirem um alvará de soltura para o Tribunal de Justiça, alegando que o sistema carcerário não teria equipamentos e nem condições de fornecer o tratamento adequado. Kleiton afirma que a família do detento entrará com um pedido de indenização para a justiça. “O detento perdeu muita massa encefálica e está em grave estado e a família acredita que era de responsabilidade do Estado cuidar da reabilitação do preso”, conclui.

Procurada, a Secretaria de Justiça, através de sua assessoria de comunicação, informou que o órgão está ampliando os planos de assistências voltadas às famílias dos detentos, através dos Programas “Acolhendo vidas” e “Acolher com cidadania”. Questionada pela falta de estrutura no cuidado com os detentos, a assessoria afirmou que a Sejus reconhece os problemas e que este ano vai destinar mais de dois milhões de reais para a construção de unidades básicas de saúde em 7 penitenciárias do Piauí, são elas: a Casa de Detenção e a Major César, em Altos, a penitenciara regional Dom Abel Alonso Nunez, em Bom Jesus, a Penitenciaria Regional Luiz Gonzaga Rebelo, em Esperantina, Penitenciara “Gonçalo de Castro Lima”, em Floriano, Penitenciaria Mista Juiz Fontes Ibiapina, em Parnaíba e a Penitenciaria Regional “José de Deus Barros”, em Picos. As obras ainda estão em processo licitatório, mas devem ser iniciadas no segundo semestre de 2016.

Edição: Nayara Felizardo
Por: Aldenora Cavalcante (estagiária)
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