PM abre processo para decidir se cabo flagrado recebendo propina será ou não expulso

Caso aconteceu há cerca de um ano durante uma blitz no bairro Bela Vista. Cabo da PM foi flagrado por câmeras recebendo dinheiro de um homem durante o serviço.

04/08/2022 08:03h

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A Polícia Militar do Piauí instaurou conselho administrativo e abriu processo para apurar a conduta de um membro da corporação preso em flagrante por aceitar propina durante realização de uma blitz. O conselho decidirá se ele permanecerá ou não nos quadros da PM após ter aceitado suborno durante o serviço. O fato ocorreu em novembro de 2021 no bairro Bela Vista, zona Sul de Teresina. O policial em questão, identificado como cabo Adilson Alves Ferreira, foi flagrado por câmeras de segurança recebendo o que seria dinheiro de um homem enquanto estava em serviço.

O cabo foi autuado em flagrante e encaminhado para o Presídio Militar. Ele chegou a passar por audiência de custódia e teve sua prisão convertida em preventiva. Em aportaria publicada na edição desta quarta-feira (03) do Diário Oficial do Estado, o comandante da PMPI, coronel Scheiwan Lopes, determinou a instauração do Conselho de Disciplina para apurar suposta prática de corrupção passiva por parte do cabo.


Fato ocorreu em novembro de 2021 no bairro Bela Vista - Foto: Reprodução/Instagram

No documento, o comandante-geral da PM destaca que o ato pelo qual o cabo Adilson foi denunciado é grave e ofende a honra pessoal do agente militar e o decoro da classe. “Por haver o acusado sido preso em flagrante delito [...] violando dispositivos estatuários deontológicos e legais, o sentimento de servir à comunidade traduzido por vontade de cumprir o dever policial-militar e pela manutenção da ordem pública”, é o que diz a portaria

A portaria assinada pelo coronel Scheiwan Lopes destacou ainda que houve desobediência aos preceitos da ética policial-militar e da fidelidade à instituição Polícia Militar do Piauí à qual o cabo Adilson pertence. A conduta do policial em supostamente aceitar propina durante exercício do trabalho também fere a lei nº 3.308/81 do Estatuto da Polícia Militar do Estado, que condena o ato de se utilizar da condição de militar para obter facilidades pessoais de qualquer natureza, além de proibir o PM de solicitar ou receber vantagens indevidas, bem ou valor por prestação de serviço em qualquer ocorrência.


Portaria foi assinada pelo comandante-geral da PMPI, coronel Scheiwan Lopes - Foto: Assis Fernandes/O Dia

O Conselho de Disciplina que deverá apurar a conduta do policial militar será formado por um major, um capitão e um tenente, que deverão interrogar o cabo Adilson e a fim de produzir um relatório com parecer apontando ou não sua culpabilidade e, consequentemente, dizer se ele deverá ou não continuar integrando os quadros da Polícia Militar do Piauí. Em caso de o conselho concluir que o PM não tem condições de permanecer na corporação, ele perde a farda.

O Conselho terá 90 dias a partir da data de publicação de sua portaria de instauração para concluir o processo e entregar o relatório ao Comando-Geral da Corporação.

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