Teresina registra mais de quatro mil denúncias de violência contra mulheres em 2022

Violência psicológica, lesão corporal e perseguição foram algumas das violências mais relatadas pelas mulheres

26/10/2022 16:28h - Atualizado em 26/10/2022 16:40h

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O número de agressões e violência contra mulheres segue crescendo em Teresina. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí dão conta de que, em 2022, o município registrou 4.472 ocorrências. Além disso, mais de mil inquéritos policiais foram instaurados. 


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Em entrevista ao O DIA, a delegada Natália Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explica que os dados alarmantes significam que mais mulheres estão denunciando as violências sofridas. “Ainda estamos longe do ideal, mas ter um maior número de denúncias não significa, necessariamente, que temos mais casos. Esses números também têm relação com as mulheres que agora estão tendo coragem de denunciar”, disse.

O número de agressões e violência contra mulheres segue crescendo em Teresina (Foto: Agência Brasil)

Segundo o levantamento, os tipos de violências mais relatadas pelas mulheres este ano foram: ameaça, injúria, violência psicológica, lesão corporal dolosa e perseguição. O maior número de boletins foram registrados nas delegacias da mulher das zonas norte, sudeste, sul, centro e no departamento da mulher: 

“Uma mulher que passa por uma situação de violência e é atendida por um homem, pode se sentir intimidada. Então, hoje temos várias delegacias em que as mulheres são atendidas por outras mulheres, assim elas se sentem mais à vontade”, destaca a delegada. 

Outros dados ainda apontam que, este ano, 56 ocorrências de feminicídio foram investigadas, além de 25 inquéritos policiais instaurados. 

Estado deve trabalhar na prevenção da violência

A delegada Natália Figueiredo destaca que, muitas vezes, as pessoas julgam as mulheres que permanecem em situações de violência sem ao menos entender o contexto. 

“Ninguém gosta de apanhar e precisamos estudar a situação que a mulher vive. Existem mulheres que se encontram em dependência econômica e emocional. Existem mulheres que permanecem na situação por conta dos filhos. Então, é necessário não deixar toda a atuação apenas para os órgãos de segurança pública. O papel do Estado é disponibilizar, por exemplo, cursos profissionalizantes para que a mulher tenha forças e condições para sair desse contexto”, pontua.

Além disso, a delegada acrescenta ainda que as ações de prevenção do Estado também dizem respeito à conscientização das crianças, ainda no ensino básico. “Aquela criança que vê o pai agredir a mãe em casa vai crescer achando aquilo natural, ou seja, ele se tornará um replicador. A gente acaba forjando um futuro agressor. É preciso trabalhar na raiz do problema, na formação moral das crianças brasileiros”, finaliza. 

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Edição: Adriana Magalhães