"œMunicipalização do sistema não garante melhorias para o usuário"™, diz Setut

A declaração aconteceu depois que o prefeito Dr. Pessoa ameaçar criar uma empresa municipal para operar o sistema

10/02/2021 15:23h - Atualizado em 10/02/2021 15:41h

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Uma possível municipalização do sistema de transporte público de Teresina não garante melhorias para o usuário, comentou nesta quarta-feira (10) o coordenador técnico do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), Vinicius Rufino, durante entrevista ao sistema O Dia. A declaração aconteceu depois que o prefeito Dr. Pessoa ameaçar criar uma empresa municipal para operar o sistema. 

Ele citou que em nenhuma cidade do Brasil o sistema é gerido totalmente por empresa pública. Segundo o representante do Setut, apenas Porto Alegre-RS mantém uma empresa pública para o transporte coletivo e só opera 5% do sistema para avaliar se as empresas privadas são fiéis a realidade. 


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“Municipalização do transporte coletivo não garante que o serviço vai melhorar para o usuário. Não temos no Brasil quase nenhum município com uma empresa pública de transporte. Temos uma única cidade que ainda tem, que é Porto Alegre, e que opera 5% do sistema. Não é uma empresa que opera 100%. Ela funciona como uma comparação que o poder público tem para saber se as informações que a iniciativa privada repassa para eles são verdadeira”, explicou. 

Foto: Assis Fernandes / O Dia

Vinícius afirmou que a prefeitura de Teresina deve respeitar o contrato firmado com as empresas e que parte da dificuldade das concessionárias em pagar os salários de motoristas e cobradores é causada pela falta de repasses do subsídio da gestão municipal. Ele defende ainda um reajuste nos valores da contrapartida da prefeitura. 

“Existe um contrato de concessão assinado em 2015 através de uma licitação pública. Existem cláusulas no contrato que define a questão do subsídio que visa o equilíbrio do sistema e isso deve ser reavaliado. O subsídio, inclusive, o que não tem sido repassado tem comprometido a capacidade de pagamento dos operadores. O poder público deve agir de forma a auxiliar para o equilíbrio financeiro”, disse. 

Vinícius Rufino (Foto: Assis Fernandes / O Dia)

O coordenador técnico do Setut pediu bom senso aos trabalhadores em greve para que os empregos sejam mantidos. Vinícius Rufino descartou o reajuste reivindicado por motoristas e cobradores paralisados desde a última segunda-feira (8). 

“Precisa haver bom senso. A preocupação nesse momento é de tentar garantir a manutenção dos postos de trabalho. É melhor perder alguma coisa agora e ganhar lá na frente, mas garantir o seu posto de trabalho, do que o sistema entrar em colapso. Nesse momento não dá para se discutir ajuste salarial com base em qualquer que seja o fator de defasagem. O sistema está passando por uma crise que lamentavelmente não tem como se pensar nesse momento em reajuste”, finalizou. 

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