“Prejudica os mais pobres”, diz vendedor sobre proibição de vale impresso em Teresina

Para muitos teresinenses, esse é um projeto que prejudica o cidadão trabalhador que depende diretamente da compra e venda do vale-transporte impresso

03/11/2021 12:12h

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Após a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) de Teresina proibir a venda e comercialização do vale-transporte impresso na última segunda-feira (01), muitos vendedores e usuários do transporte público vêm lamentando o fato. Isso porque, a medida afeta a população mais pobre, que utilizava os vales impressos tanto para se deslocar na capital de maneira econômica, quanto para ter uma renda a mais no final do mês. 

Proibição da venda de vale-transporte impresso prejudica os mais pobres (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Segundo Claudio Pessoa, superintendente da Strans, a mudança se deu a fim de evitar irregularidades na venda e comercialização do vale-transporte e passe estudantil. Entretanto, para muitos teresinenses, esse é um projeto que prejudica o cidadão trabalhador que depende diretamente da compra e venda destes vales. É o que conta o vendedor Emilásio Costa, de 54 anos, que trabalha há dois anos neste ramo. 

“É mais um meio de tirar o pão da mesa do pobre. Nosso prefeito prometeu que iria ajudar e agora está fazendo cortes em várias áreas. Então o objetivo dele é prejudicar os mais pobres, porque está tirando o pão da mesa dos cidadãos. Com os vales todos ganham, pois vendemos passagem mais barata e também facilita o troco para os cobradores de ônibus”, explica o vendedor.


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Emilásio Costa comenta que a comercialização do vale-transporte impresso nunca prejudicou ninguém e que essa medida irá complicar ainda mais a situação das pessoas. “Tem muita gente desempregada e o prefeito ao invés de ajudar, está prejudicando a população. Estamos em uma crise e ele ainda tira o pouco que você ganha”, lamenta. 

Muitos teresinenses contam com a venda do vale impresso em seu orçamento mensal (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Diante de toda a questão, muitos vendedores agora devem procurar uma outra forma de sustento, visto que mesmo sendo um lucro baixo, a comercialização dos vales ainda ajudava no orçamento de muitas famílias. Como é o caso do vendedor José Lima, de 60 anos, que há dois meses observa a venda dos vales caírem. 

“Eu vejo isso como um atraso a mais. O lucro é pouco, mas nós estamos vivendo até de centavos hoje em dia. Eu vendo a 50 centavos, mas com isso vou perder esse valor em cada unidade. Agora preciso procurar outro destino para trabalhar”, afirma José Lima. 

Diversos pontos de comercialização do vale impresso serão afetados pela proibição em Teresina. (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Além dos vendedores, os usuários do transporte público também vêem a medida como um grande atraso, pois a utilização do vale impresso era mais econômica e mais cômoda, visto que, muitas vezes, o passageiro entra no ônibus com uma cédula maior que R$ 20 e cobrador não tem troco. Sendo assim, o usuário acaba tendo que esperar pelo troco durante a viagem, gerando um certo desconforto. 


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 Até mesmo quem não anda diariamente de ônibus na capital, comenta o quanto a medida prejudica as pessoas que dependem de um sistema de transporte público precário e agora precisarão lidar com mais uma dificuldade. Para o aposentado Elias Joaquim, de 72 anos, quem acaba lidando com todas consequências é a população mais vulnerável. 

Elias Joaquim lamenta a proibição e suplica "Deixe o pobre viver!" (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

“Isso é ridículo e vai afetar a nós, pobres, que precisamos de vale para nos locomover para o trabalho. É uma vergonha. Eu sou totalmente contra. Muitas pessoas precisam, mesmo sendo um valor baixo, ainda serve, pois o pouco que tem, soma. Deixa o pobre viver!”, pontua Elias. 

Proibição do vale impresso prejudica população da zona rural 

A proibição do vale-transporte impresso também afeta diretamente a população da zona rural que, muitas vezes, vem à capital e utilizam os vales para se locomover. Com a medida, as pessoas serão obrigadas a adquirir o cartão eletrônico, o que acaba não sendo tão vantajoso.

(Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Ana Cristina, 31 anos, usuária do transporte público, comenta que vê essa mudança com uma certa preocupação. Pois, apesar da bilhetagem eletrônica ter as suas vantagens, para quem não reside em Teresina, é um gasto a mais. “Nós temos um sistema de bilhetagem eletrônica e quem não é da capital, precisa comprar o cartão e fazer uma recarga. Tem muita gente que vem do interior e recorre justamente ao vale impresso que é mais fácil de encontrar para se locomover”, explica a terceirizada. 

Ana Cristina comenta que a proibição prejudica a população da zona rural. (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Estudantes da zona rural terão meia-passagem garantida, diz CMEIE

Com esta proibição, muitas famílias passaram a questionar como ficaria a situação dos estudantes que saem da zona rural para irem às escolas no Centro e demais bairros de Teresina. Isso porque, os ônibus que deslocam os jovens não possuem equipamento de bilhetagem eletrônica, o que dificulta a utilização do passe estudantil. Sendo assim, boa parte dos estudantes fazia a utilização do vale-transporte impresso.

Estudantes da zona rural não serão prejudicados pela proibição do vale impresso. (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

Dessa maneira, a Comissão Municipal Expedidora de Identidade Estudantil (CMEIE), questionou a Strans a respeito. De acordo com o Ranilson Gonçalves, presidente da CMEIE, a Superintendência informou que estes estudantes não serão prejudicados e poderão apresentar o passe estudantil e pagar a meia-passagem em espécie, até que o problema da bilhetagem eletrônica seja resolvido nos transportes da zona rural.

Ranilson Gonçalves, presidente da CMEIE. (Foto: Assis Fernandes/O DIA)

“Muitos estudantes da zona rural utilizam o vale impresso e com a proibição da comercialização, nós procuramos a Strans e falamos com o gerente de planejamento. Eles explicaram que o estudante não vai ficar prejudicado. Vai ser autorizado que eles paguem em espécie o valor de meia passagem. Além disso, a Strans está trabalhando para resolver a instalação dos validadores dos ônibus da zona rural”, finaliza Ranilson Gonçalves. 

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