2022 é o ano para se falar sobre a verticalização de Teresina, diz Conselho de Arquitetura

Por ser uma cidade “espalhada”, Teresina se torna mais cara para o cidadão, visto que há mais gastos com transporte, energia, água, dentre outras questões

31/12/2021 16:36h

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A cidade de Teresina, que conta com uma população estimada em 868 075 habitantes, é considerada um dos municípios mais populosos do Piauí. A capital tem um imenso perímetro urbano, mas enfrenta diversos problemas devido às longas distâncias de uma zona para outra.

Segundo Wellington Camarço, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU), ao ter uma cidade “espalhada”, há mais gastos com transporte, coleta de lixo, energia, água, calçamento, dentre outras questões. Mas, quando o local é “adensado”, reduz-se esse custo, visto que as pessoas estariam mais próximas umas das outras e de seus locais de trabalho. 

Teresina é espalhada dentro do seu perímetro urbano e quanto mais a cidade é espalhada, mais cara ela se torna para o cidadão. Para você ir do extremo norte ao extremo sul, são 45 km. Isso é um absurdo para uma cidade que pretende ser capital”, explica.

(Foto: Arquivo O Dia)

Para o presidente do CAU, o ideal seria que Teresina passasse por um processo de verticalização, que é uma alternativa para melhorar o planejamento urbano da região através da construção de edifícios e prédios, de forma a adensar a população.

Entretanto, a cidade não tem como crescer de forma vertical, principalmente devido a localização do Aeroporto Senador Petrônio Portella que, por ser no centro da capital, acaba atrapalhando o seu desenvolvimento. “Existe um impedimento de realizar investimentos de verticalização, porque temos um aeroporto dentro da cidade, que está a cinco minutos do centro de Teresina, a cinco minutos da zona leste e dentro da zona norte. Como vamos desenvolver a cidade com um aeroporto nesta condição?”, questiona Wellington Camarço.

O Conselho de Arquitetura frisa ainda que Teresina é uma cidade rasteira e que há uma impossibilidade de ampliação por conta dos voos. A localização do aeroporto afeta diretamente a vida do cidadão que, durante uma vida inteira, perde muito deslocando para ir e voltar do trabalho todos os dias. 

“O aeroporto de Teresina é um problema urbanístico”, afirma presidente do CAU

O Aeroporto Senador Petrônio Portella foi arrematado pela Companhia de Participações em Concessões, subsidiária da empresa CCR, durante o leilão realizado em abril deste ano na Bolsa de Valores B3. A previsão é que seja investido um total de R$ 302 milhões ao longo de 30 anos, que é a validade do contrato. 

Para Wellington Camarço, o aeroporto de Teresina não é um bom investimento, mas “entrou no pacote porque se ficasse de maneira isolada na negociação, ele não teria sido arrematado, pois é um aeroporto que não interessa a ninguém”, afirmou em entrevista ao O Dia. 

Sem áreas para ampliação e com muitas dificuldades, na visão do Conselho de Arquitetura, o aeroporto de Teresina é mais um problema do que um investimento com retorno viável para as empresas. 

“Foi feita a PPP, porque ele foi anexado aos outros aeroportos que tinham mais viabilidade. Então, por obrigação, esta empresa terá que fazer melhorias em nosso aeroporto.Isso irá beneficiar as pessoas que fazem uso do aeroporto, mas ele vai continuar trazendo prejuízo à população inteira”, afirma o presidente do CAU.

Wellington Camarço (Foto:Reprodução/Ascom)

Ainda segundo o CAU, o aeroporto não é simplesmente um problema arquitetônico, mas traz prejuízo à cidade e aos investimentos que poderiam ser feitos para a verticalização, por exemplo. 

“O Aeroporto de Teresina é um problema urbanístico. Neste sentido, será que precisamos de um aeroporto mais moderno? Cerca de 600 pessoas utilizam os seus serviços diariamente, todavia mais de um milhão e 200 mil moradores são afetados pela localização do aeroporto. Então, o problema vai muito além de melhorias estéticas ou um espaço mais ampliado”, comenta Wellington Camarço. 

Um novo aeroporto não é uma alternativa 

Ao pensar na perspectiva atual e no futuro, a construção de um novo aeroporto na cidade de Teresina não é uma opção viável, visto que o gasto é muito elevado. “O aeroporto não é a casa de um passageiro, há muitos outros investimentos que não são do conhecimento do cidadão comum, como as cartas de navegação. Tudo isso precisa ser pensado”, diz Wellington Camargo. 

O presidente do CAU destaca ainda que dificilmente esse aeroporto será desativado, mesmo que seja construído um novo. “Não existe no brasil um aeroporto que foi desativado para dar lugar a outro .Quando acontece de haver uma nova construção, o antigo aeroporto continua sendo usado para voos de pequeno porte e helicópteros”, acrescenta.

(Foto: Arquivo O Dia)

Além disso, o investimento feito anteriormente não pode ser jogado fora. “Ninguém joga fora um equipamento público desta maneira. Se acontecer, será a primeira vez no Brasil”, pontua Wellington Camarço.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo lembra que todos os anos debates como estes são feitos, principalmente quando há novas eleições, visto que este é o momento de mostrar os problemas da cidade e buscar por soluções. 

“Na última eleição discutimos isso e demos oportunidades para todos falarem. Faremos isso novamente agora para os candidatos ao governo e iremos provocá-los a fim de  mostrar a situação que estamos passando em Teresina”, ressalta o presidente. 

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Edição: Ithyara Borges

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