Aguapés começam a se formar no Rio Poty e gera alerta em ambientalistas

O aparecimento dos aguapés significa basicamente a presença de poluição no rio

15/09/2021 12:11h - Atualizado em 15/09/2021 12:46h

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Quem passa pela Ponte da Primavera, que liga as zonas Leste e Norte de Teresina, já começa a perceber uma mudança na paisagem urbana da capital: a formação de um aglomerado de aguapés às margens do Rio Poty. O tapete verde que as plantas formam já entrou para o calendário ambiental de Teresina, aparecendo sempre quando o período mais quente do ano chega, mas, a despeito da beleza que aparentam ter, a sua presença gera preocupação em ambientalistas e alerta aos órgãos competentes.

É que os aguapés significam basicamente presença de poluição no rio e contribui mais ainda para o aparecimento destas plantas o fato de que nesta época, o Rio Poty fica sem receber água suficiente por conta da falta de chuvas. Isso leva ao aumento da sujeira em sua lâmina d'água e abaixo dela e, consequentemente, para a formação mais rápida dos aguapés.

(Foto: Assis Fernandes/ O DIA)

A ambientalista Tânia Martins, diretora da Rede Ambiental do Piauí (REAPI) explica que a presença dos aguapés em conjunto com a sujeira acaba por inibir a presença de oxigênio no rio, o que torna a sobrevivência dos peixes que vivem dentro dele ainda mais difícil. 

“O rio fica sem oxigênio e os aguapés se multiplicam, impedindo a respiração da água. Temos estudos que mostram que são mais de três metros no fundo do Poty só de sujeira acumulada e matéria orgânica que são lançadas dentro. Se os aguapés tomarem conta totalmente da superfície, o rio acaba morrendo por falta de oxigênio”, explica.

Um dos fatores que mais contribui para a poluição do Rio Poty são os esgotos a céu aberto. De acordo com a REAPI, a maioria destes esgotos é oriunda de prédios residenciais existentes na zona Leste de Teresina, sobretudo os que ficam próximos às margens do rio. 

(Foto: Assis Fernandes/ O DIA)

Além dos dejetos coletivos destas edificações que são jogados no rio, a falta de consciência da população em jogar lixo nas margens também acaba por aumentar a formação dos aguapés.

“A quantidade de poluentes oriundos dos esgotos sem tratamento que são lançados no rio Poty é absurdamente grande e inaceitável e a maioria desse lixo vem de áreas onde as pessoas que moram parecem não se importar com o coletivo, não cobram saneamento”, dispara Tânia Martins. Ela finaliza acrescentando que falta uma ação mais efetiva de prevenção e fiscalização por parte  do poder público para evitar o acúmulo de lixo e o aumento dos aguapés no rio. 

“Somos obrigados a lidar com a incapacidade das autoridades, porque meios de fazer ações de melhorias, nós temos. Falta vontade, disposição”, finaliza.

Ao PortalODia.com, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Semduh) afirma que no momento está buscando a melhor alternativa para remoção dos aguapés. Além disso, o órgão esclarece que haverá uma parceria com as Superintendências de Ações Administrativas Descentralizadas (SAADs) para que a ação seja realizada.

Confira nota na íntegra: 

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Semduh) informa que está buscando a melhor estratégia operacional para a remoção dos aguapés do Rio Poti.

Essa remoção deverá ser feita em parceria com as Superintendências de Ações Administrativas Descentralizadas (SAADs), das zonas Centro, Norte e Leste, que são as áreas onde há ocorrência de aguapés.

No dia 22 de setembro, participaremos de uma reunião com a Justiça Federal e o Ministério Público para apresentarmos a forma como ocorrerá a retirada dos aguapés.

Em paralelo a isso, estamos buscando soluções definitivas para evitar que o problema se repita nos próximos anos.

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